Uma semana depois, no escritório de Arthur.
As cortinas pesadas estavam fechadas e a luz interna era escassa, vinda apenas de um abajur sobre a mesa de trabalho que emitia um brilho pálido. Arthur estava recostado em sua poltrona de couro, com o olhar vazio fixo no teto.
Houve uma batida leve na porta, que se abriu em seguida. Seu assistente, Carlos, entrou acompanhado de uma mulher de meia-idade, vestida de forma simples e com uma expressão de pavor e submissão.
— Sr. Arthur — a voz de Carlos era baixa, carregada de uma gravidade contida —, esta é a Sra. Neide. Ela trabalhou na antiga mansão da família por um tempo e foi demitida depois. Ela diz que... tem algo sobre a patroa que precisa lhe contar pessoalmente.
O olhar de Arthur moveu-se lentamente para a mulher chamada Neide. Ela aparentava ter cerca de cinquenta anos, com a pele áspera e juntas dos dedos grossas, marcas de anos de trabalho pesado. Ela não ousava encarar Arthur, mantendo a cabeça baixa enquanto seu corpo tremia levemente.
— Sr... Sr. Arthur... — Neide começou a falar com a voz trêmula e um sotaque carregado.
Arthur não disse nada, apenas a observava com seus olhos injetados e profundos. Aquele olhar aterrorizou Neide ainda mais; suas pernas fraquejaram e ela caiu de joelhos no chão de mármore frio com um baque.
— Sr. Arthur! Eu errei! Eu errei de verdade! — a voz de Neide estava embargada pelo choro e as lágrimas jorraram instantaneamente. — Eu não devia ter sido gananciosa com aquele dinheiro! Eu não devia ter agido contra a minha consciência! Mas... mas todos esses anos eu tive pesadelos todas as noites! Sonhava com a Srta. Clarice... sonhava com ela caída ao pé da escada, sangrando tanto, chorando sem parar e agarrando minha manga para perguntar: "Neide, meu bebê se foi?"...
Seu pranto soava particularmente lúgubre no escritório silencioso.
— Eu não aguento mais! Eu realmente não aguento mais! Se eu não puser isso para fora, vou enlouquecer! — Neide levantou a cabeça, olhando para Arthur com o rosto banhado em lágrimas e um olhar repleto de medo e arrependimento. — Sr. Arthur, eu lhe imploro, deixe-me contar! Deixe-me pagar pelo meu pecado!
O corpo de Arthur travou visivelmente ao ouvir a palavra "bebê". Seus dedos sobre o braço da poltrona se contraíram lentamente, com as juntas ficando brancas.
— Fale — ele disse, com a voz extremamente rouca, como o som de lixa em madeira bruta.
Soluçando, Neide começou a relatar de forma fragmentada.
— Foi... foi o senhor quem me mandou fazer... Naquele ano, pouco depois que a Srta. Clarice descobriu a gravidez, o senhor me chamou ao escritório e me deu um frasco com óleo e um maço de dinheiro. O senhor disse... para eu passar uma camada fina de óleo naquele trecho da escada que ela sempre usava para ir ao jardim. E depois... disse para eu inventar uma desculpa e sair, para ninguém me ver.
A respiração de Arthur parou por um instante. Aquela escada...
Sim. A mansão antiga tinha uma belíssima escadaria em caracol que levava ao jardim, feita de mármore liso. Após Clarice engravidar, o médico recomendou que ela caminhasse mais; ela adorava ir ao jardim tomar sol e passava por ali várias vezes ao dia.
— Eu... eu fiz o que mandou — Neide voltou a chorar. — Naquela tarde, a Srta. Clarice estava descendo as escadas devagar, segurando no corrimão, como sempre fazia. Ela até sorriu para mim e disse que ia ver as flores que tinham acabado de abrir. E então... ela pisou no óleo, escorregou e... rolou escada abaixo!
