《Não Sou Sua Irmã: O Desejo Proibido》Capítulo 1

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As legendas flutuantes apareceram sobre a cabeça de Arthur justamente no ano em que eu estava sendo mais insuportável e possessiva com ele.

Naquele dia, ele tinha acabado de chegar em casa após negociar uma fusão de empresas. Sua gravata estava frouxa e seu rosto transparecia um cansaço profundo. Mesmo assim, eu não parava de importuná-lo, insistindo para que ele me levasse às Maldivas para comemorar meu aniversário, exigindo até que ele cancelasse o jantar de celebração de uma de suas amigas próximas por minha causa.

Arthur semicerrou seus belos olhos, onde o brilho frio de uma irritação contida era evidente.

"Alice, você não pode crescer um pouco? Eu sou seu irmão, não o seu acessório exclusivo."

Foi nesse exato momento que uma linha de texto em um tom de verde fantasmagórico flutuou sobre a cabeça dele:

[Calma, aguente só mais um pouco. Essa coadjuvante mimada está prestes a sair de cena. A verdadeira herdeira chega ao campo de batalha em três dias.]

A almofada Hermès de edição limitada que estava em minhas mãos caiu no chão com um baque seco.

Eu era... uma coadjuvante?

Pior, eu era uma impostora ocupando o lugar de outra, prestes a ser escorraçada de casa?

No instante em que meu mundo virou de cabeça para baixo, eu não chorei nem fiz escândalo. Apenas um pensamento martelava em minha mente.

Ferrou. Eu acabei de irritar profundamente o homem que seria meu maior apoio financeiro no futuro.

...

Enquanto observava o fluxo incessante de comentários sobre a cabeça de Arthur, fui forçada a aceitar aquela realidade surreal.

[Essa Alice é doente. Abusa do favoritismo da família Silva para fazer o que quer. Logo ela vai ter motivos de sobra para chorar.]

[Mal posso esperar pela chegada da Beatriz! Ela sim é uma protagonista de verdade, decidida e elegante!]

[O Arthur já deve estar farto dessa irmã, não é? Olhem só para aquele olhar de desprezo dele, credo.]

Engoli em seco, encarando o homem à minha frente cujo rosto estava lívido de raiva.

Arthur Silva, o futuro herdeiro do império da família Silva, um homem brilhante, mas de punhos de ferro.

Nos últimos vinte anos, aproveitando o fato de ser sua única irmã, eu cortei as asas de inúmeras pretendentes dele e o vigiava com mais rigor do que nossa própria mãe. Eu era uma tempestade constante na vida dele, querendo não apenas seu dinheiro, mas toda a sua atenção.

Antes, eu via isso como um laço fraternal profundo. Agora, percebo que eu estava dançando em um campo minado.

Já que não temos laços de sangue, minhas atitudes aos olhos dele, além de parecerem coisa de gente louca, provavelmente carregavam um senso doentio de possessão que o enojava.

"Diga alguma coisa." Arthur percebeu meu silêncio e franziu ainda mais a testa. "Você não estava cheia de marra agora pouco?"

Respirei fundo e, em um segundo, adotei uma expressão obediente e até um tanto distante. Pensei no saldo da minha conta bancária e nas joias em meu nome que ainda não tinha transformado em dinheiro.

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"Irmão, eu refleti."

Curvei-me para pegar a almofada, bati levemente para tirar a poeira e usei um tom de voz tão calmo quanto se estivesse comentando sobre a previsão do tempo. "Você está sobrecarregado com o trabalho, eu não deveria ter sido tão egoísta. Não preciso mais ir para as Maldivas. Vá ao jantar da sua amiga e divirta-se."

Sem esperar pela reação de choque de Arthur, virei as costas e corri para o andar de cima.

Naquele momento, tive a impressão de ouvir os comentários flutuantes gritando:

[??? O que aconteceu? A coadjuvante foi possuída por outra alma?]

[É joguinho! Com certeza ela está se fazendo de difícil para chamar atenção!]

Ao entrar no quarto, minha primeira reação não foi chorar, mas sim abrir o cofre.

Colares de esmeraldas, anéis de diamante rosa, a tiara que Arthur me deu em meu baile de debutante...

Enquanto fazia o inventário, abri um aplicativo de revenda de luxo no celular.

"Este pode render oitocentos mil, este outro um milhão e duzentos..."

Eu ia embora. Antes que a verdadeira herdeira, Beatriz, batesse à porta com o exame de DNA em mãos para me humilhar, eu sairia da família Silva de forma digna e, preferencialmente, muito rica.

Nos três dias seguintes, declarei unilateralmente o início do meu período de "desintoxicação".

Antigamente, eu respondia às mensagens de Arthur no WhatsApp em segundos; agora, eu levava horas ou simplesmente nem respondia. Antes, se ele chegasse tarde, eu fazia dezenas de ligações; agora, mesmo que ele passasse a noite fora, eu dormia como um anjo. Antigamente, eu exigia que ele descascasse meus ovos no café da manhã; agora, eu pegava meu prato e me sentava o mais longe possível dele.

À mesa, o clima era tenso.

Meus pais trocaram olhares preocupados. Minha mãe sorriu e colocou uma costelinha no meu prato: "Alicinha, por que você está tão quietinha esses dias? O Arthur andou implicando com você de novo?"

Se fosse no passado, eu teria aproveitado a deixa para reclamar e queimar o filme dele. Mas hoje, apenas sorri educadamente: "Não, o irmão trabalha muito, não quero incomodá-lo."

Toc.

Os talheres de Arthur bateram na porcelana do prato, produzindo um som agudo. Ele me encarava com um olhar indecifrável e um sorriso cínico nos lábios: "É mesmo? Tanta obediência está me deixando até desconfortável."

As legendas sobre ele não paravam:

[O grande CEO está nervoso? Não, ele só sente que tem algo muito errado.]

[Isso é a calma antes da tempestade!]

[É só impressão minha ou a Alice ficou mais bonita nesses últimos dias? Esse ar de vulnerabilidade dela...]

Continuei comendo de cabeça baixa, fingindo não ver nada. Em minha mente, eu fazia a contagem regressiva: faltavam apenas cinco horas para a verdadeira herdeira chegar.

 

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