Arthur Valente sempre foi conhecido por ser distante e indiferente com as mulheres, mas agora ele fixava o olhar nas costas daquela mulher que se afastava, sem conseguir desviar a atenção por um longo tempo.
Letícia, que havia se esforçado tanto para eliminar Maya Silva, via agora surgir outra mulher capaz de prender a atenção de Arthur.
Seria possível que todo o seu esforço estivesse prestes a ser em vão?
Para evitar qualquer imprevisto, ela decidiu que precisava se livrar daquela mulher o quanto antes.
Com esse pensamento, esboçou um sorriso doce, aproximou-se de Arthur com elegância e disse:
— Arthur, vamos voltar?
Arthur desviou o olhar, apenas assentiu e seu rosto rapidamente recuperou a expressão de frieza habitual.
Do lado de fora do templo.
Maya tentava acalmar as batidas frenéticas de seu coração enquanto entrava no carro. Lucas deixou o tablet de lado, entregou-lhe uma garrafa de água e disse calmamente:
— Já que você está decidida a se vingar, precisa manter a calma, ou ele acabará suspeitando de você mais cedo ou mais tarde.
A mão de Maya, que tremia levemente ao segurar a garrafa, estabilizou-se após ouvir as palavras de Lucas. Ela sabia que, se Arthur descobrisse que ela era Maya Silva, não apenas sua vingança estaria arruinada, como também poderia colocar toda a família de Lucas em perigo.
— Sim, eu entendo — respondeu ela.
Lucas sentiu um aperto no peito ao ver a determinação no olhar dela. O plano deles era simples: fazer com que Maya mudasse de aparência, assumisse uma nova identidade e se aproximasse de Arthur para vingar a família Silva.
Ele nunca quis que ela corresse esse risco e, honestamente, não desejava que ela voltasse a ver Arthur. No entanto, o desejo de vingança dela era tão forte que ele só pôde respeitar sua escolha.
— Maya, a segurança vem em primeiro lugar. Pense nos seus pais; eles gostariam de ver você bem e segura — lembrou Lucas.
Ele temia genuinamente que ela agisse por impulso e tentasse se vingar sem cautela, o que poderia custar a própria vida. Maya olhou para o semblante preocupado de Lucas e sorriu:
— Lucas, não se preocupe, eu sei o que estou fazendo.
Enquanto isso, Arthur saía do templo. Através do vidro do carro que subia lentamente, ele avistou Lucas e a mulher que acabara de encontrar.
Uma dúvida cruzou sua mente:
Com o Lucas?
Que coincidência. Ele manteve os olhos fixos no carro que se afastava até que este desaparecesse de vista. Então, virou-se para o secretário e ordenou:
— Prepare um presente generoso. Iremos à festa de aniversário do patriarca da família de Lucas daqui a duas semanas.
Letícia estacou, surpresa. Por causa de Maya, Arthur nunca gostou de Lucas e, consequentemente, da família dele, chegando a cortar parcerias comerciais. Por que, de repente, ele queria comparecer a esse evento? Ela logo pensou na mulher que estava no carro e entendeu tudo.
Arthur estava indo atrás daquela mulher! Seria possível que ele a visse como um substituta para Maya Silva? Letícia nunca permitiria que isso acontecesse. Assumindo um tom suave, ela disse:
— Arthur, estou um pouco cansada. Vamos para casa?
Arthur baixou o olhar, ocultando suas emoções, e respondeu secamente:
— Vamos.
Duas semanas depois, na mansão da família de Lucas.
Maya terminou de prender o cabelo e olhou para o próprio reflexo no espelho, vendo uma desconhecida.
Naqueles olhos que antes eram gentis e sorridentes, agora só havia dor e ódio. Arthur Valente era o responsável por tudo aquilo.
Nesse momento, uma empregada bateu à porta e anunciou respeitosamente:
— Senhorita "荷" (Hé/Sofia), o Senhor Valente e os outros chegaram.
— Entendido — respondeu Maya friamente.
Vestindo um elegante qipao cor de rosa, ela saiu calmamente do quarto.