O veículo parou diante da mansão da família Valente.
Maya, ao descer do carro, deparou-se com Letícia radiante, acompanhada por um grupo de empregados que aguardavam no pátio.
Escondendo a frieza em seu olhar, ela sorriu levemente e cumprimentou:
— Irmã Letícia.
Letícia, com um sorriso acolhedor, enlaçou o braço de Maya com afeição e a conduziu para o interior.
— "Irmã Letícia" soa muito formal, chame-me de Letícia. Sinta-se à vontade aqui; se precisar de algo, é só me dizer — disse ela, em um tom que deixava claro quem era a dona da casa.
Maya esboçou um sorriso de desculpas e comentou:
— Sinto muito pelo meu comportamento inadequado no Templo Zhaojue da última vez; espero que não tenha guardado rancor.
— Claro que não, aquilo serviu justamente para nos dar a chance de nos conhecermos.
Letícia fez um sinal para que um empregado servisse o chá enquanto observava Maya minuciosamente.
Ciente de que não deveria ter pressa e que precisava planejar com cautela, ela iniciou uma conversa casual. Pouco depois, percebeu pelo canto do olho que Arthur estava descendo as escadas.
Aproveitando o ângulo que criava um ponto cego, um brilho astuto surgiu em seus olhos.
— Sofia, este é o chá agulha de prata; experimente.
Letícia entregou a xícara a Maya, mas, no momento da troca, fez sua mão tremer imperceptivelmente, derramando o chá escaldante sobre o próprio dorso da mão. Maya soltou uma exclamação de susto e segurou apressadamente a mão de Letícia para examinar:
— Letícia, você está bem?
Arthur aproximou-se e, ao ver a mão avermelhada de Letícia, franziu o cenho e disse:
— Chamem um médico para examiná-la.
Letícia contraiu o rosto, soltando um suspiro baixo de dor com uma expressão vulnerável, e balançou a cabeça levemente.
— Arthur, eu estou bem.
Em seguida, ela olhou rapidamente para Maya e explicou apressada:
— Sofia acabou de chegar e está um pouco nervosa, ela não fez por mal; Arthur, não a culpe, por favor.
A expressão de Arthur vacilou por um instante. Ele lançou um olhar para o perfil de Maya, que mantinha a cabeça baixa, e desviou o olhar rapidamente.
— Não culparei.
Dito isso, sem olhar novamente, ele atravessou o salão principal e saiu da mansão. Conhecendo o estilo de Arthur, Maya sabia que ele certamente sentira algum desagrado pelo ocorrido. Letícia observou as costas dele se afastarem com um leve sorriso vitorioso.
— Sofia, tome mais cuidado da próxima vez. Afinal, sou uma artista; não seria bom se você acabasse me causando uma queimadura grave.
Maya assentiu obedientemente, mas seu coração estava inquieto. O movimento de Letícia fora sutil, porém, pelo tom de voz e pelo brilho triunfante em seus olhos, era evidente que aquela mulher não era tão pura quanto aparentava. A doçura daquele sorriso escondia uma astúcia muito maior do que Maya imaginara.
Sentindo-se satisfeita por ter dado um aviso a Maya, Letícia a conduziu a um quarto de hóspedes distante dos aposentos de Arthur.
— Sofia, este é o quarto que mandei preparar especialmente para você; pode se instalar aqui.
Maya baixou o olhar para ocultar suas emoções e esboçou um sorriso leve:
— Agradeço pelo seu empenho, Letícia.
Letícia deu alguns passos, parou e olhou para trás com um sorriso suave:
— Sofia, tente não andar por aí à noite; o Sr. Valente detesta ser interrompido.
Sem esperar por uma resposta, ela se retirou com elegância. Enquanto isso, dentro de seu carro luxuoso, Arthur tamborilava os dedos sobre o colo de forma inconsciente.
Ele olhava pela janela enquanto as imagens de Maya Silva e Sofia passavam repetidamente por sua mente. As duas silhuetas pareciam se fundir. Após alguns segundos de reflexão, ele ordenou ao secretário no banco da frente:
— Investigue discretamente se o Lucas realmente tem uma irmã chamada Sofia.