Alice fechou a porta com indiferença. — Se ele quer esperar, que espere.
No meio da noite, o corredor mergulhou em um silêncio mortal e sinistro. Enquanto o vento lá fora soprava fazendo um ruído de "shhh", uma frase de autoria desconhecida misturou-se ao som:
— O jogo está apenas começando de verdade.
No dia seguinte, a luz branca infiltrou-se pelas janelas no fim do corredor, iluminando as fileiras de portas brancas. Alice estava deitada na cama; não havia pregado o olho a noite toda. Madeirinha, pousado ao lado do travesseiro, tinha o rosto de madeira transbordando preocupação.
— Mestra, você não consegue dormir?
— Não é isso.
Não era falta de sono, era medo de dormir. A "ela" que estava sentada na cadeira da sala de máquinas ontem, a frase "esperei muito por você", as memórias e sentimentos que inundaram seu corpo... era coisa demais. Ela precisava de tempo para digerir e se adaptar.
— Mestra, que tal dormir só um pouquinho?
— Não precisa.
Alice sentou-se e alongou o pescoço rígido. — Hoje ainda tem o "tratamento especial" me esperando. Não posso me atrasar.
Próximo ao horário do café da manhã, todos chegaram conforme o esperado. As cores do refeitório permaneciam imutáveis: mesas, cadeiras, bandejas e a comida, tudo era igual. A única diferença era que, hoje, havia algo vermelho a mais. Ao lado de cada bandeja, repousava uma pílula vermelha, que lembrava um doce.
Quando todos se acomodaram em seus lugares, a enfermeira-chefe Bai Zhi parou no centro do refeitório. Sua voz recuperara o timbre original: — Por favor, todos tomem a Poção de Recuperação de hoje pontualmente.
As outras enfermeiras notaram que os olhos de Bai Zhi agora tinham pupilas, e vigiavam atentamente os jogadores em suas cadeiras. Alice olhou para a pílula vermelha. A
【Precognição】
dizia que quem a ingerisse ficaria com o olhar igualmente vago. A memória do usuário ficaria turva e ele passaria a acreditar que estava ali há muito tempo. Por outro lado, se recusasse o remédio... dois enfermeiros entrariam, o imobilizariam e o arrastariam de forma bruta para a área de tratamento no segundo andar. No instante em que as portas se fechassem, ouviriam-se gritos lancinantes.
Alice, aproveitando um momento de distração, escondeu a pílula na palma da mão, fingindo que a havia engolido. Ao confirmar que as outras enfermeiras não suspeitavam de nada, Bai Zhi lançou-lhe um olhar de soslaio e assentiu discretamente.
Às nove da manhã, na sala de terapia coletiva. Bai Zhi segurava um maço de papéis brancos e anunciou em voz alta a próxima tarefa dos jogadores:
— A terapia de hoje consiste em escrever uma carta. Escrevam para a pessoa mais importante para vocês. Pode ser alguém vivo, alguém que já partiu, alguém real ou até mesmo alguém que exista apenas na imaginação de vocês.
Dito isso, ela distribuiu o papel e uma caneta para cada um. Alice encarou o papel branco com um olhar profundo. A pessoa mais importante? Antigamente, ela não saberia para quem escrever. Mas agora era diferente; um nome surgiu imediatamente em sua mente. Ela pegou a caneta e escreveu rapidamente: "Song Yewang".
Antes de começar, estava cheia de confiança, mas após escrever o nome, a ponta da caneta estancou. Não sabia o que dizer. Havia tanto para falar que, ironicamente, nada saía. Então, ela levantou a cabeça para observar os outros, tentando buscar inspiração.
O homem careca apertava a caneta com tanta força que rasgara o papel. A garota de óculos chorava enquanto escrevia; as lágrimas caíam no papel, borrando a tinta. O homem rechonchudo suava frio, como se estivesse executando um trabalho braçal pesado. O idoso, apesar das mãos trêmulas, escrevia com uma seriedade invejável. O homem na cadeira de rodas escrevia algumas frases e parava, olhando pela janela como se algo lá fora o hipnotizasse.
