Alice, em vez de recuar, deu um passo à frente. Com uma calma absoluta, disse: — Ela se foi. Vocês não conseguirão alcançá-la agora.
Se tivessem aparecido um pouco antes, antes do trem parar, certamente teriam encontrado sua inimiga. Ao ouvirem isso, as entidades pararam de caminhar. No meio do grupo, a garota de uniforme escolar que liderava a marcha levantou a cabeça lentamente, encarando as pupilas honestas de Alice. O rosto dela era um borrão, mas sua voz soou cristalina ao revelar o propósito daquela visita:
— Não viemos para persegui-la.
— Se não vieram atrás dela, vieram fazer o quê?
A garota de uniforme silenciou por alguns segundos. — Viemos para agradecer a vocês.
O quê?! Ninguém acreditou no que ouviu.
— Agradecer? — O homem de terno arregalou os olhos e beliscou o próprio pulso com força. — Ai! — A dor era real. O fato estava provado: as palavras delas eram sinceras, não era uma mentira.
Alice, particularmente curiosa, perguntou: — Agradecer pelo quê?
Os jogadores ao redor demonstravam uma mistura de curiosidade e tensão. Estavam intrigados com o motivo do agradecimento, mas temiam que, ao descobrir a razão, fossem eliminados para que o segredo não fosse exposto. Afinal, casos de "revelar a verdade e depois matar a testemunha" eram comuns.
A garota de uniforme disse em tom de gratidão: — Obrigada por tê-la mandado para fora. — Ela apontou para o assento vazio onde a mulher de meia-idade estivera e continuou: — Enquanto ela estava aqui, estava protegida pelas regras; nós não podíamos sair. Agora que ela desembarcou e se tornou uma Guardiã, as regras não a protegem mais. Agora, nós também podemos ir atrás dela.
A intenção era clara: enquanto estivesse no trem, as entidades não podiam tocá-la. Mas, uma vez na plataforma, elas poderiam fazer o que quisessem com ela. As outras entidades assentiram em uníssono. O homem assassinado, marido da mulher, deu um passo à frente e disse com voz gélida:
— Ela nos matou. Ficamos presos aqui esperando pelo dia em que poderíamos nos vingar. Agora, esse dia chegou.
Dito isso, viraram-se todos juntos. Assim que ficaram de frente para a porta, ela se abriu automaticamente. Lá fora, o que se via era uma escuridão onde nada podia ser distinguido. As entidades caminharam em passo sincronizado para fora do trem, sendo gradualmente engolidas pelo breu até desaparecerem.
O trem partiu. Ao confirmarem que elas não voltariam, todos desabaram em seus assentos, ofegantes.
— Foi por pouco. Achei que íamos morrer aqui.
— Ainda bem que não era com a gente.
Naquele momento, todos sentiram um alívio por terem votado na mulher de meia-idade. Ao menos, por tê-la feito descer, as entidades vingativas não atacaram os outros; havia um resto de justiça ali. Se ela não tivesse descido, ninguém poderia garantir que não haveria fogo amigo.
Alice permaneceu parada, observando a porta que se fechara.
— Mestra, aquelas entidades foram se vingar? — perguntou Madeirinha.
— Hum.
— O que vai acontecer com a inimiga delas?
Alice balançou a cabeça. — Não sei. Ela os matou; eles virem se vingar é o curso natural das coisas.
"Olho por olho, dente por dente". Antes, ela sempre fora contra essa ideia, achando que usar tais métodos para se vingar era errado. Um erro crasso. Mas os tempos eram outros. No mundo atual, o que era o "errado"? Tudo era certo; tudo era legítima defesa.
— Mestra, você vai ajudá-la?
— Não.
— Por quê?
O olhar de Alice era complexo ao revelar seu pensamento: — Porque ela matou pessoas. Quem mata deve pagar com a vida; é a lei do céu e da terra. Não importa o quão solitária ela fosse ou o quanto quisesse companhia para jantar, matar é matar. Ela deveria saber que esse dia chegaria antes de levantar a faca.
