【O convite é um conteúdo pré-programado; o horário de envio é anterior a 72 horas antes do fim do "Arco do Trem".】
【Mensagem de Song Yewang:
Alice, se você estiver vendo esta mensagem, significa que eu já não estou mais aqui.
O Sanatório é o último cenário que projetei e também o núcleo de todo o jogo. Lá estão escondidas todas as verdades sobre mim, sobre você e sobre o porquê de este jogo existir.
Eu sei que você não vai acreditar em mim.
Não importa, você precisa vir.
Somente após saber a verdade é que você poderá decidir se quer ou não que tudo isso continue.
Espero por você no Sanatório.】
Alice sentiu, por um instante, que aquilo era um tanto absurdo.
Esperar por ele? O homem morreu; como ele esperaria?
【Detectado estado mental anormal da jogadora; recomenda-se o cancelamento desta transmissão...】
Ao ouvir isso, ela avançou decidida e apertou o botão de "Recusar".
【A jogadora recusou a recomendação; a transmissão continua.】
Alice apontou para as legendas que surgiam no ar com um brilho de riso no olhar: — Veja, até o sistema está me aconselhando a não ir.
— Hein? Se o sistema sugeriu, por que a mestra ainda vai? — perguntou Madeirinha.
Alice fez alguns movimentos de aquecimento, alongando o corpo: — Quanto mais ele desaconselha, mais eu sinto vontade de ir.
Ela não pretendia ir inicialmente, mas depois de tantos avisos, seu "gene de rebeldia" aflorou imediatamente.
Após a escuridão se dissipar, Alice percebeu que estava em um corredor branco. O ar era uma mistura de desinfetante e alvejante; um odor picante, mas seu olfato aguçado notou, com estranheza, um perfume bizarro misturado ali.
Alice olhou ao redor. Em ambos os lados do corredor havia fileiras de portas brancas, sem números, apenas com pequenas janelas de vidro fosco. Ao espiar pelo vidro, era possível notar uma luz fraca emanando de um canto lá dentro.
Alice olhou para si mesma. Diferente do pijama hospitalar padrão de listras azuis e brancas, ela vestia um uniforme de paciente totalmente branco. No peito, havia um distintivo, aparentemente para que outros pudessem identificá-la.
【Nome: Alice】
【Médico Responsável: Não atribuído】
Ela varreu o ambiente com o olhar e, após confirmar que não havia ninguém nem câmeras, tentou arrancar o distintivo com as unhas. Contudo, o objeto estava firmemente costurado à roupa; não se moveu nem um milímetro. A voz infantil familiar não apareceu; em seu lugar, uma voz mecânica ecoou pelos alto-falantes no teto do corredor:
— Paciente Alice, não danifique a propriedade do Sanatório. Primeira advertência.
Só então Alice percebeu que havia algo acima de sua cabeça. Estranhamente, a cor do alto-falante era exatamente a mesma do teto: branca.
— Que lugar é esse? Por que tudo é branco?
Uma obsessão particular pela cor branca?
Pouco depois, outros jogadores começaram a surgir ao redor. Eram pessoas entre vinte e cinquenta anos; todos, assim como Alice, vestiam o pijama branco e portavam o mesmo distintivo no peito. Alice lançou um olhar rápido. Havia idosos, jovens e pessoas com deficiências; o sistema parecia ter selecionado perfeitamente diferentes grupos da sociedade para um único cenário.
Alice notou que algumas pessoas a olhavam de forma diferente, como se a palavra "perigosa" estivesse escrita em seus rostos. Imaginando que aquilo era reflexo das imagens do trem, ela deu um sorriso radiante. De repente, ficou curiosa: será que teriam medo dela?!
Nesse momento, uma mulher grávida caminhou lentamente até Alice, com uma expressão de medo e relutância. A sensação era de que alguém a obrigara a se aproximar. A gestante tentou fingir calma e perguntou, tomando coragem:
— Com licença... você é a "Mulher de Sangue"?
Alice percebeu o nervosismo da mulher e rebateu com outra pergunta: — É assim que vocês me veem?
