Às seis da tarde, Alice voltou para o quarto.
Madeirinha, ágil como sempre, saltou do bolso dela e perguntou curioso sobre o resultado da exploração: — Mestra, o que você encontrou?
— Muita coisa — respondeu Alice com naturalidade. — Mas ainda não é o suficiente.
Ela resumiu o que aconteceu na "Área Vermelha" para o boneco. Madeirinha ouviu tudo, piscando os olhos, e não pôde deixar de duvidar: — Aquele idoso... ele é confiável?
Em sua memória, havia idosos bons, mas outros que usavam a idade para se aproveitar, e alguns eram tão astutos e manipuladores quanto qualquer vilão dissimulado.
— Tanto faz.
Acreditar ou não já não era o mais importante. Alice declarou com determinação: — Esta noite, eu vou descer sem falta.
— Mas as regras dizem que é proibido sair do quarto após o apagar das luzes!
— Eu sei.
— Sabe e vai mesmo assim?
Alice sorriu: — Regras foram feitas para serem quebradas.
Madeirinha havia esquecido; sua mestra nunca fora uma pessoa obediente ou comportada.
Às oito da noite, no horário de apagar as luzes, todo o sanatório mergulhou em uma escuridão sem fim. Alice ficou deitada na cama, sem fazer nada, esperando até as nove horas, quando finalmente empurrou a porta do quarto.
Ela observou ao redor em alerta e, confirmando que o corredor estava vazio, deixou-se guiar por Madeirinha — que possuía uma excelente visão noturna — para caminhar no escuro em direção às escadas. Ao chegar ao quarto andar, a luz voltou. Pelo visto, as luzes daquele andar não eram apagadas. Felizmente, a porta da Área Vermelha permanecia entreaberta.
Alice entrou rapidamente, cruzou o corredor e parou diante da fechadura eletrônica, inserindo a senha sem hesitação. Naquele momento, ela só queria resolver tudo logo.
Click—!
Senha correta, a porta abriu. O que surgiu diante de seus olhos foi uma escadaria longa e totalmente escura que descia. Olhando assim, era um tanto assustador. Madeirinha estremeceu: — Mestra, não podemos ir? Parece um filme de terror.
— Você acha que o que estamos vivendo agora não é como um filme de terror? Pessoas morrem todos os dias — rebateu Alice.
Dito isso, ela desceu passo a passo sob a orientação de Madeirinha. Não sabia quanto tempo caminhou, até que finalmente avistou um ponto de luz.
— Depois de tanto tempo andando, finalmente chegamos à sala de máquinas — murmurou Alice para si mesma. Confirmando que aquele lugar era de fato o núcleo, ela sorriu animada. Ao seu redor, inúmeros servidores zumbiam e, à sua frente, telas infinitas piscavam dados. No centro da sala, havia uma cadeira. E na cadeira, estava sentada uma pessoa vestindo o pijama branco de paciente, de costas para ela, como de costume.
Desta vez, Alice não se moveu; esperou em silêncio que a pessoa virasse a cabeça. A pessoa parecia ter a mesma mentalidade, querendo esperar que Alice se aproximasse, e permaneceu imóvel. Os dois ficaram naquele impasse por um tempo. Vendo que o outro não se movia, o espírito competitivo de Alice aflorou.
Certo! Vamos ver quem aguenta mais.
Após alguns minutos, a pessoa na cadeira perdeu a paciência e virou-se para encarar Alice. Ao ver o rosto dela, as pupilas de Alice se contraíram bruscamente.
Aquele rosto... era o dela.
Não, não era exatamente o dela. Para ser preciso, era a "Alice Paciente" que vira no trem. Aquela que Song Yewang fingira ser. Estranhamente, Song Yewang não estava lá hoje; apenas aquela pessoa.
No momento em que seus olhares se cruzaram, a Alice Paciente começou a rir sem motivo. Ela disse: — Você finalmente chegou, esperei muito por você.
Alice ficou estática, encarando fixamente o rosto idêntico ao seu. A
【Precognição】
continuava surgindo em sua mente. Todas as imagens diziam que aquela pessoa era real. E, mais importante, aquela pessoa era o motivo da invasão do jogo.
Alice não entendia o sentido da frase "esperei muito por você". Por quê? Por que alguém idêntica a ela estaria esperando no núcleo do jogo? Duas faces iguais no mesmo lugar; até a curvatura do sorriso era como se tivesse sido copiada e colada. Alice não sabia a verdadeira identidade daquela figura e, como o tempo não permitia suposições vagas, perguntou diretamente: — Quem é você?
A Alice Paciente levantou-se lentamente, com um sorriso malicioso: — Eu sou você. O quê? Não reconhece a si mesma?
Alice soltou um riso de desprezo.
Que asneira!
"Claro que eu me reconheço, quem garante que você não é uma entidade disfarçada?"
Em seguida, a Alice Paciente apontou para a própria cabeça: — Ou melhor, sou uma parte de você. A parte que você deletou.
Alice encostou-se na parede, ouvindo os delírios da outra.
— Song Yewang disse...
— Ah, errado. O que Song Yewang disse não é totalmente verdade. O que ele te contou sobre você ter deletado as memórias sobre ele é real, mas ele certamente não te contou que você deletou mais do que apenas memórias.
Ela se aproximou, pronunciando cada palavra: — Você deletou uma parte de si mesma. Sabe por que você não confia em ninguém? Por que você se importa, mas finge não se importar?
Ela parou e fixou o olhar nos olhos de Alice, como se quisesse ler sua alma. Ao ver que Alice permanecia em silêncio, a Alice Paciente entendeu que havia acertado em cheio.
— A parte que se importa está toda comigo.
Alice não disse uma palavra. Tentou usar a
【Precognição】
novamente para ver o futuro, mas, por algum motivo, não conseguia enxergar nada. A presença daquela pessoa interferia em tudo. Alice repetiu a pergunta com severidade: — Quem é você, afinal?
A Alice Paciente exibiu um sorriso louco, idêntico ao de Alice, e começou a circular ao redor dela com um tom triunfante: — Eu sou a parte de você que "morreu" aos doze anos, no funeral dos seus pais. Você ainda se lembra daquele dia?
Alice lembrava. Como poderia esquecer?
Naquele dia, ela estava no necrotério, vendo seus pais — que antes eram tão carinhosos — deitados em dois caixões gélidos. Ela testemunhou parentes que pareciam ter vindo prestar condolências e consolá-la, mas que, na verdade, eram hipócritas interessados apenas na herança deixada.
Com a morte dos pais, Alice não chorou. Nenhuma lágrima.
Todos diziam: "Essa criança é muito forte", mas outros diziam que ela era insensível; que os pais a criaram com tanto amor e ela não derramava uma única lágrima. Na época, Alice acreditou ingenuamente nas palavras dos parentes. Quando todos se foram, ela tentou se forçar a chorar; usou cebola, usou qualquer método que fizesse os olhos lacrimejarem, mas as lágrimas não vinham.
Mais tarde, conforme crescia, ela começou a enxergar a verdadeira face daqueles parentes. Num acesso de fúria, ela se mudou da cidade natal e nunca mais teve contato com eles. O que ela não sabia era que o motivo, conhecido apenas pela Alice Paciente, não era "fortaleza". Era que "aquela parte" havia morrido.
A Alice que sentia tristeza, que sentia medo e que dependia dos outros, morreu naquele dia.