— Explicação? — Arthur parecia ter ouvido uma piada de mau gosto, olhando para ela com um olhar gélido. — Que explicação eu preciso te dar? Quem eu amo e com quem eu fico, o que isso tem a ver com você?
Isabella ficou pálida, sufocada por aquelas palavras implacáveis, olhando para ele sem acreditar no que ouvia. Ao lado, Bernardo também franziu o cenho, olhando para Isabella com um tom de censura:
— Isabella, desta vez você realmente passou dos limites. A Clarice é a esposa do Arthur, como você pôde fazer uma coisa dessas?
Isabella olhou para aqueles dois homens que ela achava que sempre estariam ao seu lado, protegendo-a e mimando-a. Agora, eles a criticavam por causa de outra mulher. Suas lágrimas caíram ainda mais fortes, misturando raiva e mágoa:
— Ótimo! Ótimo! Arthur, Bernardo! Agora vocês dois estão protegendo ela, não é?! Tudo bem! Eu vou embora! Não vou mais incomodar vocês!
Dito isso, ela empurrou Bernardo e saiu correndo do quarto do hospital, chorando. Bernardo instintivamente quis ir atrás dela, mas olhou para Arthur e parou. Arthur não foi atrás de Isabella; em vez disso, virou-se e caminhou até a cama de Clarice. Olhando para seu rosto pálido e para a queimadura em sua mão, ele franziu a testa e baixou a voz, soando arrependido:
— Clarice, me desculpe. Foi minha culpa por não ter te protegido bem. A Isabella... ela foi mimada por nós desde pequena, tem um temperamento arrogante. Mas o que ela fez desta vez foi demais, eu farei com que ela te peça desculpas.
Bernardo também se aproximou, concordando:
— É verdade, cunhada, fique tranquila. A Isabella só agiu por impulso, nós vamos falar com ela depois.
Vendo os dois "atuarem" em sincronia, Clarice sentiu apenas um absurdo e uma melancolia imensos. Ela não disse nada, apenas fechou os olhos novamente.
Nos dias seguintes, Arthur permaneceu no hospital cuidando de Clarice. Ele era muito atencioso: dava-lhe comida, ajudava-a com a higiene e conversava com ela. Às vezes, Clarice olhava para ele, tentando encontrar em seu rosto qualquer traço de encenação. Mas ela não conseguia encontrar. Ele parecia tão sincero e gentil, exatamente como nos últimos cinco anos.
Por vezes, Clarice ficava confusa, pensando se a conversa que ouvira naquele dia não passara de um pesadelo. Mas a ferida na mão e a dor no corpo a lembravam de que não era um sonho. Era real.
Naquele dia, Arthur teve assuntos na empresa e saiu primeiro. Clarice foi fazer exames por conta própria. Enquanto esperava o elevador no corredor, alguém de repente cobriu sua boca por trás. Um odor acre a atingiu e sua visão escureceu; ela perdeu a consciência.
Ao acordar novamente, Clarice se viu trancada em uma gaiola de ferro. A gaiola era grande e ela não estava sozinha — havia mais de uma dezena de cães. Eram cães de grande porte, mostrando os dentes, babando, com olhos brilhando em verde, encarando-a como lobos famintos.
Clarice tinha pavor de cachorros. Fora mordida quando criança e ficara com um trauma psicológico; todos esses anos, ela nem sequer se aproximava de cães pequenos, quanto mais de tantos cães grandes.
— Me tirem daqui! Socorro!! — ela gritou aterrorizada, batendo desesperadamente na gaiola!
Mas seus gritos e batidas apenas atiçaram os cães ferozes. Eles avançaram sobre ela, mordendo-a!
— AHHH!!!
Dentes afiados perfuraram sua pele, trazendo uma dor lancinante! Clarice lutou desesperadamente, chutando, mas sua força era insignificante diante dos cães famintos! Vários buracos de mordida surgiram instantaneamente em suas pernas e braços, e o sangue jorrou!
Justo quando ela pensou que seria morta a dentadas, em meio à consciência turva, pareceu ouvir vozes vindo de fora da gaiola. Eram Arthur e Bernardo! Eles... estavam lá fora?!
— ...Arthur, já chega, não? — era a voz de Bernardo.
— Qual a pressa? — a voz de Arthur continuava fria. — Por causa do que aconteceu no hospital, a Isabella chorou por dias e nem consegue comer. Se não fosse por essa mulher, eu já poderia estar com a Isabella há muito tempo, sem precisar esconder a verdade dela e fazê-la sofrer por tantos anos. Este castigo é pouco.
Afinal... era por causa da Isabella! Por que a Isabella se sentiu "injustiçada" no hospital, ele estava usando aquele método para puni-la e vingar Isabella?! Ele até achava que a presença dela o impedira de ficar com Isabella?!
Seu coração parecia ser repetidamente dilacerado pelos dentes daqueles cães; a dor era tanta que ela quase sufocou! Quando estava prestes a desmaiar de dor, Arthur finalmente falou:
— Tudo bem, tirem-na daí e levem para o hospital.
A gaiola foi aberta e alguém entrou para arrastá-la. Mas, naquele momento, Bernardo impediu:
— Espere um pouco.
— O quê? — perguntou Arthur.
Bernardo disse com indiferença:
— Você tem razão. Se não fosse por ela, a Isabella não teria sofrido. Eu também cresci com a Isabella e, vendo-a sofrer tanto, também devo descontar um pouco em nome dela.
Arthur pareceu hesitar:
— Não faça nada muito grave, será difícil de explicar depois.
— O que há de tão difícil em explicar? — Bernardo não se importou. — Diremos que ela foi sequestrada e torturada. De qualquer forma, as feridas no corpo dela são de mordidas de cachorro; se houver algo a mais, não fará diferença.
Dito isso, Clarice ouviu um som de metal sendo arrastado. Então, ela foi puxada brutalmente da gaiola por várias pessoas e seus olhos foram vendados com um pano preto. Ela não sabia o que Bernardo pretendia fazer, e o medo imenso a fazia tremer inteira.
Em seguida, sentiu que foi colocada sobre algo frio, duro e cheio de saliências pontiagudas! Era... uma cama de pregos?! Antes que pudesse reagir, uma força imensa veio por trás! Ela foi empurrada bruscamente para cima da cama de pregos e, sendo segurada por pessoas, foi rolada repetidamente e com força sobre aquela superfície cheia de pregos pontiagudos!
— AHHH!!!!
Uma dor indescritível percorreu instantaneamente suas costas e extremidades! Os pregos perfuravam a carne, abrindo cortes profundos que chegavam aos ossos! Cada rolagem era como sofrer a tortura de mil cortes!
— Um, dois, três... noventa e oito, noventa e nove!
Alguém ao lado contava friamente. Exatas noventa e nove vezes! Quando a última volta terminou, Clarice já era uma massa de sangue, sem nenhum pedaço de pele intacta. Sua consciência se dissipou completamente na dor extrema e ela desmaiou.