Capítulo 19
Paola Furtado baixou a cabeça e, ao ver as palavras "Acordo de Divórcio" no topo do documento, suas pupilas encolheram bruscamente.
— Você quer se divorciar de mim? — Ela levantou a cabeça de repente, com os olhos transbordando um ódio e uma inveja frenéticos. — Tudo por causa daquela Clarice, aquela ferramenta vulgar? Henrique Cavalcante, você se apaixonou por ela?! É isso?!
— Ela não é uma ferramenta — a voz de Henrique tornou-se subitamente sombria, carregada de uma crueldade e um aviso explícitos. — Paola, se eu ouvir você insultá-la mais uma vez, eu garanto que você passará o resto da sua vida na prisão, em um inferno pior que a morte.
O olhar dele era aterrorizante, como o de uma fera sedenta de sangue. Paola ficou paralisada, sentindo um frio glacial percorrer seu corpo. Ela finalmente percebeu que aquele homem estava falando sério. Ele não estava apenas tentando assustá-la; ele realmente iria destruí-la e acabar com a família Furtado.
Um medo e um desespero avassaladores a dominaram. Ela desabou no chão, banhada em lágrimas e soluços, finalmente cedendo:
— Eu assino... eu assino! Henrique, pelo bem do que tivemos no passado, poupe a minha família, por favor. O que eu fiz não tem nada a ver com os meus pais...
Henrique olhava para ela de cima, sem qualquer vestígio de emoção:
— Você não tem direito de impor condições.
Com as mãos trêmulas, Paola assinou seu nome no acordo de divórcio.
Três dias depois, uma notícia bombástica abalou a cidade. Paola Furtado, a herdeira do Grupo Furtado, foi detida pela polícia sob várias acusações, incluindo lesão corporal dolosa, falso testemunho e tentativa de homicídio por encomenda. Os detalhes do caso eram chocantes e causaram indignação pública.
As ações do Grupo Furtado despencaram instantaneamente. Parceiros comerciais cancelaram contratos um após o outro e os bancos começaram a cobrar dívidas; da noite para o dia, o império estava em ruínas.
Os pais de Paola abandonaram toda a dignidade e ajoelharam-se diante da sede do Grupo Cavalcante, implorando pela misericórdia de Henrique. Ele permaneceu diante da janela de vidro do seu escritório no último andar, observando as duas figuras lá embaixo como se fossem formigas, e disse friamente ao assistente:
— Diga ao Sr. Furtado que criar mal uma filha e permitir que ela cometa crimes tem um preço. Este é o preço.
Usando punho de ferro, Henrique adquiriu o Grupo Furtado, quase falido, por um preço irrisório, integrando-o completamente ao império Cavalcante. A família Furtado, antes gloriosa, foi varrida da elite da cidade.
Após resolver o assunto da família Furtado, Henrique delegou toda a operação diária do Grupo Cavalcante a uma equipe de gestores profissionais, retendo apenas o poder de decisão final. Ele estabeleceu uma equipe especializada em buscas, oferecendo uma recompensa de dez milhões de dólares e usando toda a sua rede de contatos e recursos para procurar Clarice ao redor do mundo.
Os dias passavam, mas as pistas eram escassas. Ocasionalmente, surgiam notícias duvidosas que acabavam sendo apenas enganos. Henrique emagrecia a olhos vistos; a vermelhidão em seus olhos nunca desaparecia, e a insônia e as dores de estômago tornaram-se constantes. Ele agia como uma máquina incansável, processando obsessivamente as poucas pistas e enfrentando decepção após decepção.
Até que, um ano depois, uma pista surgiu novamente, desta vez apontando para um pequeno país na África Oriental, mergulhado em uma guerra civil violenta. O relatório da equipe de busca era vago, dizendo apenas que, na lista de voluntários de um hospital de campanha naquele país, viram o nome "Clarice", mas não podiam confirmar se era ela, pois as informações eram incompletas, as comunicações estavam quase cortadas e a zona de guerra era extremamente perigosa.
Todos aconselharam Henrique a não ir. Era perigoso demais e a notícia não estava confirmada. Henrique não disse nada; apenas verificou pessoalmente seus guarda-costas e equipamentos, reservou o voo mais rápido para o país vizinho e fretou um pequeno avião particular que ousasse voar sobre a zona de guerra.
Após uma viagem turbulenta, atravessando fogo cruzado e bloqueios, ele finalmente pisou naquela terra devastada pela guerra. Podia ver o céu noturno tingido de vermelho pelas explosões ao longe e ouvir o som abafado das bombas. Sem hesitar, guiado por um guia local, ele seguiu para o hospital de campanha operado pelos Médicos Sem Fronteiras, localizado no limite da linha de fogo.
O chamado hospital não passava de algumas tendas verdes gigantes com cruzes vermelhas, cercadas por fortificações improvisadas de sacos de areia. O ar estava impregnado com o cheiro acre de pólvora, sangue e desinfetante. Os gemidos dos feridos e os gritos apressados da equipe médica compunham uma cena de caos e brutalidade.
O coração de Henrique batia tão rápido que parecia prestes a saltar do peito. Vestindo um colete à prova de balas e protegido por seus seguranças, ele entrou na maior das tendas, usada como centro cirúrgico. A luz era fraca, provida apenas por algumas lâmpadas de emergência. Havia muitos feridos ensanguentados pelo chão. Vários médicos e enfermeiras em aventais manchados de sangue trabalhavam freneticamente.
O olhar de Henrique agia como um farol, percorrendo cada rosto com urgência. Então, sua visão travou em um canto da tenda, em uma médica que fazia curativos no braço de uma criança negra. Ela estava de costas para ele, agachada no chão. Estava mais magra do que ele lembrava e seu cabelo longo fora cortado curto, preso atrás da cabeça, revelando seu pescoço fino e frágil.
Os movimentos dela eram rápidos e profissionais. Enquanto enfaixava, ela confortava a criança que chorava com uma voz suave em um francês hesitante. Mesmo sendo apenas um vulto de costas, Henrique a reconheceu instantaneamente.
Clarice. A sua Clarice.
Ele ficou paralisado, como uma estátua congelada. O sangue parecia ter parado de correr e a respiração travou em seu peito. Todo o ruído ao redor desapareceu, restando apenas o som ensurdecedor das batidas de seu próprio coração e a silhueta da mulher que ele tanto ansiara ver.
Ele tentou falar, mas sua garganta parecia obstruída, sem emitir som algum. Seus olhos arderam e ficaram subitamente úmidos. Ele a encontrou. Após mais de um ano de buscas frenéticas e inúmeros ciclos de esperança e desespero, naquela terra dilacerada pela guerra, a milhares de quilômetros de casa, ele finalmente a encontrou.