O beco estava mergulhado na escuridão. O agressor, sem hesitar, avançou com o tijolo em punho, golpeando a pessoa mais próxima.
Ao ouvirem o barulho, os três se viraram, mas no mesmo instante o tijolo voou diretamente na direção de Alana.
Antes que qualquer um pudesse reagir, Júlio surgiu de trás deles e envolveu a irmã em um abraço protetor.
No segundo seguinte, ouviu-se um estalo seco: o tijolo atingira em cheio a cabeça de Júlio.
O sangue jorrou da ferida em sua testa. Ao ver a cena, as pupilas de Alana se contraíram e a cor sumiu de seu rosto instantaneamente.
— Mano! — gritou ela.
A visão de Júlio escureceu. Ao ver que Alana estava ilesa, ele fechou os olhos e desmaiou. Luccas e Samuel finalmente reagiram; avançaram como flechas e imobilizaram o homem no chão.
Ao ligar a lanterna e iluminar o rosto do agressor, Samuel soltou uma exclamação de choque:
— É você! O marginal que me bateu no beco no ano passado!
Era o mesmo bandido que Luccas havia derrubado meses atrás. O criminoso, prensado contra o chão, lutava freneticamente, olhando para Samuel com olhos injetados de ódio.
— Samuel! Depois daquele dia, meus parceiros não pararam de rir de mim! Diziam que eu era um lixo e me chutaram do grupo! — gritava ele entre dentes. — Por que você está se dando tão bem, virando streamer e ganhando rios de dinheiro?! Eu não aceito isso! Eu vou te matar!
O homem debatia-se com tanta fúria que Luccas e Samuel mal conseguiam segurá-lo.
Enquanto isso, Alana, em pânico mas decidida, já ligava para a polícia e para a ambulância.
Nesse momento, um grupo de homens entrou correndo no beco. O líder, um brutamontes imenso, vinha xingando alto:
— Para onde aquele moleque fugiu?! Ousou roubar minhas coisas... hoje eu mato ele de tanto bater!
Um de seus capangas puxou sua manga e apontou para o chão. Ao ver Júlio ensanguentado nos braços de Alana, o brutamontes resmungou, irritado:
— Que azar! Isso que dá deixar de trabalhar para virar ladrão, o castigo veio rápido! Cafajeste!
Ao ouvir as palavras do homem, Alana entendeu tudo imediatamente. Ela enfiou a mão no bolso de Júlio e retirou uma carteira e dois celulares. Como ela temia, Júlio voltara a roubar.
Alana estendeu os objetos para o homem e disse, com a voz embargada de culpa:
— Desculpe, senhor. Estou devolvendo suas coisas. Por favor, não guarde rancor dele, veja o estado em que ele está.
O homem pegou os aparelhos e a carteira. Vendo Alana chorar copiosamente, ele amoleceu.
— Está bem, desta vez eu deixo passar. Mas se eu pegar esse moleque de novo, eu mesmo o entrego para a prisão.
Dito isso, o grupo se retirou. Pouco depois, as sirenes ecoaram e a polícia e a ambulância chegaram. Júlio foi colocado na maca e Alana subiu no veículo logo atrás. Luccas tentou acompanhá-la, mas Alana o impediu:
— Vá para a delegacia com o Samuel primeiro. Eu dou conta por aqui.
A porta da ambulância se fechou e o veículo partiu em disparada. Luccas e Samuel subiram na viatura policial. Após prestarem depoimento e explicarem todo o ocorrido, os policiais os liberaram, dizendo que entrariam em contato se necessário.
Ao saírem da delegacia, pegaram um táxi diretamente para o hospital. Quando chegaram, Júlio já estava no centro cirúrgico. Alana estava sentada no corredor, com os olhos fixos na porta da sala de emergência. Beatriz estava ao lado dela, tentando confortá-la.
Luccas aproximou-se e abraçou Alana com força.
— Vai ficar tudo bem, não se preocupe — sussurrou ele.
Ao ouvir a voz dele, Alana desabou em um choro soluçante.
— Luccas, eu estou com tanto medo. Ele é a única família que me resta. Se algo acontecer com o meu irmão, o que vai ser de mim?
Samuel, assistindo à cena, sentia-se consumido pela culpa. O ataque era para ele, mas Alana e Júlio acabaram pagando o preço.
Uma hora depois, a porta da sala de emergência se abriu. Todos se levantaram num salto e correram em direção ao médico. Alana segurou o braço dele, desesperada:
— Doutor, como está o meu irmão? Ele vai ficar bem?