A cerimônia de casamento havia terminado, e o brinde com os convidados estava em curso. Enquanto Luccas propunha um brinde, ele recebeu uma ligação da delegacia.
— Olá, o senhor é o companheiro da senhorita Alana?
Ao ouvir aquilo, Luccas franziu o cenho. Companheiro? Antes que ele pudesse dizer algo, a voz do outro lado continuou.
— Por favor, compareça imediatamente ao Hospital Central.
Luccas não entendia o motivo, mas, por alguma razão, uma forte inquietação brotou em seu coração. Ele se virou para Beatriz, que estava brindando ao seu lado, e sussurrou:
— Espere um momento, preciso ir ao hospital agora.
Beatriz não sabia o que havia sido dito ao telefone, mas, ao ver a ansiedade e a tensão no semblante de Luccas, ela apenas assentiu.
— Vá. Volte logo.
Dito isso, Luccas saiu do local do casamento e dirigiu até o Hospital Central. Ao chegar, os policiais o conduziram diretamente ao necrotério.
— Por favor, Sr. Luccas, venha nos ajudar a identificar um corpo.
O médico legista abriu o saco mortuário. Luccas olhou, mas era impossível reconhecer quem estava ali. Após um silêncio, ele disse franzindo a testa:
— Eu não conheço essa pessoa.
O policial, então, estendeu o celular de Alana para Luccas.
— Encontramos este aparelho no local onde ela caiu. Conseguimos desbloqueá-lo e, na lista de contatos, o nome do senhor estava salvo pela senhorita Alana como "Amor da Minha Vida". Foi por isso que entramos em contato.
Luccas pegou o celular e viu a etiqueta salva em seu número. Naquele instante, seu pressentimento sombrio cresceu, mas ele insistiu em dizer:
— Vocês devem estar enganados. Alana partiu para a metrópole.
O legista, então, pegou um colar e um relógio que estavam ao lado.
— Dê uma olhada nisto. Foram encontrados no local. O senhor reconhece como sendo pertences da senhorita Alana?
Luccas olhou para as joias nas mãos do legista e sentiu que eram familiares. De repente, ele se lembrou: foram as primeiras coisas que ele comprou para Alana com o dinheiro que ganhou trabalhando como jogador de aluguel. Ele ainda se lembrava da reação dela ao receber o presente. Alana ficou radiante e não parava de admirá-los. Depois, ela o repreendeu por gastar dinheiro, sabendo o quanto ele se esforçava para ganhar cada centavo. Aquela foi a primeira e única vez que ele deu algo tão caro para ela.
Ao ver as palavras que ele mesmo havia gravado no colar, o coração de Luccas despencou. As imagens em sua mente se fundiram com o colar e o relógio diante de seus olhos. Ele sentiu uma tontura, e sua visão escureceu. Um policial apressou-se em ampará-lo.
— Sr. Luccas, o senhor reconhece? São pertences da senhorita Alana?
Os olhos de Luccas ficaram cada vez mais vermelhos, e sua garganta se apertou. Após um longo tempo, ele finalmente conseguiu pronunciar uma palavra:
— Sim.
Ao ouvirem a confirmação, os policiais assentiram e o conduziram para fora do necrotério.
— Agradecemos sua cooperação. Já entendemos a situação, o senhor pode ir agora.
O policial pegou de volta o celular de Alana e acompanhou Luccas até a saída do hospital. Luccas saiu e sentou-se no carro, sua mente voltando repetidamente ao colar nas mãos do legista. Embora tivesse reconhecido o presente que dera a Alana, ele ainda se recusava a acreditar na realidade. Ela não tinha deixado a cidade? Como poderia...
Nesse momento, o som de uma notificação o trouxe de volta.
— Luccas! Olhe agora o perfil oficial do jogo no Weibo! — gritou Samuel, o vice-capitão da equipe, do outro lado da linha.
Luccas desligou e abriu a rede social. No perfil oficial do jogo "Espionagem", a postagem mais recente era justamente aquela que Alana havia enviado por engano antes de morrer.