《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 9

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Era uma mensagem de Arthur.

"Clarice, surgiu um projeto urgente na empresa e preciso viajar por uma semana. Descanse bem em casa estes dias e tome seus remédios no horário. Quando eu voltar, terei uma surpresa para você. Lembre-se de sentir minha falta."

Clarice olhou para a mensagem e suas lágrimas caíram com ainda mais força, mas seu coração parecia ter congelado completamente.

"Eu também tenho uma surpresa para você, Arthur. Uma 'surpresa' que você jamais poderia imaginar."

Com as mãos trêmulas, ela enxugou as lágrimas e, quando estava prestes a ligar para o advogado, o celular tocou primeiro. Na tela, piscava o nome "Dr. Marcelo".

O coração de Clarice deu um salto. Ela respirou fundo e atendeu.

"O período de reflexão do seu divórcio com o Sr. Arthur terminou oficialmente à meia-noite de ontem, e a certidão de divórcio já foi emitida! Acabei de retirá-la no cartório. Seria conveniente para a senhora? Posso levar até você ou prefere vir buscar?"

A certidão de divórcio saiu? Finalmente... acabou.

"Eu vou buscar", disse Clarice, ouvindo a própria voz rouca, porém estranhamente calma. "Vou agora mesmo."

"Tudo bem, estarei no escritório à sua espera."

Uma hora depois, Clarice saiu do escritório de advocacia segurando um pequeno caderno de cor vermelho-escuro.

"Srta. Clarice", o Dr. Marcelo a acompanhou até a saída, com uma expressão de piedade e um toque de preocupação. "Quais são os seus planos agora? Quanto ao Sr. Arthur..."

"Dr. Marcelo", Clarice o interrompeu, erguendo os olhos com um olhar calmo e quase vazio. "Preciso que me faça mais dois favores."

"Pode dizer."

"Primeiro, ajude-me a cancelar meu registro civil. Eu não quero mais a identidade de Clarice."

As pupilas do Dr. Marcelo se contraíram. "Cancelar o registro? Isso... exige um motivo plausível, e o processo é complexo e demorado..."

"O motivo é morte acidental", disse Clarice, sem qualquer emoção na voz. "Ainda hoje. O senhor consegue dar um jeito, não consegue? Dinheiro não é problema; os bens em meu nome são suficientes para cobrir qualquer custo, e ainda sobrará para lhe agradecer."

O Dr. Marcelo viu a determinação em seus olhos e, percebendo que ela já havia se decidido, assentiu pesadamente. "...Eu entendo. E qual seria o segundo favor?"

Clarice virou o rosto lentamente, olhando na direção geral onde ficava a mansão, e no fundo de seus olhos acendeu-se uma chama de destruição.

"Segundo, ajude-me a queimar aquela mansão. O fogo não precisa ser muito grande, mas deve parecer um acidente e que... Clarice não conseguiu escapar."

O Dr. Marcelo compreendeu instantaneamente a intenção dela! Uma fuga estratégica! Ela queria que a pessoa chamada Clarice "morresse" completamente naquele incêndio! Desaparecer de forma limpa do mundo de todos!

O Dr. Marcelo percebeu que o coração dela estava morto e que sua decisão de partir era definitiva.

"Você...", a voz do Dr. Marcelo soou seca. "Tem certeza disso? Uma vez dado esse passo, Clarice deixará de existir no mundo."

"Ela já deveria ter morrido há muito tempo", disse Clarice num suspiro leve. "Desde o dia em que acreditou em contos de fadas românticos."

Houve um longo silêncio, o ar parecia congelado. Finalmente, o Dr. Marcelo soltou um suspiro profundo, como se usasse toda a sua força. "...Está bem. Eu prometo ajudá-la. Mas você deve garantir que, após partir, nunca mais voltará e que ninguém saberá de sua nova identidade ou paradeiro. Clarice deve morrer de forma absoluta."

"Eu garanto", assentiu Clarice. "Obrigada, Dr. Marcelo."

"Cuide-se", disse o Dr. Marcelo, apertando a mão dela com um olhar complexo.

Ao sair do escritório de advocacia, Clarice não parou. Ela foi direto para o aeroporto e comprou a passagem para o voo mais próximo.

Após concluir tudo, ela se sentou no saguão de embarque movimentado, observando os aviões decolando e pousando através da janela, com uma calma absoluta em seu coração.

O celular vibrou; era uma mensagem do Dr. Marcelo com apenas um símbolo simples: 【OK】. Significava que tudo estava pronto.

Ela desligou o celular, retirou o cartão SIM, quebrou-o levemente e jogou na lixeira ao lado. Nesse momento, o anúncio de embarque soou.

Clarice se levantou, passou pela segurança e entrou na aeronave, encontrando seu assento na janela. O avião taxiou lentamente, acelerou e subiu em direção às nuvens. Abaixo dela, a cidade tornava-se cada vez menor, sendo gradualmente coberta pela neblina.

Adeus. Não, é um adeus eterno. Arthur, Bernardo. Que nunca mais nos vejamos nesta vida. Que vocês consigam o que desejam em seu mundo repleto de conspirações, mentiras e dor.

Clarice encostou-se na janela, observando o mar de nuvens e o céu estrelado que se tornava mais nítido, e fechou os olhos. Lágrimas escorreram silenciosamente. Mas desta vez, não era pela perda, e sim pelo... renascimento.

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