Luccas apressou o passo para alcançar Alana.
Ele tentou segurar sua mão, mas ela se esquivou rapidamente. Ele deu um passo à frente, bloqueando seu caminho, e disse:
— Alana, por favor, vamos conversar abertamente. Não vamos ficar nesse silêncio punitivo, isso só desgasta o que sentimos um pelo outro.
Ao ouvir isso, Alana parou e ficou encarando Luccas.
Na verdade, ela não estava genuinamente furiosa com ele; estava apenas magoada por ele não ter ficado do seu lado na frente do professor, e ainda estava processando esse sentimento.
— Eu não quero falar sobre isso agora. Só quero ficar sozinha um pouco.
Luccas percebeu pelo tom de voz dela que a raiva já estava passando, restando apenas um resto de mágoa.
Ele pegou a bolsa das mãos dela e disse suavemente:
— Tudo bem. Não vou te incomodar. Quando você estiver mais calma, a gente conversa.
Dito isso, ele abriu caminho para ela passar.
Alana não disse mais nada e seguiu direto para casa.
Luccas, fiel ao seu propósito, a seguiu de perto, sem se afastar um centímetro.
Como não tinham aulas à tarde, ambos voltaram para o apartamento alugado.
Assim que entraram, Alana foi direto para o quarto.
Luccas conteve o impulso de ir consolá-la imediatamente; em vez disso, deixou a bolsa de lado e foi para a cozinha preparar o almoço.
Quando terminou de cozinhar, abriu a porta do quarto e caminhou silenciosamente até Alana.
Ela estava deitada na cama, coberta até a cabeça, remoendo suas frustrações.
Luccas sentou-se na beirada da cama, puxou gentilmente o cobertor que escondia o rosto dela e disse com ternura:
— Alana, vamos comer, sim? Fiz aquele porco agridoce que você tanto gosta.
Alana havia saído cedo para o trabalho sem tomar café da manhã.
Depois de um turno inteiro e uma aula longa, ela já estava morrendo de fome no caminho de volta.
Agora, sentindo o aroma da comida invadindo o quarto, seu estômago deu um sinal de vida difícil de ignorar.
Luccas notou que ela engoliu em seco discretamente. Segurando o riso, ele apelou para o lado emocional:
— Faz esse favor para mim, vai? Para fazer esse prato, acabei me queimando com uns pingos de óleo quente na mão... ainda está ardendo bastante.
Mais uma vez, ele usou a tática do "golpe de misericórdia emocional", e Alana, como de costume, não resistiu.
Ela descobriu o rosto, levantou-se da cama e, antes de ir para a cozinha, buscou uma pomada para queimaduras e a jogou no colo de Luccas, dizendo com um tom severo fingido:
— Passa isso você mesmo. Eu vou comer.
Ela saiu do quarto em direção à sala de jantar.
Luccas olhou para a pomada em sua mão e sentiu um calor reconfortante no coração.
Alana era assim: por mais brava que estivesse, no momento em que ouvia que ele se machucara, deixava toda a irritação de lado para cuidar dele.
Luccas aplicou a pomada nos pontos vermelhos e inchados da mão e foi se juntar a ela.
Alana comia os pedaços de porco agridoce com satisfação, e sua irritação já havia evaporado quase por completo.
Vendo que ela estava gostando da comida, Luccas relaxou. Ele se sentou à mesa e serviu uma tigela de sopa para ela.
— Coma devagar. É tudo seu.
Enquanto falava, ele a observava com um olhar transbordando carinho.
Alana sentiu-se um pouco sem jeito sob aquele olhar intenso, colocou um pedaço de carne na tigela dele e murmurou, tentando disfarçar a timidez:
— Eu não consigo comer tudo isso sozinha.
Luccas desviou o olhar para não deixá-la mais encabulada e focou na própria refeição.
Após o almoço, ele insistiu em lavar a louça enquanto Alana se sentava no sofá para ver TV.
Embora seus olhos estivessem na tela, sua mente ainda repassava os eventos da manhã.
Depois de organizar a cozinha, Luccas sentou-se à frente de Alana.
Percebendo que ela estava perdida em pensamentos, desligou a televisão e olhou fixamente para ela com seriedade.
— Alana, precisamos conversar de verdade.
Ela voltou à realidade, encontrou o olhar solene de Luccas e assentiu. Ele então começou:
— Alana, por favor, pare com esses trabalhos extras. Não é apenas por causa da faculdade; o que mais me preocupa é a sua saúde. Você mal começou o primeiro ano e já está se esgotando desse jeito. Como vai ser daqui para frente?
— Eu sempre concordei com tudo o que você quis antes. Mas, desta vez, eu te peço: confia em mim e me escuta, está bem?