Ao ouvir o conteúdo da chamada no celular, o coração de Luccas se apertou.
Na vida anterior, fora exatamente a partir desse período que Júlio começara a entrar e sair da delegacia com frequência.
Esse foi o motivo pelo qual Alana, por mais que trabalhasse duro, nunca conseguia economizar um centavo.
Alana desligou o telefone e olhou para Luccas, completamente perdida.
Sem dizer uma palavra, Luccas pegou os casacos e a levou imediatamente para a delegacia de polícia.
No caminho, Alana o olhava com ansiedade e culpa.
Ela ainda tinha um pouco de dinheiro guardado, mas não sabia se seria o suficiente para pagar a fiança de Júlio.
Luccas acabara de alugar o apartamento novo e comprar os equipamentos de live; com certeza ele também estava sem reservas.
Ela não queria sobrecarregá-lo, muito menos ser um fardo em sua vida.
Mas, por outro lado, Júlio era seu único irmão; ela não podia simplesmente abandoná-lo.
Ao notar a expressão angustiada de Alana, Luccas compreendeu instantaneamente o que se passava na cabeça dela.
Ele entrelaçou seus dedos nos dela e a confortou suavemente:
— Não pense demais. Não ache, nem por um segundo, que você é um fardo para mim. Nós vamos nos casar um dia, então o seu irmão é o meu irmão. Se ele está em apuros, eu jamais viraria as costas.
Ao ouvir as palavras de Luccas, uma onda de calor percorreu o coração de Alana. Ela teve a certeza de que não havia amado o homem errado.
Ao chegarem à delegacia, viram Júlio sentado no saguão.
Ele estava algemado, com a barba por fazer e as roupas completamente desalinhadas.
Luccas desviou o olhar e foi tratar dos trâmites da fiança com o oficial de plantão. Alana caminhou até Júlio, olhando-o com uma mistura de raiva e tristeza.
Júlio manteve a cabeça baixa, sem coragem de encarar a irmã. Após um silêncio pesado, Alana falou lentamente:
— Mano, para de roubar, por favor...
— Se você precisa de dinheiro, eu te dou. Eu já consigo ganhar o meu próprio sustento agora, nossa vida está melhorando. Você não precisa mais fazer isso.
Enquanto falava, a voz de Alana embargou.
Ao lembrar de tudo o que Júlio fizera para criá-la após a morte dos pais, as lágrimas inundaram seus olhos.
Ao ver a irmã chorar, Júlio finalmente levantou a cabeça e tentou consolá-la:
— Não chora, Alana... O mano vai te escutar. Eu prometo que não roubo mais.
Nesse momento, Luccas aproximou-se após finalizar a papelada. Ao ver Alana em lágrimas e Júlio tentando acalmá-la, ele soltou um longo suspiro interno.
Luccas sabia que, por mais sincero que Júlio parecesse agora, ele dificilmente mudaria. Se mudasse, o desfecho da vida anterior não teria sido tão trágico.
Um policial aproximou-se para soltar as algemas de Júlio e disse em tom de conselho:
— Júlio, já não existe ninguém nesta delegacia que não te conheça. Você ainda é jovem, por que não procura algo decente para fazer em vez disso?
— Sua irmã já veio te buscar inúmeras vezes. Se não for por você, faça por ela. Vá procurar um emprego honesto.
— Bom, é só isso. Já está tarde, vão para casa.
Dito isso, o policial se retirou. Luccas olhou para Júlio, que parecia desconfortável e inquieto diante dele, e sentiu uma pontada de exaustão. Ele enxugou as lágrimas de Alana e disse para o cunhado:
— Está muito tarde. Vá para o nosso apartamento por enquanto.
Sem dar chance para Júlio reagir ou recusar, Luccas segurou a mão de Alana e saiu. Júlio, sem alternativa, teve que segui-los.
Ao chegarem ao novo apartamento, Júlio ficou impressionado:
— Uma casa boa é outra coisa, né? Isso sim é lugar de gente morar.
Em seguida, ele olhou para Luccas e disparou:
— Quando vocês se casarem, a casa da minha irmã tem que ser ainda melhor que esta. Caso contrário, eu não dou minha bênção para ficarem juntos.
Alana apressou-se em interrompê-lo, constrangida:
— Mano, para com isso! Vá logo tomar um banho.
Ao notar o desagrado no rosto da irmã, Júlio calou-se e foi para o banheiro. Assim que a porta se fechou, Alana voltou-se para Luccas:
— Luccas, não ligue para as bobagens que meu irmão fala. Eu não preciso de uma casa luxuosa. Desde que eu esteja com você, qualquer lugar serve.
Luccas olhou nos olhos dela e disse com firmeza:
— Eu prometi que te daria um lar de verdade, e eu vou cumprir. Acredite em mim.