《O Bilhão que me Deixou: A Vingança da Ex-Esposa Humilde》Capítulo 3

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03

Samuel voltou pontualmente no terceiro dia para retirar os pontos. Ele se sentou na cadeira da sala de procedimentos, com a mão esquerda apoiada formalmente sobre o joelho e estendeu a direita para mim.

Enquanto removia a sutura, notei calos na base do seu polegar e uma marca de pressão curva na lateral do dedo indicador, sinais deixados por anos segurando uma arma.

O guarda-costas de um dono de loja de frango frito era um ex-soldado das forças especiais. Por mais que eu tentasse, essa configuração parecia absurda demais.

"A cicatrização está ótima", comentei, descartando os fios na bandeja. "Tome mais cuidado ao trabalhar de agora em diante".

Ele murmurou uma confirmação e se levantou para sair. Eu o chamei: "Espere um pouco".

Ele se virou.

"Você passou a noite inteira ontem parado embaixo do meu bloco?"

Sua expressão permaneceu a mesma, mas houve uma tensão quase imperceptível em seus ombros.

"O segurança me contou", inventei uma desculpa. "Disse que havia um homem novo fumando lá embaixo na madrugada e me perguntou se eu o conhecia".

A legenda flutuou:

【Samuel realmente vigiou o prédio a noite toda, pois descobriu que alguém instalou um rastreador no carro de Jade. Ele o removeu, mas não tem certeza se o outro lado possui outros meios】.

Um rastreador. Meu coração afundou. Quem estava me seguindo?

"Fui eu", admitiu Samuel. "Não conseguia dormir, então desci para caminhar".

Assenti, sem fazer mais perguntas.

Ao voltar para o consultório, fechei a porta, peguei o celular e pesquisei um nome: Grupo Zhou.

A entrada na enciclopédia online fora atualizada pela última vez há dois meses: "O presidente do Grupo Zhou, Zhou Ting-shan, está hospitalizado por motivo de doença.

O grupo está sendo temporariamente gerido pelo vice-presidente. Zhou Ting-shan tem dois filhos: o primogênito Bernardo e o caçula Gustavo..."

O filho mais velho, Bernardo.

O homem na foto vestia um terno cinza escuro, com o cabelo impecavelmente penteado, olhos frios e lábios cerrados em uma linha firme. Olhei para aquela imagem por um longo tempo.

Nenhum traço sequer combinava com o homem da minha memória, aquele que usava avental, tinha as mãos sujas de farinha e sorria mostrando o dente canino. Até as suas feições pareciam ter sido rearranjadas.

A legenda estava certa: até o dente canino dele era falso.

Fechei a página e continuei navegando para baixo. Havia uma notícia antiga de três anos atrás:

"Turbulência interna no Grupo Zhou; o filho mais velho, Bernardo, teria rompido com o pai, Zhou Ting-shan, e deixado o núcleo de gestão. Fontes revelam que a ruptura está ligada a um assunto antigo do passado..."

Um assunto antigo. O quê? Não consegui encontrar mais detalhes, mas a legenda apareceu no momento certo.

【Três anos atrás, Bernardo descobriu que não era filho biológico de Zhou Ting-shan, mas fruto de um relacionamento de sua mãe antes do casamento. Ao descobrir, Zhou Ting-shan ficou furioso e o baniu da família. Ele se escondeu em Yunhe por três anos, esperando pelo dia em que Zhou Ting-shan adoecesse】.

Ele não era o filho biológico. Ele não estava exilado em Yunhe; estava esperando por uma oportunidade.

E eu não passava de uma identidade de cobertura que ele construiu por conveniência durante essa espera.

Um dono de loja de frango frito com uma esposa enfermeira. Um casal comum de uma cidadezinha do interior. Quem suspeitaria que tal homem fosse um herdeiro renegado?

Coloquei o celular sobre a mesa e fechei os olhos por um instante. Havia algo entalado no meu peito, uma sensação que eu não sabia se era dor ou sufocamento. Mas não chorei.

Já vi tantas despedidas e mortes no pronto-socorro que aprendi há muito tempo que chorar não resolve problema nenhum.

Na hora da saída, Cristina me puxou para comer malatang.

"Você emagreceu", disse ela, apontando os hashis para o meu rosto. "Seu rosto está afinado. Aquele sujeito não vale nada".

"Não tem nada a ver com ele, é que tive muitos turnos seguidos".

"Não me venha com essa, acha que eu não percebo?" Cristina baixou a voz. "Você ainda está esperando que ele volte?"

Uma legenda flutuou sobre a cabeça de Cristina:

【Cristina, colega de Jade. Mais tarde, quando Jade sofrer ataques na internet, ela será a única a se levantar para defendê-la】.

Olhei para aquelas palavras e, de repente, senti uma onda de calor no coração.

"Não estou esperando", respondi. "Coma logo".

"Assim que se fala!" Cristina bateu na mesa.

"É melhor que ele não volte mesmo. Olhe para você: vinte e seis anos, linda, com cargo concursado... você consegue alguém muito melhor que ele".

Sorri levemente e peguei uma fatia de lótus.

Não pretendo procurar ninguém. Pelo menos não agora.

Primeiro, preciso descobrir quem instalou um rastreador no meu carro.

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