localização atual: Novela Mágica Moderno A Noiva Fantasma do Campeão Capítulo 5: O Preço da Dignidade

《A Noiva Fantasma do Campeão》Capítulo 5: O Preço da Dignidade

PUBLICIDADE

Um silêncio mortal se instalou no ar. Fiquei ali parada, morta de vergonha, e levei um tempo para conseguir reagir.

— Minha casa nova está em reforma e ainda cheira a tinta forte, então estou ficando aqui temporariamente — inventei.

Luccas não disse nada ao ouvir minha resposta, apenas continuou me encarando fixamente. Senti como se ele pudesse ler minha alma e, para quebrar o gelo, perguntei por cortesia:

— Quer entrar um pouco?

Para minha surpresa, ele não recusou e me acompanhou para dentro. O apartamento não tinha mudado quase nada em oito anos, exceto pela mesa de computador que ele costumava usar, onde agora repousava o meu laptop.

Os chinelos de casal na sala tinham sido substituídos por um único par feminino; os dois travesseiros na cama agora eram apenas um; e, no banheiro, o conjunto de copos para escova de dentes se tornara solitário... Oito anos haviam se passado, e eu nem sequer percebia mais essas mudanças, mas, ao ir até a cozinha buscar água para Luccas, minhas mãos tremiam de puro nervosismo.

Comparado à minha agitação, Luccas estava estranhamente calmo. Ele olhou ao redor e perguntou:

— Onde está seu namorado?

Minha mão estancou ao entregar o copo a ele. Então, respondi:

— Ele está viajando a trabalho.

Sentei-me na cadeira à frente dele, com a mentira saindo naturalmente da minha boca. Luccas pareceu acreditar, mas comentou:

— Seu namorado não parece grande coisa. Mesmo sendo temporário, ele não deveria deixar você morando em um lugar assim, não acha?

Não sei por que, mas naquele momento não consegui me segurar e retruquei:

— Morei aqui com você por três anos, não morei?

Luccas emudeceu. Seus olhos eram como poços profundos e indecifráveis. Após um longo silêncio, ele perguntou de novo:

— Desde que terminamos, você esteve o tempo todo com ele?

Apertei minhas mãos sobre as pernas, enterrando as unhas na palma da mão, enquanto forçava uma expressão indiferente.

— Não. Antes dele, saí com outros homens. Conheci o atual apenas no ano passado.

Ao dizer isso, não tive coragem de olhar nos olhos dele. O ar ao redor parecia ter congelado. Passado um tempo, Luccas soltou três palavras curtas:

— Você é suja.

Aquelas palavras perfuraram meu peito como estacas. Mas eu apenas sorri e disse, pausadamente:

— Na sociedade de hoje, seria burrice ter apenas um homem.

Depois, devolvi a pergunta:

— Ou será que, nesses oito anos longe de mim, você teve apenas a Beatriz? Se sim, que desperdício.

Luccas não respondeu. Antes de se levantar para sair, ele apenas disse:

— Não esqueça de me pagar o que deve.

Depois que ele partiu, a casa ficou em um silêncio assustador. Algum tempo depois, o telefone tocou; era a Sra. Li, do site de namoro.

— Alana, aquele pretendente que mencionei tem tempo amanhã. Quer conhecê-lo?

— Quero — aceitei.

Marcamos o encontro para depois do expediente. No dia seguinte, o trabalho seguiu como de costume. A atitude de Luccas para comigo era fria; não tínhamos nada além de comunicações profissionais. Éramos como estranhos que se conheciam bem demais.

PUBLICIDADE

Finalmente, o trabalho acabou e fui ao café perto da empresa conforme o combinado. Meu pretendente desta vez se chamava Henrique. A Sra. Li disse que ele era bonito e tinha estudado no exterior. Ao chegar, vi um homem jovem e elegante em um terno impecável, o que me fez questionar : por que um homem de tal perfil estaria em um encontro às cegas?

Assim que me sentei, antes mesmo que eu pudesse me apresentar, Henrique disparou:

— Senhorita Alana, para ser sincero, eu sou casado.

Fiquei atônita. Antes que eu pudesse processar, ele continuou:

— Saí hoje apenas em busca de emoção. A Sra. Li me disse que você está precisando de dinheiro. Que tal se você passar uma noite comigo? Eu te dou mil reais.

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Demorei a entender a proposta e perguntei:

— Você acha que eu sou acompanhante?

Henrique apenas sorriu com indiferença.

— As mulheres hoje em dia não são todas assim? Você também busca casar por dinheiro, não é? Estou te oferecendo agora; não seria bom se cada um conseguisse o que quer?

Senti um nó na garganta. No escritório, meu chefe dizia que uma mulher de 30 anos sem marido ou filhos não era normal. Nos encontros, os homens diziam que as mulheres só queriam dinheiro! Eu não entendia por que as mulheres precisavam ser sempre rotuladas. O que eu deveria fazer para ser considerada "certa"?

Talvez interpretando meu silêncio, Henrique insistiu:

— Acha pouco? Posso aumentar mais 500. Mil e quinhentos dá para pagar uma profissional de luxo. Está bom agora?

A raiva que eu estava guardando explodiu. Peguei o café sobre a mesa e joguei diretamente no rosto dele, gritando furiosa:

— Por que você acha que eu dormiria com você por mais 500 reais?

— Se quer sexo fácil, procure em outro lugar! Não use a desculpa de um encontro para fazer esse tipo de coisa nojenta!

Minha voz foi alta, atraindo os olhares de todos no café. Henrique ficou vermelho de vergonha e se levantou, parecendo que ia me agredir. Nesse instante, a voz de Luccas veio de algum lugar próximo:

— Alana, então esse é o seu namorado?

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia