《O Bilhão que me Deixou: A Vingança da Ex-Esposa Humilde》Capítulo 5

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05

A vida seguiu tranquila por mais meio mês. Eu ia trabalhar, voltava, comprava mantimentos e cozinhava. Ocasionalmente, cruzava com Samuel e apenas acenava com a cabeça, sem dizer muito.

Sua presença era tão discreta que, se as mensagens flutuantes não me lembrassem, eu quase esqueceria que havia um guarda-costas morando no andar de baixo.

Até que um dia, enquanto comprava ovos no supermercado, encontrei alguém. Para ser exata, essa pessoa esbarrou em mim.

Ele passou por trás de mim empurrando um carrinho de compras e seu cotovelo atingiu meu braço.

— Me desculpe — disse ele, virando-se.

Eu vi a mensagem flutuando acima da cabeça dele e quase deixei o carrinho cair.

【Gustavo, irmão de Bernardo e filho biológico de Zhou Ting-shan. Seu objetivo ao vir para Yunhe é encontrar Jade e, através dela, localizar Bernardo para eliminar completamente essa ameaça. Ele ainda não tem certeza se Jade é o alvo e está investigando um por um.】

Meu coração acelerou, mas não deixei transparecer nada no rosto.

— Sem problemas — eu disse.

O olhar dele parou em mim por um instante, então ele sorriu levemente e seguiu com o carrinho. Minha mão segurando os ovos tremia levemente. Não era medo, era tensão.

Gustavo estava aqui.

A mensagem dizia que ele queria eliminar Bernardo, e eu era o único rastro de Bernardo em Yunhe. Se ele me descobrisse...

Saí apressada do supermercado e, em vez de ir para casa, entrei em um beco próximo.

Parada sob um plátano, peguei o celular e enviei uma mensagem para Samuel:

"Você está livre hoje à noite? Preciso de ajuda com a torneira da cozinha, está vazando". Dois minutos depois, ele respondeu com uma única palavra: "Sim".

Às oito da noite, Samuel bateu à porta.

Levei-o até a cozinha e abri a torneira.

Estava realmente vazando, pois eu havia afrouxado a arruela de propósito à tarde.

Ele se agachou para consertar enquanto eu o observava.

— Samuel — chamei pelo nome.

Sem parar o que estava fazendo, ele respondeu: — Sim.

— Você é um dos homens do Bernardo, não é?

A chave inglesa parou. Ele virou a cabeça para me olhar, com um olhar vigilante.

— A torneira da cozinha é nova — eu disse. — Mudei-me há apenas vinte dias, não poderia quebrar tão rápido. Sua técnica de encanador é profissional demais, mais habilidosa que a dos funcionários do condomínio. Um morador comum não usaria esse modelo de chave inglesa.

Essas razões, é claro, eu inventei na hora. O motivo real era a mensagem flutuante, mas eu não podia contar.

Samuel ficou em silêncio por um longo tempo. Então, ele se levantou e colocou a chave inglesa sobre a bancada.

— Quando você descobriu?

— Desde o dia em que você veio ao hospital tirar os pontos — respondi. — Os calos na base do seu polegar, a marca no seu indicador e a sua lesão... não foi um corte de chapa de metal, foi um ferimento de faca. Ninguém em Yunhe usaria uma faca contra um ex-militar das forças especiais, a menos que você estivesse protegendo alguém.

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Ele me encarou por cinco segundos.

— Ele me mandou protegê-la por três meses.

— E depois desses três meses?

— Retirada.

— E então?

— Não há um "então".

Eu dei um sorriso amargo. Como imaginei. Três meses era provavelmente o tempo que Bernardo estimava para retornar à família Zhou e se estabelecer.

Depois disso, ele não precisaria mais de uma identidade de cobertura, e Jade seria uma página virada em sua vida.

— Hoje no supermercado, um homem esbarrou em mim — eu disse a Samuel. O olhar dele mudou levemente. — Não tenho certeza se foi coincidência, mas meu instinto me diz que não.

A mandíbula de Samuel se contraiu por um instante.

— Como ele era?

Descrevi a aparência e as roupas de Gustavo. A expressão de Samuel mudou. Ele pegou o celular, foi até a varanda e fez uma ligação de costas para mim.

A voz estava baixa e só consegui ouvir algumas palavras: "...o segundo chegou... não, ela não sabe... eu resolvo".

Ele desligou e voltou para me olhar.

— Não saia sozinha nestes próximos dias.

— Por quê?

— Você não precisa saber.

Eu o encarei. Uma mensagem flutuou:

【Samuel está muito hesitante agora. Suas ordens eram proteger Jade sem se expor. Agora que sua identidade foi descoberta, ele não sabe se deve relatar ou resolver por conta própria. Se ele relatar, Bernardo pode cortar todos os laços com Jade antecipadamente e abandoná-la completamente.】

— Você não precisa relatar — eu disse. Ele ficou surpreso. — Se você contar que eu descobri, o que ele faria? Desapareceria de novo? Mudaria de identidade? Deixaria-me aqui para morrer?

Samuel não respondeu.

— Eu não vou procurá-lo, nem causar problemas. Mas tenho uma condição.

— Qual condição?

— Durante estes três meses em que você me protege, conte-me o que eu preciso saber. Não tudo, mas pelo menos me diga quem está me vigiando e se correrei perigo.

Ele ficou em silêncio por um longo tempo. O vento noturno entrava pela janela, trazendo o frescor úmido do fim da primavera.

— Bernardo tem um irmão — ele finalmente começou. — Chama-se Gustavo.

— Continue.

— Ele está disputando a herança com Bernardo. O velho está morrendo e o testamento ainda não foi decidido. Se Bernardo voltar, Gustavo terá que ceder seu lugar. Por isso, ele quer encontrar algo que possa chantagear Bernardo antes que ele retorne à capital.

— Como eu.

Samuel não negou. Respirei fundo.

— Ele vai tentar algo contra mim?

— Se ele confirmar que você é ligada ao Bernardo, sim.

O quarto ficou em silêncio por alguns segundos. Fui até a geladeira, abri a porta e peguei duas latas de cerveja, entregando uma a Samuel. Ele hesitou um pouco antes de aceitar.

— Obrigada por me contar isso — eu disse, abrindo a lata. — Fique tranquilo, não vou sair por aí sem cuidado.

Ele não abriu a cerveja, apenas a segurou.

— Você não está com medo? — ele perguntou.

Tomei um gole longo. A cerveja estava gelada e senti meu estômago doer um pouco ao descer.

— Trabalhei quatro anos no pronto-socorro, já vi de tudo. Ferimentos de faca trazidos às três da manhã, acidentes de carro, tentativas de suicídio... consigo dar pontos sem tremer.

Olhei para ele.

— De que adianta o medo? É melhor pensar em como sobreviver.

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