Luccas abriu a caixa e a primeira coisa que viu foi uma foto dele com Alana. Era o primeiro registro dos dois, logo no início do namoro.
Ao observar o sorriso radiante de Alana na imagem, um sentimento de amargura inundou seu coração.
Naquela época, eles transbordavam planos e esperanças para o futuro; jamais poderiam imaginar a peça cruel que o destino lhes pregaria.
Os dedos de Luccas acariciaram a foto suavemente, enquanto as lembranças do início do relacionamento vinham à tona.
Embora não tivessem dinheiro, eles eram felizes e trabalhavam arduamente por uma vida melhor. Tudo ruiu quando a doença de Alana surgiu, estilhaçando a paz e levando-os ao ponto final.
Pensando nisso, Luccas lembrou-se do diário que ainda não terminara de ler. Ele deixou a foto de lado e pegou o caderno novamente.
·
"8 de junho de 2024".
·
"Hoje meu irmão se foi. Ele me deixou sozinha para ir encontrar o papai e a mamãe".
·
"Não entendo por que, no momento em que vi o corpo dele, não senti nenhuma tristeza".
·
"Não derramei uma única lágrima até o fim da cremação do Júlio. Mas, ao voltar para casa...".
·
"Ao entrar neste apartamento alugado minúsculo e ver a carta de despedida dele e a urna sobre a mesa, eu não consegui mais me segurar".
·
"Passei tantos anos limpando a bagunça do Júlio. Embora reclamasse dele, eu nunca o odiei, pois sem o sacrifício dele, eu provavelmente já estaria morta".
·
"Meu corpo dói e coça muito; a doença piorou. O Júlio se foi, eu realmente não tenho mais um lar. O que eu vou fazer?".
...
·
"11 de junho de 2024".
·
"Amanhã o Luccas vai se casar. Ele finalmente encontrou alguém para caminhar ao lado dele pelo resto da vida".
·
"Sinto tanta inveja da Beatriz. Inveja por ela poder se casar com o homem com quem eu sempre sonhei em casar".
·
"Eu queria desejar que ele fosse feliz, mas não consigo. Admito que sou egoísta; ver o Luccas com outra pessoa faz meu coração sangrar".
·
"Perdi meu emprego, perdi minha família. Depois de testemunhar a felicidade dele amanhã, não terei mais nada que me prenda a este mundo...".
Luccas sentiu pontadas agudas no peito ao ler aquelas palavras.
Ele começou a compreender Alana: a perda do único parente, a demissão injusta e o amor de sua vida partindo para a felicidade com outra pessoa.
Ela estava completamente sozinha.
Luccas soltou o diário e voltou-se para a caixa de ferro. Conforme retirava os objetos, memórias há muito enterradas despertavam.
Havia as cartas de amor que ele escrevera para ela; a pulseira que dera logo no início; e até um enfeite de cabelo artesanal que comprara em uma barraca de rua durante uma viagem...
Alana guardara cada item com um cuidado meticuloso.
Aquela caixa de ferro carregava todo o doce passado dos dois.
Luccas permaneceu ali, sentado no chão, revendo cada lembrança deixada por Alana até o amanhecer.
Somente quando o primeiro raio de sol tocou seu rosto é que ele voltou à realidade.
Massageando as têmporas cansadas, ele se levantou para se lavar, mas o celular tocou. Era Samuel, o vice-capitão da equipe.
— Luccas, a Beatriz está com você? — Samuel perguntou apressadamente.
— Surgiram convites para novas parcerias, mas as empresas dizem que não conseguem contato com ela.
Luccas lembrou-se de Beatriz no hospital e respondeu:
— Procurem um empresário substituto por enquanto. Ela não irá à empresa nos próximos dias.
Samuel entendeu imediatamente.
Como tinha uma boa relação com Beatriz, ele sabia sobre o estado de saúde da mãe dela.
Ao ouvir Luccas, deduziu que a situação havia piorado e, discretamente, não fez mais perguntas, desligando após confirmar as instruções.
Luccas lavou o rosto no banheiro e dirigiu em direção ao hospital.
Como não havia campeonatos importantes no momento, ele pedira alguns dias de licença à equipe, o que lhe daria tempo para cuidar dos trâmites finais de Alana.
Ele comprou café da manhã para Beatriz e a sogra antes de chegar ao quarto.
Quando entrou, a mãe de Beatriz já estava acordada, e a filha massageava seu rosto e braços.
Luccas deixou a comida de lado e assumiu o lugar de Beatriz na massagem.
Ao terminar, a paciente recostou-se na cabeceira, olhando para os dois com gratidão.
— Luccas, sinto muito pelo incômodo de fazer você vir aqui tantas vezes.
Luccas deu um sorriso confortante.
— Não é incômodo nenhum, é o meu dever. Vamos comer primeiro, antes que a comida esfrie.