Tarde da noite. Arthur voltou de um compromisso e, assim que desceu do carro, viu alguém sentado na espreguiçadeira do jardim.
Seus passos pararam involuntariamente, com o olhar fixo naquela silhueta esguia de costas para ele.
Antigamente, Maya também adorava sentar-se ali à noite, aproveitando a brisa fresca enquanto observava em silêncio as rosas do jardim.
O espírito de Arthur ficou momentaneamente em transe e ele se aproximou sem perceber.
Aquela figura tranquila e indiferente assemelhava-se gradualmente à pessoa em sua memória, e a dúvida em seu coração tornou-se cada vez mais intensa.
No entanto, como o secretário ainda não havia confirmado a identidade dela, ele só pôde reprimir suas suspeitas.
Quando faltavam apenas alguns passos para alcançá-la, Arthur parou, desviou o olhar e estava prestes a se virar para sair quando um grito súbito ecoou em seus ouvidos.
Ele virou a cabeça rapidamente e viu a espreguiçadeira tombar de lado, com a silhueta caindo ao chão.
Sem tempo para pensar, o corpo de Arthur foi mais rápido que sua mente; ele correu e a envolveu em seus braços antes que ela atingisse o solo.
Maya, envolvida pelo abraço quente, congelou por um instante e imediatamente empurrou Arthur.
Pego de surpresa, Arthur caiu no chão. Maya ficou atordoada por um momento e disse, cheia de desculpas: — Sinto muito, Sr. Valente, não foi por mal.
Arthur levantou-se lentamente, sacudiu a poeira de suas roupas e disse com indiferença: — Não foi nada.
Em seguida, ele se aproximou, endireitou a espreguiçadeira e passou os dedos longos suavemente pelo apoio de braço, com um olhar de nostalgia nos olhos.
Maya recompôs-se diante do homem tão próximo, reprimindo com esforço o ódio que sentia.
Quando ela estava prestes a sair, ouviu a voz profunda de Arthur:
— Alguém, assim como você, gostava de sentar-se na espreguiçadeira à noite, olhando para o jardim perdida em pensamentos.
Maya ficou surpresa; ela nunca tinha visto Letícia no jardim tarde da noite. Ela apenas esboçou um sorriso leve, sem dizer nada.
Vendo que ela não respondia, Arthur perdeu o interesse em continuar a conversa.
Ele massageou as têmporas, talvez pelo excesso de bebida, e não soube por que sentiu vontade de falar sobre Maya para aquela mulher que mal conhecia.
Talvez fosse porque ela sempre o fazia lembrar-se de Maya.
Ao perceber que Arthur não falaria mais nada, Maya observou discretamente o aumento do número de câmeras de segurança no pátio.
Com as unhas cravadas nas palmas das mãos, ela lançou um olhar de ressentimento na direção de Arthur. Naquela situação, seria difícil demais causar algum "acidente" a ele.
— Sr. Valente, vou para o meu quarto descansar. Finalmente, Maya respirou fundo, baixou o olhar para esconder o ódio e retirou-se lentamente. Arthur observou seus passos se afastarem, com o olhar fixo nas rosas, sem olhar para trás.
Letícia, parada diante da janela, tinha o rosto gélido.
No momento em que Maya caiu, a reação instintiva de Arthur feriu profundamente seus olhos.
A empregada, vendo a frieza no rosto de Letícia, sussurrou:
— Srta. Letícia, muitas pessoas viram o Sr. Valente e a Srta. Sofia abraçados agora há pouco. Como o seu noivado ainda não foi anunciado oficialmente, não deixe essa "Sofia" roubar o seu lugar!
Observando Arthur parado lá embaixo, Letícia apertou o parapeito da janela com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, odiando Maya o suficiente para ranger os dentes.
Originalmente, ela planejava trazer Sofia para a mansão para eliminá-la, mas acabou criando um grande problema para si mesma.
Arthur continuava obcecado por Maya e, embora falasse em noivado, ainda não havia definido uma data.
Por causa disso, os empregados da mansão frequentemente faziam fofocas pelas costas e a olhavam com deboche.
Letícia baixou o olhar, com vários pensamentos passando por sua mente.
Ela precisava não apenas acelerar o fim de Sofia, mas também fazer com que Arthur anunciasse o noivado o quanto antes para evitar maiores complicações.