Sem olhar para trás, Arthur arrastou Maya para o carro e dirigiu diretamente para a mansão Valente. No banco traseiro, Maya permitiu que ele segurasse sua mão, mas permaneceu encostada na janela com os olhos fechados.
Agora que sua identidade fora revelada, ela não precisava mais atuar; simplesmente não se dava ao trabalho de dirigir a Arthur sequer um olhar.
Arthur sentiu-se enfurecido por aquela indiferença. Depois de enganá-lo por tanto tempo, ela não pretendia dar uma explicação e ainda o ignorava dessa forma?
Ao chegarem à mansão, assim que desceram do carro, Arthur, transbordando fúria, colocou Maya abruptamente sobre os ombros. Ignorando os protestos e choros da mulher, ele a carregou diretamente para o quarto.
Arthur a jogou sobre a cama e, prendendo suas mãos, inclinou-se sobre ela. Seus olhos injetados de sangue a encararam por um instante antes de ele a beijar com ferocidade.
Maya estacou, mas assim que sentiu a invasão dele, recuperou os sentidos e começou a lutar desesperadamente. Contudo, a diferença de força era esmagadora. Em vez de se libertar, ela acabou com o colarinho entreaberto em meio à luta. Ao sentir o hálito de Arthur descer por seu pescoço, ela sentiu um calafrio e disse com ódio:
— Arthur Valente, você tem mesmo que me humilhar desse jeito?
Como ele podia odiá-la tanto e ainda assim querê-la? O que ela era para ele? Apenas uma ferramenta para satisfazer seus desejos?
Arthur parou por um momento e ergueu a cabeça. Ele acariciou o rosto de Maya suavemente, passando a ponta dos dedos pelos lábios dela, e disse com a voz rouca:
— Não... eu amo você.
Ao ouvir aquelas palavras, Maya sentiu apenas vontade de rir. Amor? Arthur a amava? Se ele realmente a amasse, como teriam chegado a esse ponto? Maya esboçou um sorriso de puro sarcasmo e disse friamente:
— Arthur, você tem coragem de usar a palavra amor? Minha família foi destruída por suas mãos e você diz que me ama? Você deu a empresa do meu pai de presente para a Letícia e vai ficar noivo dela. É assim que você me ama?
Cada questionamento era como uma lâmina afiada cravada no coração de Arthur. Ele apertou o queixo dela, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento, e disse com a voz trêmula:
— Maya, por favor, espere por mim. Eu vou te dar uma explicação, tudo bem?
A resposta de Maya foi cravar as unhas com força no ferimento no braço dele, aumentando a pressão gradualmente. O sangue tingiu a roupa dele instantaneamente, caindo gota a gota sobre o corpo dela.
— Uma explicação? Vai explicar com a sua vida? — perguntou ela.
Arthur sentiu o ferimento se abrir, mas não parecia notar a dor. Ele murmurou baixo:
— Maya, eu não vou te soltar. Nunca.
Seus olhos, que costumam ser calmos como um lago congelado, foram totalmente consumidos pelo desejo. Ele a beijou novamente, ignorando tudo ao redor. Arthur sentia um vazio imenso no peito, e parecia que apenas daquela forma conseguiria preenchê-lo. Maya o xingava, batia nele e apertava seu ferimento, mas ele agia como se não ouvisse, repetindo o nome dela enquanto seus movimentos tornavam-se cada vez mais intensos e fervorosos.
Quando tudo terminou, Arthur endireitou-se e deparou-se com o rosto banhado em lágrimas e o olhar desolado de Maya. O calor que acabara de sentir em seu coração esfriou instantaneamente. Ele vestiu a camisa e, parado ao lado da cama, olhou para a Maya sem vida e sentiu uma pontada de dor:
— O futuro da família de Lucas está agora em suas mãos.
Que o chamassem de desprezível ou tirano; se isso servisse para manter Maya ao seu lado, ele não se importava com os xingamentos. Aquelas palavras fizeram Maya estremecer. Ela olhou bruscamente para Arthur e exigiu:
— O que você quer dizer com isso?
Arthur permaneceu impassível e apenas sorriu de leve:
— Você ficará aqui temporariamente sob a identidade de Sofia. Não pense mais em fugir.
Ele viu o rosto de Maya empalidecer e cerrou os punhos com força. Até encontrar a verdade por trás de tudo, aquela era a única forma que ele conhecia para protegê-la. Temendo encarar novamente aquele olhar de desprezo, Arthur retirou-se quase em fuga.
Maya ficou olhando para o vácuo, seus olhos encontrando a urna de cinzas sobre a mesa de cabeceira, com o coração em turbilhão. Pouco depois, a porta rangeu e Arthur entrou trazendo uma tigela de sopa de arroz quente.
— Maya, tome um pouco disso primeiro. Mandei prepararem os pratos que você gosta.
Ele sabia que, após perder o controle e tê-la tratado com tanta intensidade, o corpo dela deveria estar sofrendo. Ao pensar nisso, sua expressão suavizou-se. Ele esfriou uma colher da sopa e a levou aos lábios dela, dizendo docemente:
— Deixe-me te alimentar, Maya.
Do lado de fora da porta, Letícia ouvia Arthur repetir o nome de Maya repetidamente, e seu rosto tornava-se cada vez mais lívido de fúria.