A voz de Neide tornou-se aguda pelo pavor.
— Eu fiquei escondida no corredor observando. Quando ela caiu, não fez som nenhum, apenas o baque surdo do corpo. E então... sangue... tanto sangue começou a escorrer por baixo dela, manchando o vestido branco... Ela ficou ali deitada, pálida como papel, com os olhos arregalados fixos no teto. Demorou muito tempo até que ela conseguisse chorar...
— Ela agarrou minha manga e me perguntou: "Neide, meu bebê se foi?"... — Neide não conseguia parar de soluçar. — Eu... eu fiquei paralisada de susto, só conseguia balançar a cabeça. Ela parou de chorar e ficou apenas me encarando, com um olhar... vazio, como se estivesse morta. Depois ela foi levada para o hospital.
O rosto de Arthur já não tinha mais qualquer vestígio de cor. Ele se lembrava daquele dia.
Ele recebeu a ligação dizendo que Clarice havia caído da escada e sofrido um aborto. Ao chegar no hospital, viu-a deitada na cama, pálida como a neve e com o olhar vago voltado para a janela. Ao vê-lo entrar, ela se esforçou para dar um sorriso fraco, dizendo com a voz rouca pelo choro: "Arthur, não fique triste, nós somos jovens, teremos outros...".
E ele, naquela hora... Ele apenas ficou ao lado da cama, observando-a naquele estado frágil e pálido. O que sentiu não foi piedade, mas uma calma gélida e quase anestesiada... a paz de quem cumpre uma missão. Ele nem sequer teve coragem de olhar nos olhos dela por muito tempo; disse um "descanse bem" apressado e foi para a varanda. Lá, ele fumou um maço inteiro de cigarros. Um atrás do outro, até sentir a garganta amarga e o pulmão doer.
Naquele momento, ele pensou: a vingança foi um sucesso. A morte do irmão foi parcialmente vingada. Ele tirou dela o filho que ela mais esperava, causou-lhe dor e desespero.
Mas... por quê? Por que não sentiu o prazer e o alívio que imaginava? Em vez disso... sentia uma opressão pesada e inexplicável, uma irritação latente. Naquela época, ele não entendia.
Mas agora... Arthur levantou-se bruscamente da poltrona. O movimento foi tão súbito que sua visão escureceu; ele se apoiou na borda da mesa para conseguir ficar de pé.
— Os registros médicos... — sua voz tremia descontroladamente e seus olhos estavam fixos em Carlos. — Os registros médicos daquela época! Vá buscá-los! Agora! Imediatamente!
Carlos já estava preparado. Ele retirou imediatamente de sua pasta um tablet, operou-o rapidamente e o entregou com respeito a Arthur. Na tela, estava um arquivo médico escaneado.
Paciente: Clarice. Diagnóstico: Aborto acidental, útero gravemente lesionado com hemorragia intensa. Conclusão: Probabilidade de concepção natural inferior a 5%. Sugere-se o uso de tecnologias de reprodução assistida, embora a taxa de sucesso também não seja otimista.
Inferior a 5%. O equivalente a... impossível.
O olhar de Arthur ficou paralisado naquelas letras miúdas e gélidas. Cada palavra era como um ferro em brasa, queimando suas retinas e sua própria alma. Ele se lembrou do período de recuperação de Clarice após o aborto. Ela vivia alisando o ventre agora plano, perdida em devaneios, com um olhar de tristeza e desejo profundos.
Certa vez, ela se aninhou nos braços dele e sussurrou: "Arthur, você acha que... nosso bebê era menino ou menina? Será que ele vai me culpar por não tê-lo protegido?". Ele apenas a abraçou em silêncio, sem dizer nada. Em sua mente, ele pensava: não haverá uma próxima vez. Ele não permitiria que ela tivesse um filho dele.
Mas agora... Ele mesmo havia destruído, com as próprias mãos, a chance de ela ser mãe.