Madeirinha silenciou, sentindo que, de forma invisível, começava a entender algo. Sua mestra não era desprovida de compaixão; a compaixão dela é que nunca era direcionada a assassinos.
O trem continuou avançando. Pela janela, luzes de sinalização passavam ocasionalmente. Para Alice, as luzes alternavam entre vermelho e verde o tempo todo. Talvez exaustos ou pela tensão acumulada, os jogadores em seus assentos acabaram caindo em um sono profundo.
Um anúncio brusco soou nos alto-falantes, despertando os jogadores do sono.
— Senhores passageiros, estamos chegando à estação final — Estação Alvorada.
— Tempo estimado de chegada: dez minutos.
Os passageiros, com os olhos pesados, esfregaram o rosto. Ao ouvirem que a viagem estava no fim, recuperaram o ânimo instantaneamente. A jovem de branco pulou da cadeira, emocionada: — É a estação final! Podemos sair!
O homem de terno abriu um sorriso excitado e começou a ajeitar a roupa, querendo completar o cenário com uma imagem impecável. Naquele momento, a tensão de todos se dissipou.
Alice continuou sentada como sempre. Não demonstrava a euforia dos outros nem questionava o anúncio. Ao mesmo tempo, notou que Song Yewang, sentado à sua frente, permanecia na mesma posição, olhando para fora da janela.
A
【Precognição】
surgiu: ao chegarem à estação final, as portas se abririam. A escuridão lá fora fora substituída por uma luz dourada ofuscante. Todos caminhavam esperançosos em direção ao que acreditavam ser a luz da esperança.
A premonição terminou. Alice respirou fundo. Tinha o pressentimento de que o cenário não seria concluído de forma tão fácil e tranquila. Durante os dez minutos de espera, o vagão foi tomado por uma atmosfera estranha: um misto de alívio por chegar ao fim e uma tensão indefinível.
Alice encostou-se à janela, observando as luzes de sinalização que passavam. Eram regulares demais. Uma regularidade que beirava o anormal.
— Mestra, você está nervosa? — perguntou Madeirinha animado.
— Não.
— Mentirosa! Se não estivesse nervosa, por que estaria mexendo no clipe de papel o tempo todo?
Alice olhou para baixo e percebeu que seus dedos estavam, de fato, acariciando inconscientemente o clipe de papel deformado. Ela guardou a mão no bolso e disse calmamente: — Estou pensando em uma coisa.
— No quê?
Alice preferiu calar-se. Pensava em Song Yewang, o homem que afirmara ser seu "melhor amigo". Aquela foto e aquelas palavras ambíguas pareciam esconder algo. Não, elas
com certeza
escondiam algo!
Alice virou-se para Song Yewang. Ele não mudara de posição; estava com os olhos fechados, encostado no assento, aparentemente descansando. Sentindo o olhar de Alice, ele abriu os olhos subitamente, encontrando os dela. Ele deu um sorriso leve, não disse nada e fechou os olhos novamente.
Alice desviou o olhar, tomando uma decisão importante. Não importava o que a esperasse na estação final, ela veria a verdade com os próprios olhos. Percebendo que Madeirinha, assim como os outros, estava cheio de esperança, ela alertou: — Sugiro que não crie muitas expectativas sobre a estação final.
— Por quê?
Alice não respondeu diretamente. — Quanto maior a esperança, maior a decepção.
O trem começou a reduzir a velocidade. Na escuridão fora da janela, surgiram finalmente luzes quentes e acolhedoras. Conforme o trem se aproximava, o brilho tornava-se mais intenso e nítido.
— Chegamos! Chegamos! — A jovem de branco levantou-se e correu para a janela, batendo os pés de ansiedade.
O idoso pegou sua bengala e moveu-se trêmulo em direção à porta. O jovem de boné guardou o celular, com uma expressão tensa. Somente Song Yewang não deu sinais de movimento, permanecendo sentado como uma estátua.
No instante em que o trem parou totalmente, as portas se abriram. Uma luz dourada inundou o vagão, tão forte que cegava a visão.