— Jurar? — Eu ri, mas meu riso era mais doloroso que um pranto. — Você já fez tantos juramentos antes, qual deles você cumpriu? Lucca, eu estou exausta. Entre nós, acabou para sempre.
Por mais que ele implorasse, eu não dei mais atenção. Meu pai acabou empurrando-o para fora e trancou a porta. As batidas no lado de fora continuaram por muito tempo, cessando apenas tarde da noite.
Naquela noite, não preguei o olho. Minha mente vagava por flashes do passado: desde o menino solitário que conheci, até seus sorrisos gentis e, por fim, a cena íntima dele com Viviane hoje. A dor aguda tornou-se um entorpecimento, até que restou apenas o vazio. Eu sabia que aquela Sâmia, que amava Lucca com cada fibra do ser, estava morta.
Na manhã seguinte, ao ligar o celular, fui inundada por mensagens de Lucca: pedidos de desculpas e súplicas incessantes. Havia também uma mensagem de Viviane: "Sâmia, me perdoe. Eu e o Lucca nos amamos de verdade. Por favor, deixe-nos ser felizes."
Achei aquela mensagem ridícula. Amor verdadeiro? Um sentimento construído sobre a traição de uma amiga e de um compromisso... isso não merece ser chamado de amor. Não respondi; apenas bloqueei os dois.
Em uma cidade pequena, as notícias voam. O que Lucca e Viviane fizeram na pousada caiu nos ouvidos de alguém e, com alguns exageros, a história logo se espalhou por toda parte. Quando Viviane saía para comprar algo, era recebida com olhares tortos e cochichos. Garotas que antes eram suas amigas agora a evitavam deliberadamente. Por onde passava, ouvia os comentários: — É ela. Roubou o noivo da própria melhor amiga. — Parecia tão certinha, mas no fundo é uma sonsa.
Ela não suportou o julgamento e se trancou em casa, mas isso só fez os boatos aumentarem. Seus pais, ao saberem, deram-lhe uma bronca terrível, dizendo que ela era a vergonha da família.
Sem ter para onde correr, Viviane apareceu embaixo da minha janela, gritando meu nome em prantos. — Sâmia, por favor, desça aqui! Só quero falar com você uma vez!
Minha mãe me disse para ignorar, mas eu saí. Eu queria ver o que ela ainda tinha coragem de dizer. Ao me ver, Viviane tentou segurar minha mão, mas recuei um passo, evitando o contato. A mão dela ficou suspensa no ar, e ela chorou ainda mais: — Sâmia, me desculpe! Eu sei que errei! Me perdoe, foi um momento de fraqueza, eu não queria te trair!
— Um momento de fraqueza? — Encarei-a nos olhos. — Viviane, crescemos juntas. Você sabe muito bem como eu sempre te tratei. Quantas vezes briguei com o Lucca por sua causa? Quando você estava doente, eu saía no meio da noite para buscar remédio. Quando queria aquele acessório caro, eu economizava minha mesada para te dar. Quando brigava com seus pais, era eu quem te ouvia e consolava. Você esqueceu tudo isso?
O choro dela cessou por um instante, o olhar carregado de culpa. — Eu não esqueci... eu nunca esqueci, Sâmia. Eu sei que você foi boa para mim, mas eu não consegui controlar o que sentia pelo Lucca. Achei que ele me amasse, achei que ele terminaria tudo com você para casar comigo.
— Você achou? — sorri com desprezo. — O que você acha não muda a realidade. Você conhece o Lucca tão bem assim? Ele foi capaz de trair a mim, que estive ao lado dele por dez anos e o amei com tudo o que tinha. O que te faz pensar que ele seria fiel a você?
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Viviane paralisou, como se nunca esperasse ouvir aquilo de mim. Naquele exato momento, o carro de Lucca estacionou diante de nós. Ele desceu e veio direto em minha direção, ignorando Viviane antes de dizer a ela: — Vá embora agora. Preciso falar com a Sâmia.
Viviane olhou para ele com os olhos brilhando de esperança: — Lucca, você veio me dizer que nós...
— Entre nós, acabou. Esqueça.
Lucca a interrompeu com uma voz fria, sem o menor rastro de saudade. O rosto de Viviane empalideceu instantaneamente; ela não conseguia acreditar no que ouvia: — O quê? Lucca, você não pode fazer isso comigo! Depois de tudo o que aconteceu, você simplesmente diz que acabou?
— E o que mais eu diria? — Lucca a encarou, e a ternura de antes fora substituída por um gelo absoluto. — Eu nunca disse que me casaria com você. O que houve foi apenas um capricho, uma diversão passageira. Agora que as coisas saíram do controle, ainda tenho uma chance com a Sâmia. Não tenho motivo para continuar com você.
— Um capricho? Viviane cambaleou para trás, as lágrimas transbordando:
— Por um capricho você destruiu minha amizade com a Sâmia e acabou com a minha reputação... e agora diz que acabou? Lucca, você é um mentiroso!
Lucca nem se deu ao trabalho de responder. Ele se voltou para mim, suavizando o tom de voz: — Sâmia, veja, eu cortei tudo com ela. Me dê só mais uma chance.
Assisti àquela cena absurda sem sentir absolutamente nada. O arrependimento de Viviane e o cinismo de Lucca já não me diziam respeito. — Lucca, não perca seu tempo. Eu nunca vou te perdoar. Jamais.
Dito isso, entrei no prédio. Atrás de mim, ouvi o choro e as acusações de Viviane misturados aos gritos impacientes de Lucca. Não olhei para trás; segui em frente, um passo de cada vez.
A reputação de Viviane na cidade foi completamente destruída. Ninguém queria ser visto com ela, e até seus parentes a evitavam.
Ela passou a viver trancada em casa, com o psicológico cada vez mais abalado.
Às vezes, ela ficava horas olhando para os presentes que eu lhe dera no passado, gritando meu nome em meio ao pranto, mas no fundo ela sabia: nosso vínculo havia sido rompido para sempre.
Ela perdeu sua melhor amiga, sua dignidade e o seu suposto amor; agora, estava completamente sozinha.
Lucca achou que terminar com Viviane seria o suficiente para me reconquistar, mas ele não esperava que o pior ainda estivesse por vir.
Meu pai, indignado com o que ele fizera, procurou os superiores de Lucca na base militar e relatou toda a traição, incluindo a falsificação do relatório de casamento.
O exército preza acima de tudo pela disciplina e pela moral. Lucca, como comandante, ao se envolver em um escândalo que feria a ética militar, manchou gravemente a imagem da instituição.
Uma investigação foi aberta e a verdade veio à tona rapidamente. Lucca não apenas traiu minha confiança, como também omitiu informações graves em seus registros oficiais.
Pouco tempo depois, veio a punição oficial: Lucca foi destituído do cargo, expulso da corporação e perdeu seu registro militar permanentemente. Para ele, a notícia foi como um raio em céu aberto. Ele tornou-se um homem decadente, com o olhar vazio e sem rastro daquela arrogância de capitão. Ele passou a vigiar minha casa todos os dias, implorando por perdão: — Sâmia, eu errei. Eu sei que errei. Agora não tenho mais nada, só você me restou. Por favor, não me abandone!
Olhei para ele e não senti pena, apenas uma paz profunda.
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