— Alguém caiu na água! Salvem-na, rápido!
O cruzeiro mergulhou em um caos total. Guarda-costas que estavam ocultos surgiram de todos os cantos, lançando-se ao mar para o resgate.
Toda aquela agitação, porém, parecia não atingir Maya Silva. Ela estava paralisada, sentindo o corpo de Arthur Valente envolvido ao seu, com o olhar perdido em um turbilhão de emoções.
Momentos antes, ela fora atacada. Após soltar um grito e conseguir esquivar-se, um segundo homem sacou uma faca e avançou contra ela.
No instante em que a lâmina foi erguida para golpeá-la, um corpo quente lançou-se sobre o seu.
Era Arthur.
Naquele segundo, a ponta da faca rasgou o braço dele.
Logo em seguida, Maya foi empurrada lateralmente por outro agressor, caindo nas águas geladas.
Seus pedidos de socorro foram abafados pelo estrondo dos fogos de artifício que coloriam o céu.
Justo quando o desespero a consumia e ela acreditava que morreria silenciosamente no oceano, viu Arthur saltar desesperado em sua direção.
Aquele olhar determinado e o sangue dele tingindo a água do mar queimaram o coração dela.
Maya ainda tinha vívida na memória a cena de Arthur protegendo Letícia de um bule fervendo. Mas agora, ele estava ali, servindo de escudo para ela.
Após serem resgatados e levados à margem, ambos estavam ensopados. Funcionários trouxeram cobertores.
Maya, com a mente em desalinho, apertou a manta contra o corpo, enquanto Arthur, pálido como papel, levantava-se com dificuldade.
Pressionando o ferimento no braço, ele ordenou aos seguranças:
— Investigem isso imediatamente. Encontrem esses dois homens, custe o que custar.
Após dar a ordem, ele olhou involuntariamente para Maya, sentindo uma pontada de dúvida.
Se o alvo fossem ele, faria sentido — certamente uma disputa pela sucessão dos Valente. Mas por que tentariam matar uma mulher que acabara de retornar ao país? Além disso, a presença dela ali fora uma decisão de última hora.
Nesse momento, Letícia aproximou-se correndo, o rosto lívido, e segurou o braço dele soluçando: — Arthur! Você... você está ferido!
Ela estava pálida de terror, não apenas pelo ferimento de Arthur, mas por um pânico crescente.
Ela acreditara que Maya morreria sob a lâmina ou se afogaria silenciosamente, eliminando de vez aquele grande problema.
Contudo, jamais imaginou que Arthur soltaria sua mão para se lançar contra a faca e, logo depois, pularia no mar para salvá-la.
Ferir o herdeiro dos Valente era algo que a família jamais deixaria passar impunemente.
Letícia sentiu um aperto no peito e lançou um olhar maléfico para os dois suspeitos que haviam sido capturados. "Incompetentes", pensou ela; ao menos já tinha a família deles sob controle.
Após o ferimento ser tratado emergencialmente por um médico, Arthur endireitou o corpo, a testa franzida pela dor intensa.
— Vamos embora — disse ele em tom grave.
Ao entrar no carro, Maya não resistiu e olhou para trás por um instante. Ao ver a face pálida de Arthur, seu coração deu um salto desordenado.
Um pensamento incontrolável surgiu em sua mente:
Arthur Valente, você é capaz de arriscar a vida por uma mulher que mal conhece, então por que se recusa a poupar a mim e a minha família?
Maya mordeu o lábio, desviou o olhar e entrou no veículo. No meio do trajeto, Arthur desmaiou devido à febre e, por insistência de Letícia, o carro seguiu diretamente para o hospital particular dos Valente.
Maya voltou primeiro para a mansão, trocou de roupa e tomou um chá de gengibre, recuperando as forças aos poucos. Seus pensamentos, contudo, permaneciam fixos em Arthur.
Ela andou de um lado para o outro no quarto, preocupada com o estado dele. Por fim, vestiu um casaco e dirigiu-se ao hospital.
"Só vou ver se ele ainda está vivo, nada mais", dizia a si mesma, tentando justificar sua preocupação.
Ao chegar diante do quarto de Arthur, ela hesitou. Finalmente, abriu a porta com cuidado para espiar.
Arthur estava em um sono profundo, com o braço enfaixado e recebendo soro. Letícia velava ao lado da cama.
Maya recolheu os dedos da maçaneta e sorriu amargamente para si mesma.
Com Letícia cuidando dele, para que servia a sua visita?
Sentindo um vazio no peito, ela se virou para partir, mas ouviu a voz confusa e abafada de Arthur:
— Maya...