《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 8

PUBLICIDADE

Bernardo pareceu ficar sem palavras diante da fúria de Arthur e, com uma risada seca, mudou de assunto: "Tudo bem, tudo bem, já sabemos que você se mantém puro para a sua Isabella. Mas, falando sério, esta será a sua última vingança contra ela, certo? Vai revelar tudo daqui a três dias? "

"Sim", a voz de Arthur recuperou aquela fria indiferença. "O acordo de divórcio já está pronto há muito tempo. Em três dias, entregarei a ela toda a verdade junto com o acordo. Este jogo precisa acabar."

"Certo", o tom de Bernardo tornou-se um pouco sutil. "Então, antes disso... posso dormir com ela uma última vez? Considere como uma 'recompensa' pelos meus serviços. Afinal, é a última vez mesmo."

"Como quiser", a voz de Arthur finalmente soou. "Só não exagere."

"Fique tranquilo, eu sei o que faço", a voz de Bernardo carregava um prazer evidente.

Passos foram ouvidos, indicando que alguém havia saído. O quarto de hospital mergulhou novamente no silêncio. Para Clarice, entretanto, aquele silêncio era mais sufocante do que a conversa de pouco antes. Cada palavra era como uma agulha embebida em veneno, cravada profundamente em seu coração.

Dois dias depois, com o ferimento no braço estável, ela recebeu alta para continuar a recuperação em casa. Arthur foi buscá-la pessoalmente, cuidando dela com zelo durante todo o caminho de volta.

À noite, como de costume, ele a convenceu a tomar o remédio, viu-a deitar-se e ajeitou o cobertor, dizendo com voz suave: "Descanse bem, vou tomar um banho e já volto."

A luz apagou-se e a porta foi fechada gentilmente. Na escuridão, Clarice mantinha os olhos abertos, sem qualquer sono. A dor física não era nada comparada ao gelo e à vigilância em seu espírito. Ela sabia que a "última vez" mencionada por Bernardo muito provavelmente seria naquela noite.

De fato, pouco tempo depois, a porta do quarto foi aberta de forma extremamente leve. Um vulto deslizou silenciosamente para dentro e aproximou-se da cama. Clarice sentiu alguém subir no leito.

Todos os seus músculos retesaram-se instantaneamente e seu coração disparou, mas ela manteve os olhos firmemente fechados, forçando uma respiração estável para fingir que dormia profundamente. A cama cedeu levemente e um corpo quente aproximou-se; uma mão circulou sua cintura com familiaridade, enquanto a outra começou a vagar inquietamente. Pontas de dedos com calos leves deslizaram pela pele sob a camisola, provocando-lhe calafrios fisiológicos.

Uma respiração quente soprou em seu ouvido, trazendo um leve aroma de tabaco — o odor característico de Bernardo, completamente diferente do de Arthur. Lábios desceram em direção ao seu pescoço.

No momento em que o toque estava prestes a ocorrer, Clarice encolheu-se levemente, como se tivesse sido despertada, e murmurou com voz anasalada e fraca: "Não... Arthur... minha menstruação desceu hoje... não estou me sentindo bem... "

A mão que percorria seu corpo parou abruptamente. A pessoa que a abraçava travou visivelmente. Na escuridão, uma voz que imitava deliberadamente o tom gentil de Arthur, mas que ainda carregava o magnetismo peculiar de Bernardo e um traço de frustração contida, soou: "...Menstruação? Por que não disse antes? "

PUBLICIDADE

Ele hesitou por um momento, parecendo inconformado, mas apertou o braço ao redor dela e roçou os lábios em seu cabelo: "Tudo bem então, descanse bem esta noite. Falamos disso quando você melhorar."

Quando você melhorar? Não haveria um depois. Jamais ficaria tudo bem novamente.

"Hm...", ela respondeu num sussurro quase inaudível, exausta.

Bernardo não forçou mais nada, mas também não saiu. Ele apenas continuou abraçando-a, mantendo-a envolta em seus braços com força. Lábios quentes vagavam por sua testa, bochecha e pescoço em beijos e carícias carregados de desejo, enquanto sua respiração tornava-se pesada e ardente. A outra mão também não ficou parada, massageando-a por cima da camisola fina com uma força libertina e possessiva.

Clarice cerrou os dentes, repetindo para si mesma: não posso falhar, ele não pode descobrir que eu sei a verdade. Caso contrário, não conseguirei partir.

Na manhã seguinte, Clarice sentiu Bernardo sair da cama. Ele foi até a janela, pareceu acender um cigarro e fez uma ligação.

"A Clarice ficou menstruada, você vai ter que esperar", disse Bernardo. "Quando passar, eu durmo com ela mais uma vez e então você conta a verdade."

A pessoa do outro lado pareceu dizer algo.

Bernardo riu: "Sério, Arthur, por que você não experimenta pessoalmente? Garanto que é completamente diferente daquela beleza fria que você vê normalmente... o sabor é maravilhoso."

"Não", a voz de Arthur veio nitidamente através do telefone, mesmo com algum ruído de interferência; era impossível não notar o asco e a frieza indisfarçáveis. "Sinto nojo."

"Já amanheceu, saia logo para que ela não perceba. Não voltarei para casa nestes dias, vou aproveitar para ficar com a Isabella. Daqui a uma semana, quando o período dela passar, você dorme com ela pela última vez e me avisa; eu entrarei no quarto no momento exato... para darmos o ponto final em tudo isso."

"Entendido", Bernardo respondeu prontamente, recuperando seu tom casual de sempre. "Então aproveite sua Isabella. Deixe este lado comigo."

A ligação foi encerrada. Bernardo permaneceu parado por um momento; Clarice sentiu o olhar dele sobre ela por alguns instantes. Então, ouviu-o pegar o paletó, abrir a porta e sair.

Somente quando os passos desapareceram completamente no andar de baixo e a mansão mergulhou no silêncio absoluto é que Clarice abriu os olhos abruptamente, arfando como se tivesse acabado de emergir de águas profundas. Lágrimas brotaram sem aviso, encharcando o travesseiro instantaneamente, mas ela não conseguia emitir som algum; apenas seu corpo tremia violentamente.

Nesse momento, seu celular vibrou na cabeceira e a tela acendeu.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia