Maya paralisou por um instante, levando a mão à cicatriz em seu rosto. Lentamente, um plano audacioso começou a se formar em sua mente.
Arthur Valente era agora o herdeiro oficial da família, sempre cercado por guarda-costas, o que tornava quase impossível para uma pessoa comum se aproximar dele.
Se ela quisesse se vingar, precisaria chegar ao lado dele e conquistar sua confiança.
Maya baixou o olhar, mergulhada em pensamentos por um longo tempo.
Quando ergueu os olhos, seu rosto transbordava determinação:
— Lucas, por favor, me apresente a esse médico.
Logo em seguida, uma sombra de preocupação cruzou seu olhar.
— Mas, fazendo isso, você acabará envolvido. Se no futuro...
Lucas hesitou por um segundo, então acariciou a cabeça dela com um sorriso suave:
— Eu te prometi quando éramos crianças que sempre te protegeria. Não se preocupe comigo.
Aquele sorriso era estranhamente parecido com o de Arthur! Maya sentiu um breve transe, mas logo apertou as palmas das mãos.
A dor aguda a trouxe de volta à realidade instantaneamente. Ela desviou o olhar e disse baixo: — Lucas, obrigada.
Lucas quis perguntar se ela não preferiria ir para o exterior com ele, para um lugar onde Arthur jamais a encontraria.
No entanto, ao vê-la sofrer tanto pelo destino de sua família, as palavras simplesmente não saíram.
Talvez permitir que ela seguisse com isso fosse o melhor a fazer.
Ele a observou em silêncio, com um pensamento latejando em sua mente:
Maya, por favor, não me faça arrepender desta decisão.
Mansão Valente.
Arthur estava sentado em uma espreguiçadeira no jardim, com o rosto pálido, acariciando suavemente o bracelete de jade quebrado.
Seu coração doía incessantemente enquanto memórias de Maya passavam por sua mente.
Ela amava as rosas do jardim e costumava colher flores com as próprias mãos.
O sol quente brilhando em seu sorriso suave fazia até as flores parecerem sem cor.
Naquela época, quando ele trabalhava no escritório e olhava pela janela, ver aquela cena tornava até o trabalho mais difícil menos exaustivo.
Agora, as rosas estavam em plena floração, mas ele jamais encontraria aquela silhueta novamente.
Arthur estendeu a mão para tocar as rosas vibrantes, levando a outra ao peito.
A dor era insuportável...
Passos leves soaram atrás dele. Arthur ergueu o olhar imediatamente, mas o brilho em seus olhos desapareceu ao ver quem era.
O que ele ainda estava esperando? A urna de cinzas e o bracelete quebrado em seu quarto não eram resposta suficiente? Maya havia partido para sempre...
Assim que esse pensamento cruzou sua mente, uma dor lancinante o atingiu, e um líquido quente transbordou incontrolavelmente de seus lábios.
Letícia, que se aproximava lentamente, mudou de expressão e correu em direção a ele gritando seu nome.
— Arthur! O médico disse que você ainda está muito fraco. Por que não está descansando no quarto?
Arthur evitou a mão dela, limpando o sangue com um lenço e respondendo friamente: — Não é nada. Só vim tomar um pouco de ar.
A mão de Letícia parou no ar e ela a recolheu lentamente. Ela olhou para as rosas e para o bracelete na mão dele, entendendo exatamente por que ele estava ali sentado no frio.
Seus dedos se apertaram com raiva. Aquela maldita da Maya! Mesmo morta, ela ainda conseguia ocupar toda a mente de Arthur?
Letícia forçou um olhar marejado:
— Arthur, embora eu e a Maya não tenhamos convivido muito, a partida repentina dela me dói muito. Não guarde mais rancor por ela ter me mandado para o exterior. Já faz um mês que ela se foi... deixe as cinzas dela descansarem em paz.
Ao ouvir as palavras "cinzas" e "descansar em paz", Arthur sentiu uma dor aguda percorrer cada centímetro de seu corpo. Era como se facas estivessem dilacerando sua carne e seus ossos.
— Puff!
Ele não conseguiu mais conter o gosto metálico na garganta. Após vomitar uma grande quantidade de sangue, Arthur desmaiou.