— Maya!
Arthur gritou o nome dela em um estado de pânico absoluto, sua voz carregada de desespero enquanto tentava avançar em direção às chamas como se sua própria vida não importasse.
O mordomo e os seguranças, empalidecendo diante da cena, uniram forças para contê-lo.
Com os olhos injetados de sangue e o rosto contorcido de agonia, ele rugiu:
— Saiam da frente! Maya, saia daí agora!
Os empregados, aterrorizados pelo estado frenético de Arthur, recuaram instintivamente. Letícia, que chegara às pressas, observou o sótão ser completamente consumido pelo fogo e um sorriso discreto surgiu em seus lábios.
Ao notar a aproximação de Arthur, ela rapidamente ocultou sua satisfação e sussurrou:
— Arthur, acalme-se... O patriarca chegou.
Arthur, como se não ouvisse nada, desferiu um soco em um dos seguranças que o impedia e correu em direção ao mar de fogo.
Letícia lançou um olhar significativo para trás; um dos seguranças avançou rapidamente e o nocauteou com um golpe preciso, arrastando-o para longe do incêndio.
Três dias depois, em uma mansão na cidade de H.
Maya despertou lentamente, sem saber ao certo onde estava. A luz brilhante entrava pela janela, emoldurando a silhueta alta de um homem que estava parado contra a claridade.
Com a visão ainda levemente turva, ela tentou erguer a mão com dificuldade, querendo se sentar.
Lucas, que vigiava ao lado dela, aproximou-se rapidamente para impedi-la: — Fique deitada, não se mexa!
Nesse momento, Maya sentiu algo estranho em seu rosto e a lembrança do momento em que foi engolida pelas chamas invadiu sua mente, junto com a imagem da expressão de horror e descrença de Arthur.
— Lucas, por que eu estou aqui? — A voz de Maya soou terrivelmente rouca enquanto ela olhava ao redor, tentando entender o ambiente.
— Eu estava por perto quando o incêndio começou e consegui tirar você de lá... Descanse e recupere-se aqui em paz.
Lucas olhou para o rosto de Maya, agora envolto em gazes, e disse com pesar: — Seu rosto e sua voz... pode levar um longo tempo para que se recuperem totalmente. Mas não se preocupe, nós vamos dar um jeito nisso!
Maya baixou o olhar por um instante. Ao erguê-lo, seus olhos estavam opacos, desprovidos de qualquer centelha de vida. — Lucas, você não deveria ter me salvado. Meus pais, eles...
Como se soubesse o que ela ia dizer, Lucas a interrompeu rapidamente: — Seus pais foram salvos. Você precisa viver; apenas viva para ter a chance de reencontrá-los.
Os olhos de Maya se arregalaram em choque. — O que você disse? — Ela perguntou, incrédula. — Você quer dizer que meus pais estão vivos? Eles realmente estão vivos?
Lucas apertou a mão dela e confirmou: — É verdade.
Um brilho de esperança surgiu nos olhos de Maya e ela esboçou um sorriso grato: — Obrigada, Lucas.
Uma sombra de desconforto passou pelo rosto de Lucas. Com a influência da família Valente, não havia muito que ele pudesse fazer pelos pais dela. Ele sabia que, embora a mãe de Maya tivesse sido salva, ela ainda estava sob o controle de Arthur, vigiada por uma nova equipe. O pai dela permanecia condenado à prisão perpétua, e o dia do reencontro da família Silva parecia um sonho distante.
Maya franziu a testa, tomada por uma nova preocupação: — Você me salvou... isso não vai ofender a família Valente? E onde estão meus pais agora?
Lucas sentiu um aperto no peito ao vê-la daquela forma. — Recupere suas forças primeiro. Falaremos sobre o resto quando você estiver melhor. — Receoso de que ela notasse algo errado, ele mudou de assunto com um sorriso suave: — Vou verificar se o seu remédio está pronto.
Maya assentiu levemente. Assim que Lucas saiu, ela desabou novamente. A dor a consumia como uma serpente gigante, espalhando-se lentamente de seu coração para todo o seu ser.
Pouco depois, Lucas voltou com uma tigela de remédio. Seus passos eram pesados, mas, mesmo quando ele chegou ao lado dela, Maya parecia não notar sua presença. Ao vê-la tão desolada, Lucas apertou a tigela com as mãos, sentindo uma pontada de dor. Eles haviam crescido juntos; ele sempre a conhecera radiante e sorridente. Jamais a vira tão quebrada.
Ele se aproximou, verificou a temperatura do remédio e o entregou a ela. — Beba isso primeiro.
Maya voltou a si e aceitou a tigela, bebendo o conteúdo rapidamente.
Lucas lhe entregou um doce para tirar o gosto amargo, tentando distraí-la:
— Quando você era pequena, odiava tomar remédio.
A mão de Maya tremeu violentamente ao segurar a tigela vazia.
Com o destino de sua família ainda incerto, onde ela encontraria alguém com quem pudesse ser vulnerável novamente?