《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 7

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Quando Clarice acordou novamente, ainda estava no hospital. Suas feridas eram mais terríveis do que da última vez, e cada respiração repuxava inúmeros cortes, fazendo-a sentir uma dor agoniante.

Arthur montava guarda ao lado de seu leito e, ao vê-la despertar, assumiu imediatamente uma expressão de angústia e culpa.

"Clarice, você acordou? Como se sente?", ele disse com voz grave, segurando a mão dela envolta em gazes. "Perdoe-me... a culpa é minha... Eu me afastei por um momento e não imaginei que sequestradores a levariam e a torturariam assim... Fique tranquila, já enviei todos aqueles criminosos para a prisão e eles nunca mais sairão de lá! De agora em diante, providenciarei mais guarda-costas para protegê-la 24 horas por dia; nunca mais deixarei que algo assim aconteça!".

Sequestradores? Tortura?.

Deitada na cama, Clarice sentia uma dor insuportável ao ouvir aquelas mentiras esfarrapadas, porém ditas com aparente sinceridade. Como ele podia atuar de forma tão natural?. Como podia, depois de tê-la deixado naquele estado, ainda exibir essa aparência de marido devotado?. Ela mordeu os lábios, permanecendo em silêncio, com apenas um pensamento em mente: precisava sair dali o quanto antes, fugir dele e daquele inferno.

Após um longo período de recuperação no hospital, Clarice finalmente recebeu alta. O dia da saída coincidiu justamente com o aniversário de casamento dela e de Arthur. Arthur organizou um banquete grandioso para ela, convidando inúmeras celebridades em um cenário luxuoso. Ele a conduziu pela mão até o salão, recebendo as bênçãos de todos e interpretando o papel de um marido profundamente apaixonado.

No meio da festa, o telão começou a exibir fotos subitamente. Inicialmente, eram fotos de Arthur e Clarice juntos: viagens, momentos cotidianos em que pareciam muito dóceis. Contudo, pouco depois, as imagens mudaram. Transformaram-se em fotos obscenas e degradantes. Eram registros dela aos dezoito anos, após ter sido violada, com as roupas desalinhadas e um olhar vazio e desesperado!.

"Essa... não é a Sra. Pei?!". "Meu Deus! Aqueles boatos eram reais? Ela realmente...". "Como puderam exibir esse tipo de foto?!".

O salão de festas explodiu instantaneamente em burburinhos, gritos de surpresa, fofocas e olhares de desprezo que inundaram Clarice como uma maré. No centro do palco, ela observava aquelas imagens que tentara desesperadamente esquecer, mas que estavam gravadas em sua alma; seu rosto empalideceu como papel. O sangue em seu corpo pareceu congelar no mesmo instante, e um sentimento avassalador de vergonha e desespero quase a fez desmoronar!.

A expressão de Arthur também mudou; ele correu imediatamente para o palco, envolvendo a trêmula e instável Clarice em seus braços para esconder o rosto dela, enquanto gritava furiosamente para os funcionários: "Desliguem! Desliguem a tela agora! Rápido!".

Os funcionários correram para operar o sistema e a tela finalmente escureceu. Mas era tarde demais; todos haviam visto. Arthur protegeu Clarice, tentando tirá-la daquele lugar humilhante. No entanto, nesse momento, um grupo de repórteres surgiu do nada, como tubarões atraídos pelo cheiro de sangue! Microfones e câmeras foram empurrados quase contra o rosto de Clarice!.

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"Sra. Pei! Por favor, aquelas fotos são reais? A senhora realmente sofreu uma violação naquela época?". "Sr. Arthur, o senhor já sabia do passado de sua esposa? Como superou a barreira psicológica para aceitá-la?". "Sra. Pei, que métodos usou para fazer o Sr. Arthur ser tão dedicado à senhora? Poderia compartilhar seu segredo?". "Há boatos de que a senhora usou meios ilícitos para fisgar o Sr. Arthur, isso é verdade?".

Ela queria gritar, questionar, fugir, mas sua garganta parecia apertada por uma mão invisível, impedindo qualquer som. Suas pernas pareciam de chumbo, pesadas demais para se moverem um centímetro sequer. Foi então que Clarice viu Bernardo abrir caminho entre os repórteres. Ele segurava um frasco e arremessou o conteúdo em direção a ela.

Era ácido sulfúrico!. Um odor pungente e um líquido ardente. Clarice tentou desviar, mas não houve tempo. O ácido atingiu seu braço, corroendo a pele instantaneamente; a dor foi tamanha que sua visão escureceu e ela desmaiou.

Não se sabe quanto tempo passou. Sua consciência parecia flutuar em um óleo negro, frio e viscoso. A dor excruciante no braço era como se inúmeras agulhas em brasa estivessem perfurando e mexendo continuamente. Ao fundo, parecia haver vozes abafadas, fragmentadas, como se estivessem do outro lado de uma espessa camada de água.

"Você jogou pouco ácido hoje", disse Arthur. "E por que no braço? Devia ter jogado no rosto para desfigurá-la de vez".

Em seguida, ouviu-se a voz de Bernardo, com seu tom despreocupado e sorriso cínico: "Qual a pressa? Ainda pretendo dormir com ela depois. Se eu jogasse no rosto e visse uma face desfigurada, como diabos eu conseguiria ter vontade?".

Arthur pareceu silenciar por um momento antes de falar com evidente insatisfação: "Eu mandei você dormir com ela para humilhá-la e me vingar. Você por acaso viciou?".

"Não tem como evitar, Arthur", Bernardo baixou o tom de voz. "O sabor dela... é realmente bom. Ver aquela mulher que costuma ser fria e indiferente com todos, na cama... ora, tem um sabor especial. Se não acredita, você mesmo podia experimentar...".

"Cale a boca!", a voz de Arthur tornou-se bruscamente fria, carregada de um asco e rejeição indisfarçáveis. "Eu jamais encostaria nela! Tenho nojo! No meu coração só existe a Isabella!".

Só a Isabella.... Nojo dela....

Clarice percebeu que, no coração dele, ela não era apenas uma inimiga ou uma ferramenta de vingança, mas um ser imundo que ele sentia asco até de tocar.

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