Capítulo 18
Sem progressos nas buscas, Henrique voou de volta ao país. Assim que o avião pousou, ele não voltou para a casa nupcial nem foi à empresa; foi direto para a mansão de West Hill. As fechaduras haviam sido trocadas de volta, mas o interior continuava um caos.
Como um louco, ele vasculhou cada cômodo, abrindo gavetas e armários em busca de qualquer vestígio que pudesse pertencer a Clarice. Mas não havia nada. Paola fizera uma limpeza completa. As poucas roupas velhas haviam sumido, a estante estava vazia e até os fios de cabelo longo dela que se enroscavam no ralo do banheiro foram removidos.
Henrique não desistiu e subiu ao sótão, um lugar que quase nunca era usado. No sótão empoeirado, encontrou em um canto uma caixa de papelão comum com o timbre de um hospital. Ele praticamente se atirou sobre ela, limpando a poeira e abrindo-a. Havia poucas coisas dentro, mas o suficiente para fazer sua respiração parar.
No topo estava um caderno de capa dura, azul claro, com as bordas gastas. Com as mãos trêmulas, ele o abriu: era o diário de Clarice. A caligrafia mudava do entusiasmo juvenil inicial para a expectativa terna e, finalmente, para um silêncio mortal e desesperado.
"Hoje, na porta do hospital, fui derrubada por um carro muito caro. O dono desceu para me ajudar; ele é tão bonito, mas um pouco frio. Perguntou se eu estava bem e sua voz também é linda. Parece que meu coração bateu um pouco mais rápido..."
"Ele disse que quer namorar comigo. É sério? Parece um sonho. Ele é tão talentoso, como poderia gostar de mim? Não importa, vou me esforçar para ser melhor e merecê-lo."
"Nós nos casamos! O caderninho vermelho! Sou a Sra. Cavalcante agora! Embora ele seja frio, sei que apenas não gosta de se expressar. No futuro, eu o farei feliz!"
"Hoje ele voltou tarde de novo, com um cheiro suave de perfume. Não é do tipo que eu uso. Sinto um aperto no peito. Mas ele tomou toda a sopa que fiz, até repetiu. Fiquei feliz de novo!"
"Ele disse que quer um filho. Eu também quero, um bebê que se pareça com ele, com os olhos dele e o meu nariz. Vou começar a tomar ácido fólico escondida, para fazer uma surpresa."
"O útero se foi. Melhor assim. Afinal... ele provavelmente também não iria querer que eu tivesse um filho dele. Ferramentas não precisam de útero."
"Bobi se foi. O último resto de calor desapareceu. Aqui é tão frio, de dentro para fora, tudo congelou."
"Henrique Cavalcante, eu não te amo mais."
"Nunca mais."
A caligrafia passava de elegante a trêmula e, por fim, parecia perfurar o papel. Henrique ajoelhou-se no chão, pressionando o diário contra o peito, soltando soluços partidos. Ele abraçou a caixa de papelão e ficou no sótão até o amanhecer. Quando a luz da manhã entrou pela janela, ele levantou a cabeça com os olhos injetados de sangue. Aquela Clarice que vivia por ele fora assassinada por suas próprias mãos.
Henrique ficou ajoelhado no sótão a noite inteira. Ao amanhecer, levantou-se cambaleando, com o rosto seco de lágrimas, restando apenas uma frieza mortal e uma tempestade aterrorizante no fundo dos olhos.
Ele começou a traçar seu plano. Usando todo o seu poder e sem medir custos, reuniu todas as provas dos crimes de Paola Furtado ao longo dos anos. Três dias depois, marcou um encontro com ela em um clube privado.
Paola chegou impecável, vestindo um vestido de alta costura e joias caras. "Henrique, você finalmente aceitou me ver? Onde esteve esses dias? Não atendia o telefone..." Sua voz melosa parou bruscamente ao ver o olhar gélido de Henrique e os documentos espalhados na mesa, além do vídeo pausado no notebook. Seu rosto ficou pálido como papel.
"Henrique, o que... o que é isso? Eu posso explicar!" Ela avançou para fechar o computador, mas Henrique agarrou seu pulso com força. A pressão foi tanta que Paola gritou de dor.
"Explicar?" Henrique a encarou com um olhar de desprezo absoluto, como se olhasse para lixo repugnante, e sua voz era assustadoramente calma: "Explicar como você jogou água deliberadamente para causar a explosão e quase matar Clarice? Explicar como comprou a enfermeira para forçar a cirurgia dela? Explicar como ordenou ao motorista que atropelasse seu gato, ferisse Clarice e matasse Bobi?"
"Não! Não é verdade! Aquela vadia da Clarice..." Paola balançou a cabeça em pânico, com lágrimas caindo, tentando usar seus truques habituais.
"Cale a boca". Henrique soltou a mão dela, empurrando-a, e pegou um lenço desinfetante para limpar os dedos que a tocaram, como se estivessem sujos.
"Paola Furtado, eu lhe dou duas escolhas". Ele levantou os olhos, com um brilho de lâmina de gelo: "Primeiro, pegue estas provas e entregue-se à polícia, confessando tudo o que fez detalhadamente. Segundo, eu mesmo a entrego. E garanto que, a partir do dia em que você entrar lá, a família Furtado deixará de existir na cidade."
Paola caiu sentada no chão, com os olhos arregalados de incredulidade e a voz estridente: "Henrique Cavalcante! Você enlouqueceu?! Eu sou sua esposa! Estamos casados há apenas um mês! Você vai me mandar para a prisão por causa daquela vadia? E ainda vai destruir minha família?!"
"Esposa?" Henrique soltou uma risada fria, tirou um documento da pasta e o jogou diante dela: "Assine isso".