《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 3

PUBLICIDADE

O advogado respondeu rapidamente: "Recebido. O acordo já foi assinado por ambas as partes. Após o início do processo, é necessário um período de um mês de reflexão antes do divórcio. Passado esse tempo, poderemos formalizar o registro."

Clarice respondeu com um simples "está bem", desligou o celular e ficou observando a noite densa através da janela, com o olhar vazio.

Nos dias seguintes, Clarice trancou-se em casa, agindo como uma casca vazia e sem alma. Comia, dormia, ficava perdida em pensamentos; não chorava, não gritava, não dizia uma palavra.

Arthur parecia ocupado com os preparativos finais antes de "fechar a rede" da sua vingança e raramente aparecia. Quando voltava, era sempre tarde, exalando cheiro de álcool, mas o seu olhar para ela continuava terno, até mais afetuoso do que antes — provavelmente para tornar a "surpresa" futura ainda mais dramática. Clarice observava a sua atuação sentindo apenas um nojo e uma tristeza profundos, mas precisava de se conter para não revelar a menor falha.

Naquela noite, Arthur surpreendentemente voltou cedo. Ele entrou no quarto, viu Clarice sentada na cama perdida nos seus devaneios, aproximou-se e sentou-se ao seu lado, passando a mão pelo cabelo dela. O corpo de Clarice ficou rígido de forma quase impercetível, mas ela forçou-se a não se afastar.

"Clarice, a empresa esteve muito ocupada estes dias, acabei por te negligenciar." A voz de Arthur era grave e suave, carregada de desculpas. "Amanhã haverá a festa de aniversário de uma amiga, vem comigo para te distraíres um pouco, pode ser?"

Clarice sentia uma dor profunda no coração, mas apenas assentiu levemente: "Está bem."

Arthur pareceu satisfeito com a sua obediência e inclinou-se para depositar um beijo na testa dela: "Descansa bem."

Na noite seguinte, Arthur levou Clarice, impecavelmente vestida, a uma luxuosa festa de aniversário. Só ao entrar no salão e ver a aniversariante — vestida de branco, cercada por todos como uma princesa — é que Clarice compreendeu totalmente a verdadeira intenção de Arthur ao trazê-la: humilhação.

A aniversariante era Isabella. A mulher que Arthur realmente amava. Ele trouxera a sua esposa para a festa de aniversário da sua amada.

Quando Clarice entrou com Arthur, Isabella estava parada na escadaria, usando um vestido branco que a fazia parecer um cisne elegante. Ao vê-los, Isabella aproximou-se com um sorriso: "Arthur, Clarice, vocês vieram!"

Arthur assentiu e entregou-lhe o presente: "Feliz aniversário."

"Obrigada." Isabella aceitou e, naturalmente, enlaçou o braço de Arthur. "Arthur, danças a primeira música comigo? Como antigamente."

Arthur olhou para Clarice. Ela desviou o olhar.

"Claro", disse Arthur.

Ele soltou a mão de Clarice e seguiu Isabella para a pista de dança. A música começou e os dois dançaram abraçados — ele, atraente e imponente; ela, bela e encantadora. Moviam-se em perfeita sintonia, como se tivessem nascido um para o outro, enquanto os convidados ao redor lançavam olhares de admiração ou de cumplicidade.

Clarice foi deixada sozinha, como um adorno irrelevante. Ela sentia os olhares vindos de todas as direções: curiosidade, piedade ou malícia.

Nesse momento, uma taça de champanhe foi-lhe oferecida.

"Por que estás aqui sozinha?"

Bernardo aproximara-se sem que ela percebesse. Com um sorriso cínico e um fato cor de vinho, as suas feições marcantes pareciam ainda mais belas. Clarice pegou na taça com os dedos trêmulos e virou a cabeça lentamente para o encarar. Aquele rosto era atraente, profundo e rebelde, completamente diferente da elegância fria de Arthur.

Ela nunca entendera por que Arthur, tão contido e formal durante o dia, parecia transformar-se noutra pessoa à noite: apaixonado, dominador e possessivo. Agora ela compreendia. Não era a mesma pessoa.

"Não te preocupes", disse Bernardo com um sorriso. "O Arthur e a Isabella são amigos de infância; todos os anos eles dançam a primeira música no aniversário dela. É apenas o costume."

Clarice não respondeu. Olhou nos olhos de Bernardo e percebeu, de repente, que a forma como ele olhava para Isabella era igual à de Arthur: cheia de desejo e paixão.

Afinal... Bernardo também amava Isabella.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia