Assim que o horário de atividade livre terminou, Alice retornou vagarosamente para o seu quarto. Mal se sentara por alguns minutos quando batidas repentinas ecoaram na porta.
Toc, toc—
— Sou eu.
Lin Wanwan identificou-se sem rodeios. Ao ouvir que a recém-chegada era alguém familiar, a cautela no coração de Alice não diminuiu; em vez disso, ela caminhou na ponta dos pés até a porta. As entidades no jogo eram onipotentes. Fingir a voz de um jogador não era nada de outro mundo!
Espiando pelo pequeno olho mágico, viu Lin Wanwan parada à porta com uma postura levemente arrogante, segurando uma carta. Confirmado pelo olhar: era ela mesma. Só então Alice baixou a guarda e abriu a porta; sua primeira reação foi olhar para a carta na mão da outra.
Com apenas um relance, Alice reconheceu que o que ela segurava era exatamente a carta que escrevera pela manhã. Embora os envelopes distribuídos por Bai Zhi fossem todos iguais, Alice fizera questão de marcar o seu com um longo traço para identificá-lo. Mas... como ela conseguira a sua carta?
— Como você...
— Eu tenho meus métodos. — Lin Wanwan interrompeu, adivinhando a pergunta, e balançou o envelope com um ar desleixado. — Vou te ajudar a entregar para ele.
Alice estreitou os olhos. — Você realmente consegue vê-lo?
Lin Wanwan assentiu com total confiança. — Consigo. O lugar onde ele está é diferente daqui; é um lugar "fora do cenário".
Alice engoliu em seco. Sua curiosidade foi aguçada instantaneamente. Talvez pela urgência de ver Song Yewang, ela deu alguns passos à frente e pressionou: — Como se chega lá?
— Por cima. — Lin Wanwan apontou para o teto. — No quinto andar. Há uma porta acima da área vermelha que leva para o lado de fora.
Alice permaneceu em silêncio. Quinto andar? Ontem ela fora apenas até o quarto e não subira mais. Que tipo de lugar era o quinto andar? Provavelmente nenhum jogador sabia.
— Você já foi lá?
— Não. — Lin Wanwan balançou a cabeça com franqueza. — Song Yewang disse que só você pode ir. Se outra pessoa for, não volta.
Quanto ao motivo, ela não sabia. Nem queria saber. Já que fora deixado claro que apenas Alice poderia subir, por que ela iria para a morte? Só um idiota faria isso! Com esse pensamento, Lin Wanwan exibiu um sorriso malicioso e devolveu a carta para Alice.
— Entregue você mesma. Dê pessoalmente a ele.
Alice pegou a carta, fixando o olhar no papel branco dobrado meticulosamente. Após um longo silêncio, levantou a cabeça e respondeu: — Tudo bem.
Contudo, ela não tinha pressa. Após a partida de Lin Wanwan, Madeirinha achou que ela correria para o quinto andar. Mas a realidade foi bem diferente! Além de não se apressar, ela voltou para a cama para dormir.
— Mestra, não vai agora?
— Não precisa de pressa. Ainda não chegou a hora.
Madeirinha não fazia ideia do que Alice estava tramando e apenas soltou um "ah" de incompreensão.
Às oito da noite, o corredor estava silencioso como de costume. Durante esse tempo, Madeirinha perguntou repetidamente por que ela ainda não agira. A resposta dela era sempre "sem pressa", com um desprendimento total. O boneco começou a suspeitar que Alice planejava algo grandioso que exigia um horário específico.
Assim, carregando essa dúvida, Madeirinha esperou com Alice até as nove horas, momento em que a figura na cama finalmente resolveu se levantar. Ao deixar o quarto, ela subiu rapidamente para o quarto andar, cruzou a área vermelha e encontrou com extrema naturalidade a porta com a fechadura eletrônica. No instante em que a porta se abriu, ela olhou para o fim do corredor, onde havia uma escada que levava exclusivamente ao quinto andar.
