A cidade era muito pequena, com apenas algumas ruas principais.
O café "Aurora Boreal" ficava ao lado da praça central da cidade.
A fachada não era grande, exalando uma atmosfera rústica e acolhedora. Ao abrir a porta, o ar quente misturado ao aroma de café os atingiu.
O dono era um idoso local, de cabelos brancos e fisionomia gentil. Ao ver dois homens de aparência distinta, claramente orientais, entrando apressadamente, o senhor ficou um pouco surpreso.
Arthur, ignorando as formalidades, usou um inglês rudimentar misturado com gestos e perguntou ansiosamente: "Uma mulher oriental que toca piano trabalhou aqui? Chamada Summer?"
O idoso entendeu, assentiu com a cabeça e depois a balançou negativamente.
"Sim, Summer. Ela trabalhou aqui por cerca de dois meses. Uma garota muito quieta, tocava piano muito bem, os clientes gostavam muito."
O inglês do senhor tinha um sotaque carregado e ele falava devagar.
"Mas ela era sempre muito cautelosa, parecia... ter muito medo das pessoas. Especialmente de homens."
O coração de Arthur deu um solavanco doloroso. O rosto de Bernardo também empalideceu ainda mais.
"Para onde ela foi?", Arthur insistiu, com a voz tensa.
O senhor suspirou:
"Partiu há três dias. Foi muito repentino. Havia um homem, provavelmente um turista, que parecia muito interessado nela e a importunou algumas vezes. Mandou flores, convidou-a para beber... Summer ficou muito descontente e recusou explicitamente. Mas o homem não desistiu. No dia seguinte, Summer veio se demitir, recebeu o salário e partiu rapidamente."
"Como era esse homem? Ele disse para onde iria persegui-la?", Bernardo perguntou apressadamente.
O idoso pensou um pouco e balançou a cabeça: "Era apenas um turista comum, com rosto oriental, cerca de trinta ou quarenta anos, nada especial. Summer não o mencionou. Ela apenas disse que queria mudar de lugar, que aqui era frio demais."
Frio demais.
Arthur olhou ao redor daquela pequena cidade coberta de gelo e neve. Sim, frio demais. Exatamente como o coração dela quando partiu.
A pista foi interrompida novamente. Como uma fumaça impossível de agarrar, que se dissipa no vento frio assim que começa a ganhar forma.
Arthur não desistiu. Ele pagou um preço alto pelas gravações das câmeras de segurança do lado de fora do café, obteve as imagens dos principais cruzamentos da cidade e até enviou pessoas para interrogar cada morador local. No entanto, aquela mulher oriental chamada "Summer" parecia nunca ter existido, desaparecendo de forma absoluta.
Ela usava apenas dinheiro vivo. Não deixou nenhum meio de contato. Não utilizou nenhum transporte que exigisse registro de nome real. Ela era como um pássaro assustado: ao perceber o menor sinal de perigo, batia as asas e voava para longe, sem deixar rastros.
Arthur e Bernardo ficaram na cidade por três dias. Durante esses três dias, percorreram cada rua, cada pousada e cada canto onde ela pudesse ter deixado um vestígio. Não encontraram nada.
Por fim, pararam na esquina onde ela costumava tocar piano. O abrigo já havia sido desmontado e o piano desaparecera. Havia apenas a neve acumulada no chão, enlameada pelos passos. O vento gélido uivava, levantando flocos de neve que batiam no rosto com um frio cortante.
Arthur olhou para a esquina vazia, como se ainda pudesse ouvir aquela melancólica "Étude Op. 10, No. 3" flutuando no vento. Aquela foi a última música de despedida que ela deixou para aquela cidade e também para ele.
"Ela esteve bem aqui...", a voz de Bernardo soou seca, carregada de uma frustração inacreditável. "Estivemos... tão perto dela."
Apenas três dias de diferença. Talvez, apenas algumas horas. O destino, como uma mão cruel, empurrou-a para longe mais uma vez no momento em que eles estavam prestes a tocá-la.
Arthur não disse nada. Apenas ficou ali, olhando para o vazio, permitindo que a neve cobrisse seus ombros. No lugar onde ficava o coração, sentia ondas de uma dor surda e oca. Desta vez, nem mesmo aquele som fraco do piano podia ser ouvido.
A breve interrupção da pista não fez a busca parar. Pelo contrário, a descoberta na cidade de Sostra foi como uma injeção de ânimo, reacendendo a esperança nos quase desesperados Arthur e Bernardo. Ela realmente estava viva. E em algum canto do mundo.
Desta vez, eles moveram forças ainda mais ocultas e colossais.
Três meses depois, uma nova pista surgiu de uma cidade ainda mais remota no país vizinho, perto da fronteira.
Havia informações de que uma mulher oriental compatível com as características físicas de "Summer" ficara hospedada em uma pequena pousada local por uma semana; pagou em dinheiro, andava sempre sozinha e mal saía do quarto.
Quando Arthur recebeu a notícia, estava no meio de uma reunião de diretoria crucial.
Ele levantou-se abruptamente, interrompendo o diretor que falava, e, sob os olhares atônitos de todos, soltou um "reunião suspensa" e saiu apressadamente da sala. Ele nem sequer esperou por Bernardo.