《Cinzas do Passado: O Renascimento de Clarice》Capítulo 2

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Nojo! Humilhação! Desespero! Como uma maré de sujeira, esses sentimentos a inundaram instantaneamente.

Ela não conseguia mais ouvir. Clarice virou-se bruscamente e, como se estivesse louca, saiu tropeçando do hotel, correndo para a escuridão da noite.

O vento gélido soprava contra seu rosto como se fosse uma lâmina, mas ela não sentia frio; sentia o corpo em brasa, com o sangue ardendo em fúria e agonia.

Ela corria freneticamente pela estrada, com as lágrimas jorrando sem parar, apenas para serem dispersadas pelo vento.

O que aconteceu aos dezoito anos era algo que ela jamais esquecera.

Naquele dia, enquanto trabalhava meio período no hotel, foi arrastada para um quarto por um homem embriagado.

Ele era alto, bonito e vestia roupas de grife — claramente um herdeiro de família rica. Ele a prensou na cama e, ignorando seus gritos e súplicas, a possuiu à força.

Depois que o efeito do álcool passou, o homem recuperou a sobriedade e pediu desculpas, alegando ter sido drogado e que não fora intencional.

Ele disse que assumiria a responsabilidade e que daria a quantia de dinheiro que ela quisesse.

Mas Clarice não queria dinheiro. Ela só queria que ele pagasse pelo que fez. Ela chamou a polícia.

Quando o homem foi levado, seu olhar era complexo: havia culpa, remorso e um sentimento que ela não conseguia decifrar.

Mais tarde, ela descobriu que ele tinha uma origem influente e que sua família usaria conexões para libertá-lo rapidamente sob fiança.

Clarice ficou aterrorizada e consumida pela dor. Por que pessoas ricas e poderosas podiam abusar de uma garota sem sofrer as consequências?

Naqueles dias, ela tinha pesadelos quase todas as noites, molhando o travesseiro com suas lágrimas.

No entanto, pouco tempo depois, ouviu dizer que o homem sofrera um ataque cardíaco na prisão e morrera subitamente.

Naquele momento, ela sentiu um alívio inesperado, acreditando que fora um castigo divino.

Mas o trauma deixado pela agressão ficou gravado em seus ossos. Ela passou a temer os homens e a rejeitar qualquer contato íntimo, sentindo-se suja e indigna de ser amada.

Até que conheceu Arthur.

Por um simples desejo dela, ele era capaz de reservar um auditório inteiro e contratar a melhor orquestra do mundo para uma apresentação exclusiva.

Quando ela sentia dores menstruais, ele deixava de lado sua postura imponente e, desajeitadamente, aprendia a preparar chá de gengibre com açúcar mascavo; mesmo queimando os próprios dedos, dizia calmamente que "não doía".

Em cada aniversário, ele preparava presentes selecionados e surpresas românticas, fazendo-a sentir-se como um tesouro profundamente amado.

Exceto pelos "acidentes" que aconteciam ocasionalmente.

Como o acidente de carro há dois anos, que danificou os nervos de seus dedos, impedindo-a de realizar performances de piano de alta intensidade e destruindo seu sonho de ser uma pianista profissional.

Ou como há um ano, quando acabara de descobrir a gravidez e estava radiante, mas escorregou acidentalmente na escada e perdeu o bebê.

Após cada incidente, Arthur demonstrava uma dor e uma culpa ainda maiores que as dela, cuidando de Clarice com uma dedicação tão meticulosa que ela não conseguia sentir o menor ressentimento, acreditando apenas que seu próprio descuido o fizera sofrer.

Mas, na verdade... todos esses acidentes foram planejados por ele!

Ele nunca a amou; estava apenas executando uma vingança longa e cruel!

Ele sentia tanto nojo que nem sequer a tocava, deixando que outro homem fizesse o serviço!

Durante esses cinco anos, em que tipo de farsa absurda e repugnante ela estivera vivendo?

Clarice não sabia por quanto tempo correu até que, exausta e com as pernas trêmulas, desabou na beira da estrada, abraçando os joelhos e chorando silenciosamente.

Suas lágrimas secaram, deixando apenas uma dor aguda e um vazio gélido e mortal.

Não, ela não podia mais ficar ali. Não podia passar nem mais um segundo ao lado dele! Ela correu para casa como se estivesse louca, invadiu o escritório de Arthur e começou a vasculhar tudo.

Gavetas, armários, arquivos; ela procurava com pressa e desordem, jogando as coisas para todos os lados.

Finalmente, na gaveta mais profunda da escrivaninha, ela encontrou o acordo de divórcio. Arthur já havia assinado.

A data era de três meses atrás. Ou seja, ele já havia preparado tudo aquilo desde então.

Clarice olhou para o documento enquanto as lágrimas caíam gota a gota no papel, borrando o nome "Arthur".

Ela pegou a caneta e, com a mão trêmula, assinou o próprio nome. Cada traço era como um corte em seu coração.

Após assinar, enviou uma mensagem para o advogado:

"Dr. Marcelo, eu quero o divórcio. O acordo já está no seu e-mail. Por favor, inicie o processo o mais rápido possível".

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