Alice subiu sem hesitar. A escadaria era mais longa do que imaginara; foram necessários dois minutos inteiros de subida até avistar a porta mencionada por Lin Wanwan.
Click—
Ao empurrar a porta, deparou-se com um ambiente que replicava perfeitamente o estilo dos andares inferiores: exceto por um branco total, não havia mais nada. Ao focar a visão, Alice deu de cara com alguém parado no centro.
Madeirinha começou a bater no ombro dela, animado: — Mestra, é ele!
O homem à frente vestia jeans e uma camiseta comum. Seu sorriso radiante atingia o fundo da alma; por um momento, a imagem sobrepôs-se ao rosto que Alice vira na foto.
— Você veio.
Alice aproximou-se, incrédula. Tinha inúmeras perguntas, mas não sabia por onde começar. No fim, apenas estendeu a carta escrita, fingindo indiferença: — Esta carta é para você.
Song Yewang aceitou-a com surpresa e começou a desdobrá-la. — Você escreveu uma carta para mim? Desde quando ficou tão sentimental? — Havia um tom de estranheza e diversão em sua voz.
Alice rebateu: — As regras do jogo exigiam. Não leve a sério.
Song Yewang afirmou com convicção: — As regras não estipulavam para quem escrever, imagino.
Ao ver seu pequeno truque desmascarado, Alice desconversou: — Não tinha mais ninguém para escrever, então escrevi para você, entende?
Pela mesma lógica, Song Yewang era apenas uma alternativa na falta de opções. Não a primeira escolha! Song Yewang soltou um riso satisfeito.
Tudo bem, você manda. Eu sei bem qual é a real razão.
— "As estrelas são lindas, espero que tenhamos a chance de vê-las juntos uma vez."
Alice perguntou: — Você... está realmente vivo?
Song Yewang fez um biquinho e abriu os braços com naturalidade, parecendo relaxado. — Vivo. Não estou aqui vivinho na sua frente? Mas, diferente de vocês, eu vivo "fora do cenário". É a borda do jogo. Consigo ver tudo, mas não posso interferir em nada.
— A carta que escrevi agora pouco...
— Eu recebi. — Song Yewang dobrou a carta e a guardou no bolso. — Obrigado.
Alice interpretou as palavras dele como se Song Yewang pudesse ser considerado uma pessoa normal, mas ao mesmo tempo não. Teoricamente, ao encontrar quem queria e confirmar que ele estava bem, ela deveria estar feliz. Contudo, Alice sentia um incômodo inexplicável no coração. Ao ver Song Yewang cheio de vida diante de si, ela afastou os pensamentos negativos, achando que talvez estivesse sendo apenas sensível e paranoica demais.
Song Yewang não tirava os olhos dela. — Consigo sentir que você está completa agora.
Alice abriu os lábios para dizer algo, mas ele se antecipou: — Você não está pensando em salvar todo mundo daqui, está?
— Hum.
Song Yewang não teve uma grande reação, como se já esperasse por essa resposta. — Eu te esperarei, não importa quanto tempo leve!
De forma invisível, Alice sentiu que toda a confiança de Song Yewang fora depositada nela, sentindo a pressão aumentar. Mas, independentemente disso, uma vez tomada a decisão, ela faria o seu melhor. Ao piscar os olhos, Song Yewang já havia desaparecido.
Percebendo que o tempo estava acabando, Alice iniciou o caminho de volta. Ao chegar no quarto andar, Madeirinha avisou que já passava da meia-noite. No meio do caminho, no corredor, ela encontrou por acaso uma conhecida.
Bai Zhi.
— Você o viu? — perguntou ela.
— Hum.
— Que bom. — Bai Zhi baixou a voz. — Agora, é hora de resolver as coisas por aqui.
Embora Alice não soubesse exatamente do que se tratava, pela reação de Bai Zhi, ela adivinhou que não demoraria muito para o espetáculo começar.