Maya ficou estática no lugar. Sua mente ficou completamente em branco e, embora houvesse barulho por todos os lados, era como se ela tivesse ficado surda; não conseguia ouvir uma palavra sequer.
Parecia que todo o ar ao seu redor havia sido drenado, tornando difícil até mesmo respirar. Ela golpeou o próprio peito com as mãos, ofegante.
Por que, mesmo tendo trazido Letícia de volta e proposto o divórcio a Arthur Valente, ela ainda não conseguia livrar a família Silva do destino da vida passada?
Por que essas tragédias estavam acontecendo ainda mais cedo?
— Pai, mãe... — ela murmurou, perdida. As memórias da vida anterior surgiram como uma maré alta. Maya caminhou passo a passo em direção ao portão principal da mansão Silva, como se estivesse em transe. Por que nada havia mudado? Ela já não havia cedido Arthur para Letícia?
Uma mão surgiu à sua frente, bloqueando seu caminho. Maya voltou a si e ouviu os comentários cruéis das mulheres que observavam a cena.
— Essa família Silva parecia ser composta por gente boa, mas no fim, o casal não vale nada! — Pois é, aquele Sr. Silva parecia tão elegante, mas quem diria que ele abusava das artistas da empresa! — Uma empresa que trata mal os funcionários e atrasa salários merece mesmo ir à falência! — Um lixo desses deveria ser condenado à morte!
Cada palavra atingia Maya como um golpe, fazendo seu corpo tremer de raiva.
Ela se virou, encarando com fúria aqueles que espalhavam os boatos e gritou:
— Vocês estão mentindo! Meus pais não são esse tipo de pessoa!
Uma das mulheres cuspiu no chão e retrucou:
— Ora, me poupe! Se até uma celebridade arriscou a própria reputação para denunciar seu pai, como poderia ser mentira? Se seus pais fossem inocentes, por que teriam sido levados para investigação?
Maya ficou sem palavras, querendo contra-atacar, mas sua voz baixa foi abafada pelo coro de acusações.
A multidão ficava cada vez mais agitada e, em meio ao caos, Maya quase foi agredida, sendo salva apenas pela intervenção dos oficiais.
Quando os curiosos se dispersaram, Maya ficou desolada diante do portão da mansão.
Ao longe, viu Arthur e Letícia se aproximando. Ela despertou do torpor e correu até ele, segurando a barra da roupa de Arthur e implorando: — Arthur, meu pai ele...
Antes que terminasse, Arthur franziu a testa com impaciência e lançou-lhe um olhar frio que a fez engolir o resto das palavras. Nesta vida, a atitude dele era idêntica à da vida passada.
Realmente, fora ele quem fizera tudo aquilo de novo! Maya sentiu como se uma bomba tivesse explodido em sua mente; o pouco que restava de esperança foi destruído.
Arthur semicerrou os olhos, encarando-a com firmeza, e disse em tom grave: — Volte. Não venha mais aqui.
Dito isso, ele desviou o olhar com indiferença e foi embora. Maya observou as costas dele se afastarem, apertando as mãos com força.
Ao olhar para a mansão da família Silva, sentiu uma dor que parecia perfurar seus ossos.
Ela hesitou no lugar por um longo tempo e começou a ligar para os acionistas do Grupo Silva e para os tios e conhecidos da família, um por um.
Assim que ela começava a falar, desligavam o telefone na cara dela. Quando tentava ligar de novo, as chamadas nem completavam.
Ela entendia bem o ditado de que "quando o muro cai, todos empurram", mas não podia desistir enquanto houvesse um fio de esperança.
Maya rangeu os dentes e decidiu visitar cada um pessoalmente em seus endereços.
Apenas um antigo amigo de seu pai, movido pela compaixão, lhe disse:
— Oficialmente, as evidências são contundentes. Mas todos conhecemos o caráter do seu pai; ele jamais faria algo assim. Você e Arthur Valente são casados, e a família Valente é poderosa. Se você implorar pela ajuda dele, talvez ainda haja uma chance de reverter a situação.
Os olhos frios de Arthur brilharam novamente na mente de Maya, e a luz de esperança em seu olhar se apagou instantaneamente.
Ela entendia a lógica, mas não sabia o que fazer para que ele poupasse a família Silva. Se Arthur estava descontando na família Silva por causa dela, então, para salvá-los, ela faria qualquer coisa sem hesitar!
Maya não sabia como conseguiu voltar para a mansão Valente.
Ela sentou-se no salão principal, apática, com o corpo tremendo sem parar. Depois de muito tempo, Arthur entrou no recinto.
Maya despertou do transe e, levantando seu corpo enfraquecido, lançou-se à frente dele, agarrando a barra de seu terno: — Arthur Valente, fui eu quem te forçou a casar, isso não tem nada a ver com a minha família. Se eu desaparecer, você pode poupar meus pais e a família Silva?
O pomo de adão de Arthur se moveu.
Ele a encarou por um longo tempo antes de dizer: — Se você ousar desaparecer da minha frente, aí sim a família Silva não terá salvação.
Maya ficou em choque.
Suas mãos soltaram a roupa dele e se fecharam em punhos, com as unhas cravando profundamente em suas palmas.
Naquele momento, sentiu um frio percorrer todo o seu corpo, fazendo-a tremer violentamente.
Arthur manteve os lábios cerrados e, após olhar apenas uma vez para os olhos inchados de Maya, sentiu um aperto sufocante no peito.
Ele cerrou os punhos e, sem dizer mais nada, virou-se para sair.
Ao chegar à porta, parou e disse sem olhar para trás: — O caso ainda está sob investigação. Se você quer salvar sua família, comporte-se e fique em casa nos próximos dias. Não saia.
Desde aquele dia, Maya permaneceu na mansão Valente. Pensar no que Arthur dissera trazia-lhe um estranho e vago conforto.
Certo dia, ao meio-dia, um trovão estrondoso vindo de fora a assustou.
Maya, que estava no escritório copiando sutras para pedir pela segurança de seus pais, levantou-se bruscamente com um pressentimento terrível; a caneta em sua mão caiu no chão.
Nesse momento, a porta do escritório foi aberta e Letícia apareceu no umbral.
— Maya, você precisa ser forte. A família Silva acabou. O Arthur comprou a empresa de vocês e me deu de presente de aniversário.