Maya sentiu a mão de Arthur Valente em seu queixo como se fosse um torno de ferro, deixando-a completamente imóvel. Ela lutou com todas as forças: — Solte-me!
Ao vê-la resistir desesperadamente — a ponto de atingir o ferimento dele sem hesitar apenas para ir atrás de Lucas —, uma fúria sombria explodiu no peito de Arthur. O sangue começou a manchar seu pijama de hospital, mas ele parecia não sentir dor; prendeu as mãos de Maya acima da cabeça dela e, num impulso violento, abriu o colarinho de sua blusa, beijando seu pescoço com força.
Maya paralisou por um instante antes de lutar ainda mais, mas era impossível escapar.
Lágrimas quentes transbordaram e sua voz saiu embargada: — Arthur Valente, o que eu sou para você, afinal?
Uma lágrima escaldante caiu sobre os dedos de Arthur. Ele estancou, como se tivesse se queimado, e retirou a mão bruscamente. Olhou para Maya soluçando baixinho e desviou o olhar rapidamente. — Desculpe — disse ele, levantando-se com os dedos trêmulos e uma expressão de contida agonia.
Ao ver Maya encolhida, abraçando os próprios braços como se temesse qualquer aproximação, Arthur sentiu um aperto sufocante no peito que mal o deixava respirar. — O Lucas é tão bom assim? — questionou ele.
O coração de Maya transbordou amargura.
Era Arthur quem amava Letícia, e ela quem estava abrindo mão de tudo para que fossem felizes, mas era ela quem acabava questionada e suspeita de infidelidade!
Ela ajustou o colarinho e baixou o olhar para esconder a tristeza: — O que há entre nós não tem nada a ver com o Lucas. Nós dois apenas... não funcionamos.
Vendo que ela ainda parecia protegê-lo, Arthur cerrou os punhos com tanta força que as veias saltaram. — Vá embora. Em breve, farei o que você deseja — disse ele, virando-se para a janela e ignorando a presença dela.
Maya arrumou suas roupas e limpou o rastro das lágrimas. O desgaste de duas vidas a deixara exausta; agora que Arthur concordara com o divórcio, sentia um súbito e imenso alívio.
Desde aquele dia, Maya não voltou ao hospital; não havia por que insistir em um casamento que estava no fim. Ela reencontrou Arthur tempos depois, em um parque de diversões.
Enquanto esperava na fila da roda-gigante com seu sobrinho, avistou Arthur e Letícia logo à frente. Ele segurava uma bebida enquanto Letícia, com um sorriso doce, encostava a cabeça em seu ombro.
Maya paralisou, o sorriso morrendo em seus lábios enquanto uma pontada atingia seu coração.
Ela um dia implorara para que ele a levasse ali, mas ele recusara, dizendo não ter interesse.
No fim, ele apenas não tinha interesse em ir com ela. Ela observou, imóvel, enquanto eles entravam na cabine e a roda começava a girar lentamente.
Não se lembrava de como voltou para casa.
À noite, deitada na cama, as imagens se misturavam em sua mente: Arthur sobre ela no hospital e Arthur beijando Letícia no topo da roda-gigante. Sem conseguir dormir, vestiu um casaco e desceu para o jardim.
No pátio, viu Arthur e Letícia descendo do carro; ela carregava uma caixa de presente. Ao vê-la, Letícia aproximou-se com falsa doçura: — Maya, amanhã é o festival de outono. O Arthur vai me acompanhar ao cemitério para visitar meus pais, então ele não poderá ir com você visitar sua família.
Letícia estendeu a caixa: — Isto é um presente que eu e o Arthur escolhemos especialmente para você.
Maya sentiu o fôlego faltar e olhou para Arthur. Ele permanecia indiferente, validando as palavras de Letícia com seu silêncio.
Para ele, o tom de "esposa" de Letícia era o natural. Permanecer ali só a tornaria mais patética.
— Não é necessário. Já preparei os presentes — respondeu Maya com a voz seca, contendo a dor. Ela deu as costas e voltou rapidamente para o quarto, sob o olhar indecifrável de Arthur.
No dia seguinte, ao descer do carro, Maya deparou-se com oficiais colocando selos de interdição na mansão da família Silva.
Curiosos apontavam e cochichavam: — Ficou sabendo? A família Silva faliu! O presidente do Grupo Silva foi preso!