O veredito não foi uma surpresa. O tribunal acatou todos os meus pedidos. Bernardo saiu de mãos abanando: não apenas perdeu a casa e o carro, como também ficou com uma dívida de dois milhões de reais. Ao mesmo tempo, devido à gravidade do escândalo, a Secretaria de Segurança Pública emitiu oficialmente sua demissão do serviço público.
No dia em que saímos do tribunal, uma garoa fina caía do céu. Tiago segurava o guarda-chuva, protegendo-me enquanto caminhávamos em direção ao Maybach estacionado no meio-fio.
"Dra. Larissa, o advogado do Bernardo acabou de nos contatar. Disse que ele quer vê-la uma última vez", disse Tiago em voz baixa.
"Não vou ver", respondi, abrindo a porta do carro. "Diga aos seguranças que, se ele chegar a menos de cem metros da empresa, podem chamar a polícia imediatamente".
O carro começou a se mover lentamente. Pelo retrovisor, vi Bernardo sozinho sob a chuva. Ele estava sem guarda-chuva, completamente encharcado, apertando com força o documento da sentença nas mãos. Parecia um pedaço de lixo abandonado pelo mundo.
Três meses depois, teve início o julgamento do caso de estelionato de Yasmin. Compareci à audiência como uma das vítimas. Yasmin estava no banco dos réus com o cabelo desgrenhado, sem nada daquela aparência pura e encantadora de antes. Ao me ver na plateia, seus olhos transbordaram rancor.
Bernardo também estava lá, sentado em um canto da sala. Ele estava tão magro que parecia outra pessoa, vestindo um casaco velho e barato. Aqueles olhos, outrora frios e orgulhosos, agora só carregavam dormência e desespero.
Durante o julgamento, para tentar reduzir sua pena, Yasmin começou a atacar Bernardo freneticamente.
"Foi ele quem me obrigou!", gritou Yasmin. "O Bernardo disse que a esposa dele era rica e me mandou fingir uma gravidez para tirar dinheiro dela! Ele me transferiu tudo por vontade própria, eu não dei golpe nenhum!".
A sala entrou em alvoroço. Bernardo levantou-se bruscamente.
"Sua mentirosa!", ele começou a xingar Yasmin aos gritos. "Sua vagabunda, você me roubou, me traiu e agora ainda tem a audácia de tentar me culpar?".
"Silêncio!", o juiz bateu o martelo com força. "Oficiais, mantenham a ordem!".
Bernardo foi forçado pelos policiais a se sentar novamente, mas continuou encarando Yasmin com um olhar de quem queria estraçalhá-la. Observei aquela cena patética de traição mútua e senti um cansaço profundo. Esse era o homem que eu amara um dia. Essa era a "florzinha pura" que ele tanto protegeu. Por baixo daquela fachada hipócrita, só havia podridão.
Ao fim do julgamento, Yasmin foi condenada em primeira instância a dez anos de prisão por estelionato de valor extremante alto. No momento em que ouviu a sentença, ela desabou no chão, chorando desesperadamente. Bernardo, por sua vez, soltou uma gargalhada arrepiante.
"Bem feito!", ele ria alto enquanto as lágrimas escorriam. "Dez anos... hahahaha! Apodreça lá dentro até ficar velha!".
Levantei-me e ajeitei minha roupa, preparando-me para sair.
"Larissa!", Bernardo gritou meu nome às minhas costas. Parei, mas não me virei.
"Você está satisfeita agora?", a voz dele soava áspera, como se passasse por uma lixa. "Minha reputação acabou, não tenho mais nada e ela vai para a cadeia. Você deve estar achando isso maravilhoso, não é?".
Virei o rosto e encarei sua face distorcida.
"Bernardo, você se superestima demais", eu disse calmamente. "Ao ver o lixo ser jogado na lixeira, sinto apenas que o ambiente ficou limpo, não sinto prazer. Porque vocês simplesmente não são dignos de afetar as minhas emoções".
Dei as costas e saí do tribunal com passos firmes. O sol lá fora estava radiante, dissipando toda a névoa do passado.