Ao retornarem ao quarto de hospital, encontraram a mãe de Luccas, que conversava com a sogra recém-despertada.
Beatriz notou as marmitas sobre a mesa e soube na hora que a mãe de Luccas as tinha preparado em casa.
Ela olhou para a senhora com gratidão, mas antes que pudesse agradecer, foi puxada pela mãe dele para se sentar à mesa.
— Que bom que vocês voltaram. Venham comer logo antes que a comida esfrie.
Assim que se sentaram, o celular de Luccas tocou. Era uma mensagem de Samuel.
"Luccas, a equipe tem uma transmissão ao vivo na semana que vem. Você vai precisar voltar um pouco antes para se preparar."
"Entendido", respondeu Luccas.
Ele guardou o celular e disse a Beatriz:
— A equipe tem uma live na semana que vem. Vou precisar ir na frente. Se acontecer qualquer coisa, me ligue imediatamente.
Beatriz assentiu.
— Pode ir trabalhar, Luccas. Ficaremos bem aqui.
Dito isso, Luccas despediu-se e saiu do hospital. Nos dias seguintes, ele viveu em uma rotina exaustiva, dividindo-se entre o hospital e o centro de treinamento. Surpreendentemente, a saúde da mãe de Beatriz começou a apresentar melhoras diárias, e seu quadro tornou-se cada vez mais estável. Beatriz finalmente começou a se tranquilizar, e a expressão de angústia em seu rosto se dissipou um pouco.
Certo dia, logo após terminar o treino, Luccas sentou-se e começou a pesquisar passagens aéreas no celular. Samuel, passando por ali, viu a tela e perguntou confuso:
— Luccas, você vai viajar para a Cidade de Gelo? Mas não tem muito o que fazer lá nesta época, não acha? Por que não vamos todos juntos no inverno?
Luccas explicou brevemente:
— Não é turismo. Tenho assuntos a resolver. Pare de perguntar e vá treinar.
Ele guardou o celular, colocou os fones de ouvido e retomou o treinamento.
Ao fim da sessão, Luccas dirigiu até a funerária. Ele foi até o local onde as urnas estavam depositadas temporariamente e, ao ver as duas urnas lado a lado, uma tristeza profunda o envolveu. Olhando para a urna de Alana, ele sussurrou:
— Alana, espere só mais um pouco. Vou te levar para casa agora mesmo.
Luccas permaneceu na funerária por algum tempo antes de partir para o hospital. Quando chegou, a sogra já estava dormindo. Ele e Beatriz sentaram-se no banco do corredor para conversar. Notando as olheiras profundas sob os olhos de Luccas, ela perguntou preocupada:
— Luccas, você tem passado as noites em claro de novo? Não precisa mais ficar vindo para cá o tempo todo. Descanse em casa após os treinos; se algo acontecer, eu te ligo.
Luccas massageou as têmporas e tentou confortá-la:
— Tudo bem. Quando a transmissão ao vivo acabar, as coisas vão acalmar. Não se preocupe.
Na verdade, ele não conseguia dormir. Toda vez que fechava os olhos, a imagem de Alana preenchia sua mente. As lembranças do apartamento alugado, do reencontro oito anos depois... cada detalhe dela estava gravado em sua alma. Ele vivia em um estado de arrependimento constante; pensava que, se tivesse se importado um pouco mais com Alana na época, o desfecho não teria sido tão trágico.
Desde que soubera a verdade sobre Alana, Luccas não conseguia comer nem dormir direito, tendo perdido muito peso. Beatriz, vendo seu estado de exaustão, insistiu para que ele fosse para casa descansar.
— Luccas, vá logo. Não precisa vir nos próximos dias se não houver nada urgente. Minha sogra e a enfermeira estão aqui comigo. Foque no seu trabalho primeiro.
Beatriz insistiu tanto que acabou empurrando Luccas em direção à saída. Ele não teve escolha senão aceitar.
— Está bem. Assim que a live terminar, eu volto.
Dois dias depois, a transmissão ao vivo chegou ao fim. Assim que Luccas entrou nos bastidores, recebeu uma ligação de Beatriz.
— Luccas... minha mãe se foi.