Maya paralisou por um instante, duvidando dos próprios ouvidos.
Arthur Valente estava chamando o nome dela?
E com tanta intimidade?
Ela parou e olhou para trás.
Viu Letícia segurando firmemente a mão de Arthur, dizendo com doçura:
— Letícia está aqui. Arthur, você quer água?
Maya ficou rígida e um sorriso autodepreciativo surgiu em seus lábios.
Após dois casamentos com Arthur, tudo o que recebeu dele foi frieza e distanciamento; como seria possível ouvir um apelido tão carinhoso como "Maya" vindo dele?
Certamente ouvira errado e confundira "Letícia" com seu próprio nome.
Balançando a cabeça levemente, Maya não se demorou e deixou o hospital.
Na cama do hospital, Arthur franziu as sobrancelhas, parecendo estar em sofrimento. Letícia limpou o suor de sua testa com uma toalha úmida e roçou a mão dele em seu próprio rosto, observando fixamente o perfil marcante do homem.
— Arthur, não culpe a Letícia... eu só te amo demais...
Nesse momento, as sobrancelhas de Arthur se contraíram ainda mais e seus lábios se moveram.
— O que houve, Arthur? Quer água? — Letícia aproximou-se para ouvir melhor.
Em seu estado semiconsciente, Arthur sentiu uma fragrância suave e, em seu subconsciente, pensou ser Maya Silva.
— Maya... não me deixe...
Desta vez, Letícia ouviu com clareza absoluta e seu rosto empalideceu instantaneamente. Por que? Por que o afeto de terem crescido juntos como amigos de infância não era páreo para uma Maya Silva que aparecera do nada?
Na manhã seguinte, durante o café da manhã, Maya soube pelo mordomo que Arthur havia acordado. Após hesitar por alguns momentos, ela decidiu ir ao hospital. Afinal, ele se ferira para salvá-la.
Ao chegar à porta do quarto, o médico acabara de examinar Arthur e saía do local. O olhar de Maya cruzou-se imediatamente com o de Arthur na cama, e ela hesitou por um segundo.
Em seguida, Maya entrou no quarto. Parando a alguns passos da cama, ela disse suavemente: — Obrigada por me salvar, Sr. Valente. Desejo-lhe uma rápida recuperação.
Os lábios de Arthur ainda estavam pálidos. Apoiado na cabeceira, ele respondeu calmamente: — Não foi nada.
No passado, ele não pudera proteger Maya; agora, proteger alguém que se parecia com ela trazia um pequeno alento ao seu coração há muito tempo sem vida.
Nesse momento, uma enfermeira entrou com medicamentos: — Sr. Valente, preciso trocar seu curativo.
A enfermeira removeu as gazes, revelando a ferida pavorosa. Maya olhou por um instante e sentiu uma pontada de dor no peito; seus pés, que estavam prestes a partir, fincaram-se no chão.
Após limpar a ferida com cuidado, a enfermeira começou a aplicar o pó antisséptico. Arthur contraiu o rosto de dor e teve um sobressalto involuntário, fazendo com que metade do pó caísse sobre o cobertor.
— Sr. Valente, por favor, não se mova. Preciso aplicar o remédio corretamente — disse a enfermeira, suando frio. Tratava-se do herdeiro da família Valente; qualquer erro poderia custar sua carreira. Ela olhou para Maya. — Por favor, senhora, poderia me ajudar a segurá-lo para que ele não se mova?
Maya ficou atônita, imóvel. Olhou para Arthur e sugeriu hesitando: — Talvez seja melhor eu chamar a Srta. Letícia.
— A Srta. Letícia foi ao Templo Zhaojue rezar pelo Sr. Valente e ainda não voltou — informou a enfermeira.
Arthur, com a mão sob o cobertor levemente trêmula, disse em tom baixo: — Apenas ajude com o remédio.
A enfermeira não ousou contestar Arthur e insistiu com Maya. Sem poder recusar, Maya baixou a cabeça e caminhou lentamente até a beira da cama, pressionando suavemente o braço de Arthur.
O contato entre as peles quentes fez ambos estremecerem. Maya manteve a cabeça baixa, fixando o olhar no lençol branco, enquanto o calor do contato em seu pulso subia gradualmente até suas orelhas.
Arthur também não olhou para ela, mas a pele onde ela o tocava parecia queimar, impedindo-o de manter a indiferença.
Pelo canto do olho, ele notou o queixo delicado da mulher, e seu coração disparou descontroladamente — aquela cena da mulher sentada à beira de sua cama com a cabeça baixa parecia algo que ele já vira antes.