O coração de Arthur batia cada vez mais rápido, como se fosse saltar do peito.
Ele respirou fundo, temendo que aquele batimento frenético e audível pudesse ser percebido por outros.
Maya sentiu subitamente o braço dele tensionar e perguntou de imediato:
— Eu te machuquei?
Arthur manteve o olhar frio e respondeu com a voz monótona:
— Não foi nada, obrigado pela ajuda.
A enfermeira terminou de aplicar o medicamento, refez o curativo e, após dar as instruções necessárias, retirou-se em silêncio.
Maya afastou-se lentamente, sentindo o corpo coberto por uma leve camada de suor frio.
O silêncio tomou conta do quarto, e nenhum dos dois voltou a falar.
Pouco depois, o secretário chegou. Maya o cumprimentou e preparou-se para sair. Ao vê-la se levantar, Arthur, em um impulso de ansiedade, disparou: — Eu quero comer fruta.
Maya parou e olhou para ele, encontrando o olhar límpido e penetrante do homem.
Ela hesitou por um segundo, os dedos mexendo-se inconscientemente, mas permaneceu em silêncio.
Ao ver que ela não partira imediatamente, Arthur sentiu um alívio interno; ele mesmo não entendia por que desejava tanto que ela ficasse.
O secretário, achando que o pedido era para ele, correu até a mesa de cabeceira e pegou uma maçã.
Maya, ao notar o desdém indisfarçável de Arthur pela maçã, deixou escapar:
— Pegue uma laranja.
Imediatamente, seu coração disparou.
Como esperado, Arthur paralisou por um segundo e, no instante seguinte, lançou-lhe um olhar carregado de investigação.
Arthur detestava maçãs; sua preferência sempre fora por laranjas agridoces. Ele sempre fora mestre em esconder suas emoções, e quase ninguém conhecia seus gostos pessoais.
Agora, sob a identidade de Sofia, Maya não sabia como explicar tamanha familiaridade.
Arthur fixou seus olhos profundos na mulher que torcia os dedos à sua frente e, movido por uma suspeita que crescia há dias, resolveu testá-la: — Senhorita Sofia, nós já nos conhecemos antes?
Maya estancou por um momento, mas logo respondeu com calma:
— Nosso primeiro encontro foi no Templo Zhaojue.
Arthur franziu a testa; a dúvida não diminuíra, mas antes que pudesse insistir, o celular de Maya tocou.
Era Lucas.
Ela disse a Arthur:
— Preciso ir. Descanse bem, Sr. Valente.
Ignorando o olhar inquisidor dele, ela deixou o quarto apressadamente.
No estacionamento do hospital, Lucas a recebeu com ansiedade, analisando-a de cima a baixo. — Ouvi dizer que você foi atacada ontem e caiu no mar. Você se feriu?
A ferida em sua cintura ainda doía bastante, mas Maya não queria preocupá-lo e fingiu naturalidade:
— Veja, estou aqui inteira, não estou?
O semblante de Lucas não relaxou.
Ele a encarou seriamente e perguntou baixo:
— Mesmo sendo tão perigoso, você pretende continuar com isso?
Com o movimento constante no estacionamento, ele não podia ser mais explícito. Maya cerrou os lábios, e seu sorriso desapareceu, dando lugar a um olhar gélido.
— Se fosse você, conseguiria esquecer o sofrimento da sua família e simplesmente seguir em frente?
Lucas percebeu que não conseguiria convencê-la a desistir e suspirou, questionando-se se fora correto ajudá-la a entrar na mansão Valente.
Após um momento, ele entregou a ela um frasco de pomada aquecido pelo calor de suas mãos. — Leve isso com você, ajuda muito na cicatrização.
Maya aceitou com um sorriso suave: — Obrigada, Lucas.
Após algumas recomendações finais, Lucas partiu, ainda visivelmente preocupado. Maya observou-o ir embora, com o olhar finalmente suavizado.
Enquanto isso, no quarto do hospital, o secretário entregava uma pasta a Arthur.
— Sr. Valente, a tia de Lucas realmente tem uma filha chamada Sofia. Aqui estão os dados da investigação particular para sua análise.