Ele dirigiu apressado de volta para casa. A primeira coisa que fez foi procurar por Yasmin no quarto, mas não havia sinal dela.
Somente após vasculhar toda a mansão, ele finalmente teve a certeza: ela havia ido embora.
Sobre a mesa, restava apenas um acordo de divórcio. Lorenzo ficou paralisado olhando para o papel, enquanto o ferimento em sua mão voltava a latejar.
Junto com a dor física, uma angústia desconhecida apertou seu coração. Ele não conseguia acreditar que aquela mulher, que ele julgava amar o dinheiro acima de tudo, aceitaria o divórcio com tanta facilidade.
Mas logo, a negação deu lugar à realidade.
Yasmin queria dinheiro para tratar a doença da mãe; agora que a mãe se fora, o dinheiro já não importava mais, e muito menos aquele casamento.
Com as palmas das mãos suadas, Lorenzo levantou-se trêmulo e ligou para Yasmin, mas ninguém atendeu do outro lado.
O pensamento em Nanda trouxe uma onda súbita de esperança. Ele acreditava que, enquanto tivesse a filha, Yasmin voltaria para casa.
Porém, no segundo seguinte, ele estancou no lugar ao perceber que não fazia a menor ideia de onde Nanda estava.
Um olhar sombrio cruzou o rosto de Lorenzo e ele soltou uma risada amarga antes de ligar diretamente para a polícia.
Ao saber que Lorenzo havia feito a denúncia, Stéfany ficou radiante, acreditando que ele finalmente havia mudado de ideia. Mas, quando cheguei à delegacia, Lorenzo mudou o depoimento e decidiu não prosseguir com as acusações. Stéfany, furiosa, avançou contra mim, agarrando meu colarinho para me agredir. No instante seguinte, Lorenzo segurou o pulso dela, jogando-a para o lado, e me envolveu pelos ombros para sairmos dali.
— Lorenzo, esse monstro matou o nosso filho! Como você pode ser tão injusto?! — gritou ela. — Mesmo que eu tenha derrubado as cinzas da mãe dela de propósito, como pode comparar um morto com um vivo? E nada disso foi só culpa minha! Você me deu esse direito, me fez acreditar que eu podia agir assim, por que agora joga tudo sobre mim?
— Cale a boca! — Lorenzo interrompeu, com as veias da testa saltadas. Ele a observou por alguns segundos antes de soltar um riso gélido. — Por acaso o dinheiro que te dei não foi suficiente? Você só vale isso, não seja gananciosa. Nunca tive a intenção de me casar com você; mesmo que esse bebê nascesse, eu apenas te daria mais dinheiro e ficaria com a criança. Entendeu agora?
Embora sentisse certa pena dela no início, ele suportou a gravidez forçada e o fato de ela ter dado sonífero à própria filha dele. Mas vê-la humilhar Yasmin daquela forma foi o limite. Agora que seu casamento estava em ruínas, Lorenzo sentia que já tinha sido benevolente demais com Stéfany. Sem olhar para trás, ele me segurou pelo pulso e me levou para o carro.
Olhei pela janela, permanecendo em silêncio absoluto. Naqueles dois dias, eu havia sepultado minha mãe em um cemitério. Mantê-la ao meu lado o tempo todo tinha sido um egoísmo meu; depois de tantos anos de sofrimento, era hora de ela finalmente descansar em paz.
— Yasmin, volte para casa. Eu prometo que não trarei mais aquelas mulheres para o nosso lar — disse Lorenzo, com uma voz tensa e um tom de súplica que me enojava. Ele não falava em parar de trair ou em pedir perdão sincero, mas apenas em não trazer as amantes para casa. Soltei uma risada irônica e cheia de desprezo.
A mão de Lorenzo apertou o volante e seu rosto demonstrava uma luta interna.
— Diga-me, o que você quer que eu faça? O que aconteceu, aconteceu. Não podemos encarar o problema de frente?
— Divórcio — proferi as palavras suavemente, sem intenção de dizer mais nada.
Lorenzo balançou a cabeça com um olhar de piedade.
— Para onde você vai se me deixar? Você não tem emprego, não tem pais. Você quer levar a Nanda, mas o que pode oferecer a ela?
Suas palavras foram cruéis e diretas, tentando derrubar minhas defesas. Mas eu já tinha pensado em tudo. Inicialmente, planejava deixar Nanda com ele, mas depois do incidente com Stéfany, percebi que o futuro da minha filha seria incerto em suas mãos.
— Já consegui um emprego. Se você realmente se importa com a sua filha, apenas pague uma pensão generosa — respondi.
— Você tem mesmo que ser tão difícil comigo? — Lorenzo esmurrou o volante e freou o carro bruscamente no acostamento.