Arthur não contestou, nem explicou.
Ele apenas permaneceu em silêncio por um longo tempo, até que a chuva se intensificou, encharcando seu terno, e só então ele se virou lentamente.
Não olhou para a lápide nem mais uma vez.
Caminhou em direção ao carro estacionado à beira da estrada, com sua silhueta parecendo um tanto solitária em meio à cortina de chuva.
Bernardo ficou parado, observando Arthur entrar no carro e o veículo partir, desaparecendo na estrada sinuosa da montanha.
Depois, ele voltou a olhar para a foto na lápide.
As gotas de chuva batiam na superfície lisa do granito, respingando em pequenas gotas que embaçavam o sorriso de Clarice na imagem.
De repente, ele sentiu que aquele sorriso parecia um tanto doloroso aos olhos.
O vento soprava entre os fios de chuva, trazendo o frio e a umidade característicos do cemitério. Bernardo ficou ali por muito tempo antes de se virar e partir.
Após o funeral, a vida de Arthur parecia ter voltado ao "normal".
Ele retornou à empresa, lidando com os assuntos acumulados.
Saía cedo e voltava tarde todos os dias, trabalhando arduamente como uma máquina de precisão. No entanto, só ele sabia que algo já não estava certo.
Por exemplo, no café da manhã, ele dizia habitualmente ao chef:
"Ovos com gema mole, ela gosta de ovos com gema mole".
Após dizer isso, ele mesmo paralisava primeiro.
Olhava para o assento vazio à sua frente, silenciava por alguns segundos e então continuava a comer, como se nada tivesse acontecido, aquele café da manhã que subitamente se tornava insosso.
Por exemplo, ao voltar para casa tarde da noite com o corpo exausto, no instante em que abria a porta, ele olhava subconscientemente para o sofá da sala.
Antigamente, não importava quão tarde fosse, Clarice sempre estaria ali esperando por ele.
Ele sempre caminhava até ela, pegava-a gentilmente no colo e a levava para o quarto. Mas agora, o sofá estava vazio.
A luz também não estava acesa. A casa inteira estava em um silêncio mortal.
Ele ficava parado no hall de entrada por muito tempo antes de entrar lentamente, acender a luz e se sentar no sofá, encarando o lugar vazio à sua frente por mais de meia hora.
Por exemplo, quando as dores de estômago atacavam, ele estendia a mão subconscientemente para abrir a gaveta da mesa de escritório.
Ali dentro, antigamente, sempre havia remédios que Clarice preparava para ele, além de bilhetes escritos à mão, lembrando-o de comer no horário e beber menos café.
Agora, a gaveta continha apenas documentos e materiais de escritório.
Sua mão parava no ar por um instante e então recuava lentamente, pressionando o estômago que latejava de dor, com o rosto pálido e suor frio brotando em sua testa.
Em uma importante negociação comercial, enquanto o adversário apresentava um projeto de cooperação, mencionou casualmente o nome do projeto — "Plano Verão".
A mão de Arthur, que estava assinando, parou bruscamente.
A ponta da caneta traçou um longo e berrante borrão de tinta no documento.
A sala de reuniões ficou em silêncio instantaneamente.
Todos olhavam para ele atônitos. O adversário também parou, perguntando confuso:
"Sr. Arthur? Há algum problema?".
Arthur recobrou os sentidos. Olhou para o documento danificado e silenciou por alguns segundos.
"...Nada. Prossiga", disse ele ao largar a caneta, com a voz um tanto rouca.
O assistente perguntou-lhe preocupado, em particular, se ele não estava se sentindo bem.
Arthur não respondeu.
Ele começou a sofrer de insônia. Mesmo tomando pílulas para dormir, conseguia descansar apenas duas ou três horas.
Então, acordava assustado, banhado em suor frio. Em seus sonhos, ocasionalmente surgiam imagens fragmentadas.
Era Clarice.
Ela sorria com os olhos semicerrados, encostada em seu ombro, apontando para os fogos de artifício ao longe e dizendo:
"Arthur, veja, que lindo". Ele a abraçava, beijava o topo de sua cabeça e dizia: "Sim, não tão lindo quanto você".
Ao acordar, o lado da cama estava vazio. Havia apenas o luar frio lá fora e um silêncio mortal.
Era mais uma noite alta.
Arthur estava sentado sozinho na sala escura, sem acender as luzes.
Do lado de fora da janela do chão ao teto, via-se a deslumbrante vista noturna da cidade, mas que contrastava fortemente com a escuridão e o silêncio mortal dentro da sala.
O trinco da porta soou levemente. Isabella abriu a porta com uma chave reserva e entrou.
Ao ver o vulto na escuridão, ela se assustou primeiro, mas logo acendeu uma arandela suave.
Ao ver que era Arthur, ela relaxou, exibiu um sorriso terno, aproximou-se e o abraçou gentilmente por trás.
"Arthur", ela encostou o rosto nas costas largas dele, com a voz suave, "por que não acende a luz? Sentado aqui sozinho, no que está pensando?".
O corpo de Arthur ficou rígido de forma quase imperceptível. Ele não se moveu, nem respondeu.
Isabella também não se importou e continuou por conta própria:
"Já sei de tudo... toda a verdade. Por que não me contou antes? Você se casou com ela apenas para vingar seu irmão. Agora que ela morreu, sua vingança foi concluída. Não há mais obstáculos entre nós".
Ela pausou, e seu tom ganhou um toque de expectativa e doçura:
"Arthur, agora... podemos ficar juntos abertamente. Exatamente como prometemos quando éramos crianças".