Ao obter a confirmação implícita, a grávida apoiou a mão na cintura, colocou a outra sobre a barriga e recuou com dificuldade para sua posição original. Queria ficar o mais longe possível dela.
Alice entendeu. Todos ali, em maior ou menor grau, a temiam por causa do incidente no trem. Excelente!
Ao mesmo tempo, uma porta no fim do corredor se abriu. De lá saiu uma mulher vestindo um uniforme de enfermeira branco, segurando uma pilha de papéis. Ela tinha cerca de um metro e oitenta de altura, mas seu corpo era bizarramente esquelético. Usava uma máscara branca, revelando apenas olhos que consistiam inteiramente em escleras brancas, sem pupilas.
— Bom dia a todos os pacientes — disse a enfermeira, forçando um tom de recepção calorosa.
Contudo, quando aqueles olhos totalmente brancos se curvaram com o sorriso, ninguém sentiu gentileza; pelo contrário, era sinistro. A enfermeira continuou: — Bem-vindos ao Sanatório. Eu sou a enfermeira-chefe de vocês, Branca. Aqui, nós ajudaremos vocês a "recuperar a saúde".
Dito isso, ela começou a distribuir os papéis. Quando Branca se aproximou, os jogadores não fizeram menção de aceitar; pelo contrário, recuaram em alerta. A cada passo que Branca dava, eles recuavam um passo. Percebendo que a cautela dos jogadores era excessiva, Branca simplesmente colocou os papéis no chão e recuou para a porta.
— Por favor, respeitem as regras do Sanatório.
Alice
【previu】
que naquelas folhas estavam escritas as regras do local. Deveria haver uma para cada pessoa, mas, dada a situação, ela teria que ir buscar. Ela foi a primeira a avançar e pegar uma cópia. Uma mulher com nanismo implorou cautelosamente:
— Pode nos deixar ver o que é isso?
Alice recusou sem hesitar, escondendo o papel atrás das costas: — Não. É um por pessoa. Se quiserem saber, venham buscar vocês mesmos.
Alguém reclamou: — Somos todos companheiros de equipe, o que custa compartilhar?
— Companheiros? — Alice riu com ironia e retrucou: — Quando o perigo aparecer, você não dirá mais esse tipo de coisa.
"Em tempos de desastre, cada um por si." Era uma frase que Alice sempre levava gravada no coração.
— Esquece, vamos nós mesmos pegar, tem para todo mundo — disse a grávida, aproximando-se para pegar o restante das folhas e distribuí-las ao grupo.
【Manual do Paciente do Sanatório】
Todas as manhãs, às 6h, tome pontualmente a "Poção de Recuperação". Aqueles que recusarem a medicação aceitarão o "Tratamento Especial".
Todos os dias, das 9h às 11h, participe da "Terapia Coletiva". Ausentes serão incluídos na "Lista de Não Cooperativos".
Todos os dias, das 14h às 16h, horário de atividade livre. Você pode explorar o sanatório, mas é terminantemente proibido entrar na "Área Vermelha".
Todas as noites, às 20h, as luzes serão apagadas pontualmente. É proibido sair do quarto após o apagagar das luzes. Infratores arcarão com as consequências.
O ciclo de tratamento é de três dias. Após três dias, pacientes "curados" poderão receber alta.
【Nota: Se vir pacientes vestindo pijamas vermelhos, por favor, não fale com eles.】
Após lerem as regras, todos se entreolharam.
Branca: — Agora, por favor, sigam-me para a ala dos quartos.
Ela se virou e entrou novamente pela porta de onde viera. Alice, como sempre, foi a primeira a segui-la. Vendo que ela entrou ilesa, os outros jogadores sentiram-se seguros para entrar um após o outro.
Para a surpresa de todos, a ala dos quartos era ainda mais branca que o corredor anterior. Branca parou diante da primeira porta e apertou um botão em seu controle remoto. Uma linha de texto acendeu automaticamente no vidro da porta:
【Alice】
Branca afastou-se para dar passagem e disse a Alice em tom respeitoso: — Este é o seu quarto. Por favor, entre e descanse. O café da manhã será servido em uma hora.