Maya sentiu como se tivesse sido atingida por um raio; em um instante, todo o sangue fugiu de seu rosto. Um trovão estrondoso ressoou novamente e, num piscar de olhos, a chuva começou a cair torrencialmente.
Com os olhos nublados por lágrimas escaldantes, ela balançou a cabeça em negação, sussurrando para si mesma: — Não pode ser... ele tinha me prometido....
Será que as palavras de Arthur Valente naquele dia foram apenas mentiras para acalmá-la, um pretexto para que ela não causasse problemas?.
Maya lançou-se na chuva pesada e dirigiu desesperadamente em direção ao tribunal. De longe, avistou a viatura da polícia; lá estava seu pai, cercado por oficiais.
Na vida passada, seu pai fora condenado à morte. Os insultos de toda a internet contra ele deixaram sua mãe tão abalada que ela fora hospitalizada, entre a vida e a morte.
Naquela época, Arthur quebrou as pernas de Maya e a trancou na mansão Valente, impedindo-a de vê-los. Somente quando um incêndio repentino a consumiu, ela teve a chance de renascer.
Assim que estacionou, ela desceu do carro aos tropeços; estava com tanta pressa que chegou a cambalear.
Correu freneticamente, perdendo a conta de quantas vezes caiu, com apenas um pensamento em mente: precisava ser mais rápida. A dor física era insignificante comparada à agonia em seu coração.
Por que Arthur mentira para ela?
O que ela fizera de errado, afinal?.
Correu enquanto chorava, mas a cortina espessa de chuva abafava seus gritos.
Ela assistiu, impotente, seu pai ser levado, exatamente como na vida anterior.
Conforme o carro desaparecia de vista, as forças de Maya se esvaíram e ela desabou no chão, sem vida.
Neste último meio mês, ela viveu em constante ansiedade, repetindo a si mesma que deveria confiar em Arthur.
Mas sua pequena dose de confiança resultou apenas em uma vingança ainda mais cruel dele. Mesmo com uma segunda chance, ela não conseguira proteger a família Silva.
Passos apressados se aproximaram e Arthur surgiu, segurando um guarda-chuva. Maya estava caída na chuva, encharcada e com o olhar repleto de desespero.
A mão dele apertava o cabo do guarda-chuva com tanta força que as veias saltavam e os nós dos dedos estavam brancos.
Outro trovão cortou o céu.
Arthur agachou-se, cobriu Maya com o guarda-chuva e tentou levantá-la, dizendo baixo:
— Venha comigo, vamos voltar.
O corpo de Maya estremeceu e ela empurrou a mão dele com violência, gritando:
— Saia daqui! Você não tem o direito de fingir compaixão!.
O guarda-chuva de Arthur caiu no chão. Sua outra mão ficou suspensa no ar por um momento antes de ele recolhê-la lentamente para o lado do corpo. Maya agarrou o colarinho de Arthur, com os olhos vermelhos e transbordando um ódio avassalador.
— Arthur Valente! Amar você foi o maior erro da minha vida!.
Dito isso, ela desferiu um tapa violento no rosto dele. O rosto de Arthur virou com o impacto. Ao encontrar o ódio nos olhos de Maya, ele sentiu um choque profundo. Uma pontada de dor passou por seus olhos, desaparecendo num instante: — Você está instável agora, vou levar você para casa.
Maya agiu como se não o tivesse ouvido, caminhando sem rumo, sem olhar para trás. Sua família fora destruída; ela não tinha mais um lar para onde voltar. Vendo que ela tentava partir, ele avançou e a abraçou com força, ignorando seus chutes e socos, e a forçou a entrar no carro.
A partir daquele dia, Maya adoeceu gravemente. Arthur a manteve trancada na mansão Valente; um mês se passou num piscar de olhos. Maya permanecia sentada, apática, olhando fixamente pela janela como uma boneca sem alma. O que restava para ela agora? Parecia que não tinha mais nada.
De repente, sons de alegria vieram do andar de baixo. Maya olhou pela janela e viu uma empregada passar correndo, radiante, gritando animada: — Hoje é o aniversário da senhorita Letícia! O patrão está distribuindo bônus para todos, corram para pegar os seus!.