Não sei como consegui sair daquele Starbucks. Só quando cheguei em casa, em um estado de transe, tive coragem de olhar para o convite de casamento que Luccas me entregou.
O envelope era vermelho com letras douradas em relevo, estampado com a foto de noivado dele e de sua futura esposa. A mulher na foto chamava-se Beatriz; ela usava um véu e sorria com uma doçura angelical, dona de um rosto impecavelmente lindo. Senti uma inveja profunda. Ela ia se casar com o homem com quem eu sempre sonhei passar a vida.
Passei o dia inteiro sem comer. À noite, deitada na cama, sentia pontadas agudas de dor nas costas. Não conseguia pregar o olho; toda vez que fechava as pálpebras, lembrava-me dos três anos em que morei com Luccas.
...
Desde o nosso encontro, não recebi mais nenhuma notícia dele. Nas duas semanas seguintes, segui minha rotina de trabalho normalmente. Certo dia, Sabrina, a colega que me acompanhou no encontro às cegas, veio até minha mesa.
— Alana, como terminou aquela história do seu encontro? — perguntou ela.
— Nada bem. Ele não se interessou por mim — respondi com franqueza.
Sabrina ficou surpresa e logo questionou: — Achei aquele cara legal. Não será você que é exigente demais?
Ao ouvir aquilo, lembrei-me de como ela insistiu para ir comigo naquele dia. — Não é exigência minha. É que ele se interessou por você — retruquei.
Sabrina congelou novamente. Após um longo silêncio, ela soltou um riso sem graça: — Tudo bem, da próxima vez te apresento alguém melhor.
Naquele exato momento, um alvoroço tomou conta do escritório. Um grupo de pessoas entrou liderado pelo nosso chefe. Olhei naquela direção e, instantaneamente, meu olhar cruzou com o de Luccas, que vinha à frente.
Parecia um sonho! Minha mente deu um estalo e meu coração disparou sem aviso. O chefe parou diante de todos, com Luccas ao seu lado, e pediu silêncio.
— A nossa empresa fechou uma parceria com a equipe L.C. O novo jogo que desenvolvemos, "Espionagem", terá a L.C. como embaixadora oficial.
Em seguida, o chefe olhou para mim: — Alana, como você é a líder da equipe de desenvolvimento, ficará responsável pela cooperação com a equipe L.C.
Fui pega de surpresa e ainda tentava processar a informação quando uma mulher da equipe L.C. se aproximou e estendeu a mão.
— Olá, sou Beatriz, a empresária da equipe L.C. Será um prazer trabalharmos juntos.
Beatriz! O nome me atingiu como um raio. Era a noiva de Luccas. O rosto dela começou a se fundir com a imagem que eu vira no convite de casamento. Engoli o amargor na garganta e apertei sua mão.
— Olá, sou Alana. O prazer é meu.
Após as apresentações formais, o chefe levou a equipe para a área de testes. Sabrina, sempre ao meu lado, começou a fofocar no meu ouvido: — Você sabia? A Beatriz não é apenas a empresária da L.C., ela é noiva do capitão, o Luccas. Dizem que ela era bem pobre, mas ficou ao lado dele nos momentos mais difíceis. Ela o acompanhou por oito anos! Agora que o Luccas faz sucesso, a vida boa dela vai começar... mas ela realmente merece.
Cada palavra de Sabrina era como uma lâmina cravada no meu peito. Voltei para minha mesa, mas minha mente estava longe. Eu sentia medo de ter que encarar Luccas todos os dias daqui para frente. Medo de que ele descobrisse que eu menti... que eu não tinha namorado, nem carro, nem casa própria.
Finalmente, o expediente acabou. Enquanto caminhava para casa, recebi uma ligação da Sra. Li, a agenciadora do site de namoro.
— Alana, você não vai acreditar! Aquele seu último pretendente, o tal do Tiago, caiu em um golpe de uma garota novinha e linda. Ouvi dizer que ele acabou de sair da delegacia. Bem feito para ele! — A Sra. Li continuou: — Tenho outro pretendente ótimo aqui, quer conhecer?
Eu ia recusar, mas lembrei-me das palavras cruéis do meu chefe: — Alana, você já tem 29 anos. Uma mulher nessa idade sem marido nem namorado... será que você tem algum problema de orientação? Se não conseguir formar uma família nos próximos anos, a empresa terá que considerar se você ainda é adequada para este cargo.
Voltando à realidade, respondi à Sra. Li: — Tudo bem, eu aceito o convite.
Assim que desliguei, o celular tocou novamente. Era Tiago, o pretendente anterior. Atendi, confusa.
— Alana, acho que podemos conversar de novo. Eu não me importo com a sua idade. Casamento é conveniência, tanto faz com quem seja, não acha?
Ouvindo aquilo, olhei para a chuva que começava a cair e apertei o celular. Não consegui mais me conter: — O que te faz pensar que eu estou desesperada por você? Por que acha que eu aceitaria ser seu plano B? Você sabia que já houve um rapaz que quis me dar um lar? Ele trabalhava 24 horas por dia em jogos para comprar uma casa para mim! Eu já fui a escolha absoluta de alguém. Eu já conheci o amor verdadeiro.
Desliguei e bloqueei o número dele imediatamente. Ao terminar, levantei a cabeça e vi, a poucos metros de distância, Beatriz segurando um guarda-chuva e me observando!