As palavras do mordomo deixaram Maya profundamente surpresa.
Na vida passada, Arthur só fora confirmado como herdeiro da família Valente três anos depois; ela não esperava que isso acontecesse tão cedo desta vez.
Maya trocou de roupa e desceu as escadas.
O mordomo a recebeu com um sorriso radiante:
— Senhora, agora que o patrão se tornou o sucessor, a senhora será a grande matriarca da família!
O filho mais velho do patriarca Valente havia falecido, o segundo não tinha interesse nos negócios da família e o mais jovem vivia uma vida de libertinagem.
Entre os netos, Arthur, que fora reencontrado há pouco tempo, demonstrava um talento comercial notável.
Como herdeiro do vasto império dos Valente, o patriarca certamente o testaria com rigor. Ele nunca havia definido seu testamento oficialmente e, na superfície, não favorecia ninguém abertamente.
Agora, algum motivo desconhecido o forçara a apressar a escolha do sucessor.
Um sorriso amargo surgiu no rosto de Maya.
"Bons tempos?"
Na vida anterior, assim que Arthur fora confirmado como herdeiro, o que se seguiu foi uma vingança implacável contra a família Silva.
Arthur guardava rancor porque a mãe de Maya forçara a partida de Letícia e, por isso, agira contra eles assim que obteve o poder.
Felizmente, nesta vida, ela já havia trazido Letícia de volta antecipadamente. Se ela pedisse o divórcio por iniciativa própria e devolvesse o lugar de Senhora Valente para Letícia, talvez a família Silva pudesse escapar do desastre, certo?
As vozes que vinham de dentro do quarto do hospital eram agudas e dolorosas, fazendo Maya parar abruptamente na porta.
— Arthur, melhore logo. Eu estou tão preocupada com você — dizia Letícia.
Através da fresta da porta mal fechada, Maya viu Letícia segurando a mão de Arthur, encostando-a no próprio rosto com carinho.
Arthur permitia que ela segurasse sua mão, sem qualquer sinal de impaciência ou intenção de soltá-la. A mão de Maya na maçaneta esfriou instantaneamente; a frieza a fez recuar, cravando as unhas na palma da mão com força.
Aquela cena calorosa se tornaria desconfortável com a sua presença; entrar ali seria ser um estorvo.
Maya virou-se bruscamente, sem querer continuar se torturando. Assim que saiu do prédio do hospital, um trovão ressoou e o céu, antes limpo, foi coberto por nuvens negras enquanto uma chuva torrencial desabava.
Aquela cortina de chuva escura lembrava muito o dia em que ela se ajoelhou para implorar a Arthur na vida passada.
Suas roupas leves ficaram encharcadas em um instante. Com um olhar vago e sem vida, ela caminhou passo a passo em direção ao estacionamento.
O mordomo, ao ver o estado desolado de Maya, empalideceu de susto.
Ele correu para pegar uma toalha e um cobertor no carro, entregando-os com cuidado: — Senhora, seque-se rápido, por favor. Não queremos que pegue um resfriado.
Ao voltar para casa, Maya tomou a sopa de gengibre preparada pelo mordomo e ficou observando a noite escura pela janela.
Na vida anterior, não importava o que ela fizesse, estava sempre errada, e o resultado final era sempre a fúria de Arthur. Ele e Letícia se amavam; ela era apenas uma piada entre os dois.
Mesmo que não quisesse, desistir agora e divorciar-se de Arthur era a única saída para proteger sua família Silva...
Ela permaneceu sentada durante a noite inteira.
Na manhã seguinte, Maya soltou um longo suspiro, abriu o notebook e redigiu um acordo de divórcio.
Assim que terminou, o mordomo bateu à porta, dizendo que Arthur queria vê-la no hospital. — Tudo bem, eu vou agora mesmo — respondeu ela com a voz calma.
Sua mão apertava o papel do acordo; aquele toque real a lembrava a cada segundo que tudo entre ela e Arthur estava prestes a terminar.
No quarto do hospital, Arthur estava sozinho hoje.
Maya entrou, parou na porta e olhou fixamente para ele antes de se aproximar da cama, passo a passo.
Ao vê-la chegar perto, os lábios de Arthur se moveram levemente. Ele queria perguntar por que, mesmo estando doente, ela não viera visitá-lo por iniciativa própria.
Será que, aos olhos dela, ele era tão sem importância?
Mas, antes que pudesse falar, Maya lhe estendeu um documento: — Arthur Valente, este é o acordo de divórcio. Assine, por favor.