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《O Erro Fatal do Capitão》Capítulo 2

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Demorei a conseguir falar: — Não, ela tem passado muito tempo nos telefones públicos ultimamente. Deve estar apaixonada, não tem tido tempo para mais nada.

Ao mencionar a palavra "apaixonada", Lucca ficou em silêncio do outro lado da linha. Após um longo tempo, ele pigarreou e mudou de assunto abruptamente: — O que você quer de presente de Ano Novo? Eu levo quando voltar.

Assim que ele terminou de falar, Viviane se aproximou: — Sâmia, o que está fazendo aqui escondida? Ligando para o Lucca, é?

Dizendo isso, ela arrancou o fone da minha mão e disparou contra o aparelho: — Lucca! Escute bem: se você se atrever a maltratar a minha Sâmia, você vai se ver comigo!

Lucca soltou uma risada baixa do outro lado: — Maltratar quem? Eu jamais teria coragem de tocar um fio de cabelo da sua "preciosa" melhor amiga.

Viviane ainda ia dizer algo, mas a linha caiu. Ela se virou para mim e perguntou naturalmente: — O que o Lucca te disse?

Não respondi. Meus olhos baixaram para o bolso do casaco dela. Estava estufado, escondendo algo. — O que você comprou agora há pouco?

Viviane hesitou por um segundo, respondendo de forma vaga: — Nada demais, só estava dando uma olhada.

Sem dizer nada, aproveitei a distração dela e enfiei a mão no seu bolso. Viviane soltou um grito e tentou me impedir, mas foi lenta demais. Quando duas caixas de preservativos apareceram na minha mão, o rosto de Viviane ficou instantaneamente escarlate. Ela as arrancou de mim e as guardou de volta, desviando o olhar: — O que deu em você? Que vergonha!

Olhei para ela, sem expressão: — Você está namorando e não me contou?

Ao perguntar aquilo, eu estava dando uma chance a ela. E a mim mesma. Eu esperava que ela confessasse, que inventasse qualquer desculpa, que dissesse que foi um erro momentâneo. Talvez assim eu pudesse reconsiderar nossa amizade.

Mas Viviane apenas balançou as mãos, nervosa: — Que namoro o quê! Isso é para uma amiga, não pergunte mais, que situação embaraçosa!

Para uma amiga? Lembrei da frase de Lucca no telefone: "Lembre-se de comprar mais alguns acessórios". Meu coração afundou completamente.

Ainda insistindo, perguntei: — Que amiga? Como eu não conheço essa sua nova amiga íntima?

Diante da minha insistência, Viviane explodiu de raiva: — Já disse que é uma amiga! Sâmia, eu sou sua melhor amiga, não sua prisioneira! Não seja tão possessiva. Eu não posso ter uma vida própria ou comprar algo sem ter que te dar relatório de tudo?

Dito isso, ela se virou e saiu apressada. Fiquei ali parada, observando suas costas, com a mente em branco. Por instinto, comecei a segui-la. Eu não sabia o que pretendia fazer; talvez ainda restasse um fiapo de esperança, ou talvez eu precisasse ver a verdade com meus próprios olhos.

Segui Viviane até a rodoviária na entrada da cidade. E então, vi aquela figura familiar. Lucca, vestido em seu uniforme militar impecável, estava parado na entrada. Seu sobretudo ainda carregava a poeira da viagem; ele acabara de chegar.

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Viviane correu em direção a ele no mesmo instante. Ao vê-la, o olhar gélido de Lucca suavizou-se imediatamente, e seus braços a envolveram com firmeza enquanto ela se jogava contra ele.

Eles se abraçaram apertado. Mesmo a uma curta distância, vendo aquela cena, senti meu sangue congelar. As palavras que ouvi pelo telefone já haviam sido dolorosas, mas presenciar aquilo pessoalmente me trouxe um desespero absoluto.

Do meu canto escondido, observei enquanto eles se beijavam em público, como se ninguém mais existisse ao redor. Lucca segurava o rosto de Viviane com uma ternura surreal. Ela, na ponta dos pés e com os braços em volta do pescoço dele, transbordava timidez e felicidade.

— Esta noite, vamos ficar acordados direto, como na semana passada?

Semana passada? Ao ouvir aquelas palavras, senti meu estômago revirar. Lucca a encarou, o pomo de adão saltando em sua garganta antes de sussurrar: — Sim, sua tentação.

Ele inclinou a cabeça e murmurou algo no ouvido dela. O rosto de Viviane ficou tão vermelho que parecia que ia sangrar, e ela deu um tapinha dengoso no ombro de Lucca: — Você não vale nada!

Lucca soltou uma risada baixa, apertando as bochechas dela com um tom de lamentação: — Só temos estes dois dias.

O sorriso de Viviane vacilou um pouco: — Depois de amanhã você volta para a Sâmia? Você vai mesmo casar com ela? Sei que somos melhores amigas, mas eu não suportaria ver vocês dois no altar.

— Não haverá casamento com ela.

A voz dele não era alta, mas chegou nítida aos meus ouvidos.

— O relatório de casamento que eu entreguei foi com o seu nome.

Aquelas palavras destruíram o que restava da minha sanidade e das minhas ilusões. Viviane paralisou por um segundo antes de explodir em pura euforia. Ela se impulsionou e beijou Lucca com fervor. Desta vez, ele não hesitou; ele a segurou firme e retribuiu o beijo com a mesma intensidade.

Após um longo tempo, Lucca a soltou e disse com a voz rouca: — Vamos para o hotel.

Com o rosto corado, Viviane assentiu e, entrelaçando o braço no dele, os dois caminharam rindo em direção à pequena pousada ali perto.

Sozinha naquele canto, as lágrimas finalmente transbordaram. Lembrei-me de muitos anos atrás, da primeira vez que vi Lucca. Ele era um órfão abandonado; seu pai tivera um caso e sua mãe, num surto de fúria, acabou com a vida de ambos. Ele quase morreu junto.

Graças a um vizinho que o levou ao hospital a tempo, ele sobreviveu. Meu pai era médico naquele hospital e, comovido com a história, conversou com minha mãe e decidiram adotá-lo. Desde então, Lucca tornou-se meu meio-irmão. Ele era lindo, mas solitário e calado, sempre escondido em algum canto.

Eu era uma criança solar e, desde o primeiro olhar, me encantei por ele. Dividia meus doces e dava meus brinquedos favoritos. Se alguém mexia com ele na escola, eu era a primeira a defendê-lo. Com o tempo, aquele menino frio derreteu, começando a sorrir e a retribuir meu afeto.

Depois que nos formamos, ele se declarou. Meus pais hesitaram no início, achando que nossas personalidades não batiam. Foi Lucca quem, diante deles, jurou solenemente: — Eu, Lucca, prometo que nesta vida jamais decepcionarei a Sâmia. Se eu quebrar este juramento, que o céu me castigue.

Tocados por sua sinceridade, meus pais finalmente abençoaram a união.

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