Na tarde do dia seguinte.
Recebi uma ligação do detetive particular. "Senhorita Larissa, todos os dados que a senhora me pediu foram enviados para o seu e-mail", a voz do detetive soava pesada. "O passado dessa Yasmin é muito sujo."
Abri o computador e cliquei no e-mail criptografado. Nele, havia o histórico detalhado de movimentações bancárias e registros de hotéis dos últimos anos de Yasmin. Ela não era, de forma alguma, a "flor pura e inocente" com traumas de homens que fingia ser. Era, na verdade, uma alpinista social profissional que manipulava diversos empresários ricos.
O que me deixou ainda mais chocada foi o anexo ao final do e-mail: um relatório de exame pré-natal. Yasmin estava grávida, mas o filho não era de Bernardo. Olhei para os dados na tela, com um sorriso frio surgindo nos meus lábios.
Nesse exato momento, a porta do escritório foi escancarada violentamente. Bernardo entrou furioso, seguido por uma Yasmin com expressão de injustiçada.
"Larissa, o que exatamente você pretende fazer?" Bernardo jogou um documento com força sobre a minha mesa. Olhei para baixo; era uma citação judicial. Eu havia processado Bernardo, exigindo a devolução de todo o dinheiro que ele transferiu para Yasmin.
"Apenas recuperando o que é meu", respondi, encostando-me na cadeira. "Alguma objeção, Dr. Legista?"
"Você enlouqueceu!", Bernardo estava com os olhos injetados. "Eu emprestei aquele dinheiro para a Yasmin por vontade própria. O que isso tem a ver com você?"
"Enquanto não estivermos divorciados, o seu dinheiro é patrimônio comum do casal", retruquei calmamente. "Você transferiu grandes quantias para outra mulher sem o meu consentimento. É claro que tenho o direito de reaver cada centavo."
Yasmin começou a chorar de repente. "Larissa, por que você está nos pressionando tanto?", ela se aproximou da mesa. "Eu sei que você tem inveja do carinho que o Bernardo tem por mim, mas não precisava usar esse tipo de tática."
Enquanto chorava, ela estendeu a mão para pegar um porta-retrato sobre a mesa. Era a única lembrança que minha mãe me deixou.
"Não toque nisso!", gritei, mas já era tarde. Com um movimento leve dos dedos de Yasmin, o porta-retrato caiu no chão, estilhaçando o vidro. A foto dentro dele também foi rasgada.
Levantei-me bruscamente, com a mente em branco por um instante. "Você está morta!", dei a volta na mesa, erguendo a mão para esbofeteá-la.
Bernardo, porém, agarrou meu pulso. "Larissa, o que você pensa que está fazendo?" Ele me empurrou com força para trás. Eu estava de salto alto e perdi o equilíbrio. Minha cintura bateu pesadamente contra a borda da mesa.
Uma dor aguda disparou do meu baixo ventre. Caí sentada no chão, segurando a barriga, enquanto o suor frio ensopava minhas costas.
"Pare de drama", Bernardo disse, olhando para mim de cima. "A Yasmin não fez por querer. É só a porcaria de um porta-retrato, eu te pago outro."
Eu estava sentindo tanta dor que não conseguia falar. Senti um fluxo quente escorrer pelas minhas pernas. Sangue. O sangue vermelho pingava nos azulejos brancos, uma visão aterrorizante.
Bernardo finalmente percebeu que algo estava errado. Sua expressão mudou. "O que... o que houve com você?", ele deu um passo à frente instintivamente.
Yasmin, contudo, segurou o braço dele. "Bernardo, minha barriga está doendo muito", ela gemia, com uma expressão de sofrimento. "Acho que foi o susto que a Larissa me deu agora há pouco."
Bernardo virou-se imediatamente para Yasmin. "Yasmin, você está bem?", ele a amparou, com o olhar cheio de ansiedade.
"Bernardo...", murmurei entre dentes, forçando as palavras. "Salve... o bebê..."
Bernardo olhou para mim. Houve um lampejo de hesitação em seus olhos, mas, no fim, ele pegou Yasmin no colo.
"Larissa, ligue você mesma para a ambulância", ele disse friamente antes de sair. "A Yasmin é frágil, preciso levá-la ao hospital primeiro." Ele saiu do escritório sem olhar para trás.
Fiquei deitada no chão gelado, assistindo à partida deles. A dor no ventre vinha em ondas. Com as mãos trêmulas, peguei o celular e liguei para o meu assistente.
"Chame o 192... rápido..."
No último momento de consciência, a tela do celular brilhou. Era uma mensagem do detetive: "Senhorita Larissa, acabei de conseguir um vídeo de segurança. A Yasmin riscou seu carro propositalmente na garagem e colocou a culpa no Bernardo."
Olhei para aquela mensagem e um sorriso trágico surgiu no meu rosto.
"Bernardo... o seu castigo está chegando."