《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 18

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O corpo de Arthur retesou-se bruscamente.

Lentamente, de forma extremamente vagarosa, ele virou a cabeça e olhou para Bernardo, que estava jogado ao seu lado. Bernardo também virou o rosto para encará-lo. Seus olhos se encontraram.

No olhar de Bernardo, não havia mais o costumeiro desdém ou a libertinagem; restava apenas um vazio tão profundo que ele próprio temia, e um leve... brilho de lágrimas.

— O que eu quero dizer — Bernardo pronunciou cada palavra pausadamente, com a voz clara, porém leve como um suspiro —, é que eu acho que... me apaixonei pela Clarice, Arthur.

— Nestes cinco anos, porra... eu acabei criando sentimentos na cama.

As pupilas de Arthur contraíram-se subitamente. Foi como se algo tivesse explodido em sua mente! O impacto fez seus ouvidos zumbirem e sua visão ficar completamente em branco. No segundo seguinte, uma fúria violenta e sem precedentes, misturada a um pânico quase destrutivo, tomou conta dele!

— Que porra você está dizendo?! — Arthur sentou-se num ímpeto, agarrou o colarinho de Bernardo e o arremessou com força contra o chão gelado!

— ESTRONDO!

A nuca de Bernardo bateu no piso, produzindo um som abafado. Mas ele não revidou, nem lutou. Apenas encarou o Arthur enfurecido, com o canto da boca esboçando novamente um sorriso bizarro.

— Eu disse que me apaixonei por ela — repetiu Bernardo, com a voz calma, mas cada palavra era um punhal. — Por que está tão furioso? Você não diz que não a ama? Você ama a Isabella. Arthur, apenas o amor causa ciúme, apenas o amor faz alguém enlouquecer.

Ele olhou para os olhos vermelhos e injetados de Arthur, repletos de choque e fúria, e continuou lenta e cruelmente:

— Você já a amava. Há muito tempo. Só não tinha coragem de admitir. Você usou o ódio para se anestesiar e a vingança para encobrir o que sentia. Você é patético.

— Cala a boca! — Arthur urrou, desferindo mais um soco!

Desta vez, Bernardo não desviou. O punho atingiu a maçã do rosto, deixando um hematoma ainda mais escuro. Bernardo pendeu a cabeça para o lado, mas continuava sorrindo; as lágrimas finalmente se acumularam e escorreram pelo canto dos olhos, sumindo em seu cabelo.

— Você sabe... da última noite? — A voz de Bernardo embargou levemente, mas continuou nítida. — A última noite. Ela me disse...

Ele imitou o tom fraco e anasalado que Clarice usara: — "Arthur... minha menstruação desceu..."

A mão de Arthur, que ainda segurava o colarinho dele, tremeu violentamente.

— Até a morte... — Bernardo observou o rosto de Arthur empalidecer instantaneamente, e seu sorriso tornou-se melancólico e sarcástico — ela achou que o homem na cama dela era você.

— Arthur, você é patético.

— Eu também sou patético.

— Nós somos... uns canalhas desgraçados.

As últimas palavras foram leves como uma pluma, mas pesavam toneladas, atingindo o coração de Arthur e fazendo suas entranhas revirarem de dor; sua visão escureceu e ele quase vomitou sangue. Ele soltou Bernardo e cambaleou para trás, apoiando-se no sofá tombado para conseguir ficar de pé.

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Ele olhou para Bernardo jogado no chão, com o rosto ferido e o olhar vazio chorando. Olhou para o caos do camarote. Depois para suas próprias mãos trêmulas e manchadas de sangue. Em seus ouvidos, as palavras de Bernardo ecoavam sem parar:

"Até a morte... ela achou que o homem na cama dela era você. Nós somos uns canalhas desgraçados."

Sim. Canalhas. Ele era o maior de todos.

Durante cinco anos, ele teceu meticulosamente uma armadilha de ternura para arrastá-la ao inferno. Ele destruiu tudo o que ela tinha, enquanto acreditava estar executando uma vingança justa. Ele sequer percebeu quando se apaixonou por ela. Até que ela morreu. Até... perdê-la para sempre.

Não.

Um pensamento terrível, mas que carregava uma centelha fraca de esperança, surgiu subitamente em sua mente caótica! E se... e se ela não estivesse morta? E se aquele incêndio e aquele "cadáver" fossem todos falsos?

Assim que essa ideia surgiu, cresceu como erva daninha, sufocando toda a dor e o arrependimento, restando apenas uma loucura obstinada de quem tenta agarrar a última tábua de salvação!

— Carlos! — Arthur virou-se bruscamente, berrando para o corredor. — Carlos! Entre aqui agora!

Duas horas da manhã. Sala de interrogatório particular de Arthur.

Localizada no subsolo de uma propriedade oculta em seu nome, o lugar possuía isolamento acústico perfeito e instalações completas, normalmente usado para lidar com problemas "sujos". No momento, o Dr. Marcelo fora "convidado" a estar ali.

Ele estava sentado em uma cadeira de ferro fria, pálido, com suor frio na testa e as mãos presas aos braços da cadeira por algemas especiais. Ele tentava manter a calma, mas seus olhos esquivos não ousavam encarar os dois homens sentados à sua frente.

Arthur e Bernardo. Ambos com ferimentos no rosto e roupas desalinhadas, mas com olhares igualmente gélidos e afiados, como facas mergulhadas no gelo, fixos no advogado. O ar estava estagnado, em uma opressão sufocante.

— Dr. Marcelo — Arthur foi o primeiro a falar, com a voz rouca, carregando o cansaço de uma noite insone e um perigo contido ao limite. — Antes de morrer, a Clarice viu apenas o senhor. O que ela queria quando o procurou?

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