— Estação final. Por favor, todos os passageiros devem desembarcar.
A jovem de branco lutava para ser a primeira a sair. Os outros a seguiam de perto. Song Yewang, que permanecera sentado por duas estações, finalmente se levantou. Alice achou que ele seguiria os demais, mas, ao passar por ela, ele parou e perguntou:
— Você não vem?
Ela fingiu modéstia: — Vá você primeiro.
Song Yewang não discutiu sobre quem deveria descer antes; apenas assentiu. Um instante antes de cruzar a porta do vagão, ele olhou para trás, lançando a Alice um olhar significativo.
— Mestra, vamos também.
— Hum.
No segundo em que Alice pôs os pés fora do trem, a porta se fechou num estrondo, como se temessem que ela voltasse. A luz dourada desapareceu. O que surgiu diante de seus olhos não foi a alvorada. O céu estava num tom vermelho-escuro, como sangue coagulado. Sob seus pés, a terra estava calcinada, repleta de rochas estilhaçadas e fragmentos de metal retorcido. Ao longe, ela vislumbrou algo queimando. As chamas tingiam metade do firmamento de carmesim.
Alice permaneceu imóvel, observando aquele mundo estranho. Murmurou confusa: — Esta é a Estação Alvorada?
Tudo ali exalava uma atmosfera sinistra. Ela virou a cabeça e, através da janela de vidro transparente, viu a comissária parada no corredor do vagão, fazendo-lhe uma breve reverência. Parecia uma despedida final. A comissária acenou sorrindo e o trem partiu, desaparecendo de vista.
A partida do trem significava que Alice estava presa ali. Completar o cenário agora dependia apenas de sorte. Sem outra escolha, ela seguiu em frente. Alice e Madeirinha caminharam apressados até que uma ampla praça surgiu diante deles. No centro da praça, estavam sete pessoas.
Ao olhar mais de perto, Alice percebeu que eram os jogadores que haviam descido na frente dela. Incluindo Song Yewang. Ela tentou se aproximar para entender a situação, mas Madeirinha agarrou seu colarinho, com a voz carregada de medo:
— Mestra, é melhor não irmos lá.
— Se não formos, como saberemos o que aconteceu com eles?
Madeirinha, sabendo que ela já se decidira, não insistiu mais.
Ao chegar à praça, ela observou de perto a expressão de cada jogador. A jovem de branco estava rígida, encarando o nada com um olhar fixo. Alice passou a mão diante dos olhos dela, mas não houve reação. Ela se moveu para o lado; o homem de terno estava parado ali, com os olhos vazios como uma estátua. O idoso apoiava-se em sua bengala, na mesma posição em que descera do trem. A jovem mãe segurava a criança paralisada, com o rosto cheio de ansiedade. O jovem de boné olhava para baixo, para o celular, mas a tela estava cheia de rachaduras. Song Yewang estava de pé, com a postura ereta.
E, sob os pés deles, havia cadáveres. Um, dois, três... Alice contou cuidadosamente: exatamente sete cadáveres. O número de corpos correspondia perfeitamente ao número de jogadores. Não seria possível que...
Alice teve um estalo, levantou a cabeça abruptamente e olhou para os jogadores à sua frente. Suas faces começaram a mudar uma a uma. Cada rosto tornou-se perfeitamente liso e adquiriu uma cor de porcelana branca. Todos haviam se transformado em Guardiões, as entidades do cenário.
Curiosamente, Song Yewang era a exceção. Apenas ele mantinha um olhar limpo, transbordando tristeza.
— Você... — a voz de Alice soou amarga — o que você fez?
Song Yewang, em silêncio, apontou para os cadáveres no chão.
Alice agachou-se, intrigada, e só então viu os rostos dos corpos. Eram idênticos aos dos jogadores. E nenhum deles respirava. Significava que as sete pessoas haviam morrido. Suas mortes eram distintas: alguns pareciam despedaçados, outros pareciam ter tido a vitalidade sugada, e outros pareciam ter morrido de puro terror. Mas havia um ponto em comum: todos tinham os olhos abertos, olhando para a mesma direção. Olhando para Song Yewang.
Alice perguntou: — Foi você quem os matou?
Song Yewang continuou em silêncio. No calor do momento, ela rugiu: — Responda!
— Sim.
Alice cerrou os punhos com força, sentindo uma fúria súbita borbulhar. No entanto, sua
【Precognição】
dizia que algo estava errado. Muito errado. Imagens começaram a ser reprisadas em sua mente.
Tudo o que aconteceu após os jogadores descerem do trem foi revelado a Alice. Ao desembarcarem, eles viram a luz dourada e, achando ser a saída, correram desesperadamente em direção a ela. Não notaram que, dentro daquela luz, algo os esperava. Antes que ela pudesse ver o que era esse "algo", a visão da premonição foi interrompida.
Alice relaxou os punhos e negou calmamente a confissão de Song Yewang: — Não foi você quem os matou, não é?
O olhar de Song Yewang oscilou ao ouvir aquilo.
— Quem foi, então?
Ele continuou em silêncio, apontando para o horizonte. Alice seguiu a direção indicada. Na linha do horizonte, algo estava se erguendo. Era uma silhueta humana composta por milhares de rostos. E todos aqueles rostos eram de jogadores que morreram nos cenários. Não apenas a mulher de meia-idade da segunda parada, mas pessoas que morreram em todos os cenários anteriores que Alice enfrentara. Milhares de rostos e olhos a encaravam.
— Ele se chama "O Ceifador" — explicou Song Yewang com um tom de resignação. — É a materialização do ressentimento de todos os jogadores que morreram no jogo. A cada estação que ele visita, ceifa um novo grupo de jogadores, que se tornam parte dele, novas faces em seu corpo.
O olhar de Alice voltou para os corpos no chão: — E estas pessoas...
— Eles são o sétimo grupo — disse Song Yewang. — O oitavo grupo é você. Eu não projetei este jogo para matar pessoas; eu o criei para... aprisioná-lo. Há trinta anos, ele surgiu. Após devorar as almas dos jogadores, tornou-se cada vez mais forte. Eu não conseguia detê-lo, então criei um cenário após o outro, dispersando os jogadores em mundos diferentes para que ele não os encontrasse.
Alice pronunciou a verdade que não queria acreditar, mas que era inevitável: — Mas ele está crescendo. Ele aprendeu a seguir o trem.
Aquilo era perigosíssimo. Significava que a entidade adquirira consciência humana.
— Sim — assentiu Song Yewang. — Ele aprendeu.
Chegando a esse ponto, Alice ainda não entendia por que fora trazida até ali. Perguntou diretamente: — Então, por que você me trouxe aqui?
Song Yewang silenciou por um longo momento antes de dizer: — Para que você o mate.
O olhar de Alice estancou.
— Eu? Tá brincando?! Você me superestima demais. Eu matando uma entidade tão... poderosa?
Alice virou o rosto e soltou uma gargalhada absurda. Era ridículo demais. Mesmo sem ela dizer nada, Song Yewang adivinhou seus pensamentos.
— Você não ouviu errado. Apenas você. Você tem o
【Corpo Imortal】
, ele não pode te devorar. Tem a
【Precognição】
, pode ver o ponto fraco dele com antecedência. Você, Alice, é a única pessoa capaz de enfrentá-lo.