Ordens foram disparadas freneticamente do escritório mais alto de Jiangcheng, carregando uma determinação de quem aposta tudo ou nada. Os tentáculos da influência de Arthur estenderam-se a cada canto do globo.
O valor da recompensa era astronômico, o suficiente para balançar qualquer informante e atrair os melhores detetives particulares e corretores de informações do mundo, que agiram como tubarões sentindo o cheiro de sangue, vindo de todas as direções.
Bernardo também se juntou a essa busca. O dinheiro fluía como água. Pistas chegavam aos montes, apenas para serem confirmadas, uma a uma, como falsas ou inválidas. Alguém afirmou ter visto uma mulher parecida com ela no sudeste asiático; Arthur enviou imediatamente seus homens mais competentes, que vigiaram o local por dias apenas para descobrir que se tratava de uma turista com silhueta semelhante.
Cada partida cheia de esperança resultava em um retorno com uma decepção ainda mais profunda. A identidade falsa que o Dr. Marcelo preparou para ela era perfeita, impecável. Ela era como uma gota de água que se fundiu ao vasto oceano, evaporando completamente.
Não havia registros de voos, informações de imigração, gastos no cartão de crédito ou uso de qualquer ferramenta moderna de comunicação e pagamento que exigisse autenticação de nome real. Ela cortou todas as conexões eletrônicas com o passado, usando o método mais primitivo — dinheiro vivo — para desaparecer nas fendas desta era monitorada rigorosamente por redes de dados.
O tempo passava dia após dia. A esperança era como areia entre os dedos: quanto mais se apertava, mais rápido ela escorria. Arthur começou a ter alucinações. Na multidão pulsante do aeroporto, ele sempre vislumbrava um vulto familiar, magro e solitário, puxando uma pequena mala. Ele abria caminho entre as pessoas como um louco, agarrava o ombro da pessoa, mas quando ela se virava, era um rosto totalmente estranho e assustado.
Em frente à empresa, ele parava bruscamente, fixando o olhar em uma mesa perto da janela de um café do outro lado da rua. Lá estava uma mulher de cabelos longos, mexendo no café, com um perfil vagamente semelhante. Ele atravessava a rua correndo, ignorando o fluxo intenso de veículos, provocando um coro de buzinas e insultos. Ao chegar na janela, via outro rosto, de maquiagem pesada, falando ao telefone com impaciência.
Ele começou a perder muito cabelo, as dores de estômago tornaram-se frequentes e, às vezes, sua tosse trazia vestígios de sangue. Carlos e o médico da família estavam preocupados, mas ele os ignorava, perguntando apenas: "Alguma notícia?". A resposta era sempre o silêncio ou um balançar de cabeça.
O estado de Bernardo não era muito melhor. Ele parou de frequentar casas noturnas, mas começou a beber excessivamente. Em um bar que costumava frequentar, um herdeiro rico embriagado, abraçado a uma acompanhante, vangloriava-se rindo: "Ouvi dizer que a ex-mulher da família Pei, aquela tal de Clarice, teve uma morte terrível! Mas bem feito, uma mulher daquelas, nem sabe se comportar depois de subir na vida, melhor morta!".
Bernardo estava sentado em um camarote próximo, entornando copos de bebida forte. Aquelas palavras perfuraram seus ouvidos como agulhas. Ele parou o movimento, virou a cabeça lentamente e olhou para o rapaz que continuava a tagarelar. Seu olhar era gélido, sem qualquer calor. No segundo seguinte, o copo em sua mão foi estraçalhado contra o chão!
O som do vidro quebrando assustou a todos. Bernardo levantou-se e caminhou passo a passo. "O que você disse agora?", sua voz era leve, mas carregava uma agressividade aterradora. O rapaz, intimidado pela ferocidade nos olhos de Bernardo, recuperou parte da sobriedade e gaguejou: "Eu... eu não disse nada... Bernardo, é um mal-entendido...".
"Mal-entendido?", Bernardo curvou o canto da boca, mas o sorriso era de arrepiar. "Diga de novo, quem mereceu? Quem é melhor morta?". Antes que a frase terminasse, seu punho atingiu violentamente o rosto do herdeiro!
"POW!"
O rapaz soltou um grito, o sangue jorrou de seu nariz e ele caiu ao chão. Bernardo, como um leão enfurecido, montou sobre ele, desferindo soco após soco, sem piedade! As pessoas ao redor ficaram em choque; alguns tentaram intervir, mas foram impedidos pelos seguranças de Bernardo. Somente quando os seguranças do bar e a polícia chegaram para conter o frenesi de Bernardo é que o rapaz, já com o rosto coberto de sangue, desmaiou.
O incidente virou notícia policial. A manchete "Herdeiro do Grupo Liang espanca jovem em bar, supostamente em defesa da ex-mulher de Arthur" causou um breve alvoroço antes de ser rapidamente abafada por outras notícias. Arthur, ao ver a notícia, apenas silenciou. Ele entendia a fúria de Bernardo. Pois aquela vontade violenta de destruir tudo era algo que ele também reprimia a cada momento. Não encontrá-la era uma tortura diária.
Quando Isabella descobriu que Arthur e Bernardo estavam procurando loucamente por uma "morta", o ciúme e a insegurança envolveram seu coração como trepadeiras venenosas. Ela foi atrás de Arthur. Invadiu o escritório dele, ignorando as tentativas de Carlos de impedi-la.
"Arthur!", Isabella ainda exibia uma maquiagem impecável, mas seus olhos estavam inchados, sinal de que havia chorado. "A Clarice morreu! Todos nós fomos ao funeral! O que exatamente você está procurando? Um fantasma?!".
Arthur estava diante da tela do computador, analisando relatórios de busca sem resultados. Ao ouvir as palavras dela, levantou a cabeça lentamente. Seu semblante era péssimo: pálido, com olheiras profundas e olhos injetados. Ele olhou para Isabella com um olhar desconhecido, como se a estivesse vendo pela primeira vez.
"Isabella", ele começou, com a voz rouca e carregada de exaustão, "me perdoe".