Se havia alguém escrevendo rápido, era o homem musculoso. Ele terminou em tempo recorde e, temendo que alguém lesse, dobrou o papel imediatamente, escondendo-o de todos. Comparada à cautela dos demais, Lin Wanwan parecia relaxada, cantarolando enquanto escrevia.
Alice absorveu as expressões de todos, organizou seus pensamentos e voltou a escrever:
"Song Yewang, não sei se você poderá ler esta carta.
Não sei se você ainda está realmente vivo. Não sei se o que sua irmã disse é verdade.
Mas quero te dizer que me lembrei de você.
As estrelas do telhado eram muito bonitas.
Da próxima vez, espero que possamos vê-las juntos."
Aquelas poucas e simples frases compunham sua carta para ele. Sem assinatura. Sem endereço. Apenas um papel dobrado em quatro.
No horário de atividade livre, Alice optou por não ir à Área Vermelha. Em vez disso, dirigiu-se à área de tratamento do segundo andar. Em uma das camas, havia alguém deitado. Ao se aproximar, Alice viu que era o homem rechonchudo. Ele estava de olhos fechados, conectado a vários tubos; o leve subir e descer de seu peito indicava que ainda estava vivo. Enquanto Alice se perguntava por que ele estava ali, uma voz surgiu para sanar sua dúvida:
— Ele está dormindo.
Alice virou-se bruscamente, mas não viu ninguém. Ao olhar para baixo, deparou-se com o homem com nanismo. Ele estava parado à porta, com um sorriso bizarro no rosto. O homem explicou:
— Ah, não, me expressei mal. Não é sono, é o estado pós-tratamento. Eles dormem por um longo tempo e, quando acordam, não se lembram de absolutamente nada.
— Como você sabe?
— Porque eu passei por isso — ele apontou para si mesmo. — Você me vê assim e acha que nasci desse jeito, não é?
Alice o mediu de cima a baixo com uma expressão de dúvida que dizia "e não foi?". O homem soltou um riso nasal amargo.
— Eu fui "encolhido" pelo tratamento. Dez anos atrás, eu tinha o seu tamanho. Depois do tratamento, fiquei assim. — Ele continuou: — Você sabe o que é o mais terrível neste sanatório?
Alice balançou a cabeça. Como ela haveria de saber?
— Não é a morte — disse ele. — É viver. Viver transformado em um monstro, viver esquecendo de quem você é, viver assistindo a si mesmo desaparecer aos poucos.
Alice não teve uma grande reação, mas sentiu um assombro interno. Aquilo era como ser torturado por uma vida inteira. Um estado de suspensão entre a vida e a morte. O homem murmurou para si mesmo: — Eu estou esperando.
"Esperando de novo?", pensou Alice. Por que havia tanta gente esperando naquele lugar?
— Esperando por alguém que possa acabar com tudo isso. — O homem mediu Alice com um olhar curioso. — Eu esperei por você.
"Finalmente", pensava ele. "Valeu a pena esperar dez anos!"
— Como você sabe que sou eu? — perguntou Alice.
— O velho de roupas vermelhas disse que viria alguém com a mesma alma que a dele, e que essa pessoa salvaria todos nós.
Alice ficou sem palavras. "Alguém com a mesma alma?", pensou ela. "Claramente somos pessoas diferentes." Para ela, o delírio dele devia ser grave. Pobre coitado. Antes de partir, o homem deixou uma última informação:
— Ah, a propósito, o gordo na cama escreveu a carta para a filha dele. Ela morreu há três anos, e agora ele a vê todos os dias nos sonhos.
Alice permaneceu ao lado da cama, observando o homem. A filha dele... estava morta. Ele devia estar sofrendo muito. Alice notou, então, o rastro de uma lágrima que escorrera pelo rosto dele; ele parecia ter chorado enquanto dormia.