《A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos》Capítulo 16

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Capítulo 16

Henrique apertou o papel com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos e as veias saltaram nas costas das mãos. O coração parecia ter sido agarrado por uma mão invisível e espremido com força, trazendo ondas de uma dor aguda e sufocante.

Ele quase podia imaginar a expressão de Clarice ao escrever aquelas palavras: uma calma mortal e o alívio de quem desistiu completamente da vida.

Nesse momento, o telefone do assistente tocou.

— Sr. Henrique, descobrimos. A Srta. Clarice de fato foi para a Clínica Mayo, nos Estados Unidos, através do projeto financiado pelo hospital, para participar de uma especialização de dois anos em técnicas avançadas de cirurgia cardíaca. Mas...

— Mas o quê? — A voz de Henrique estava extremamente rouca.

— Mas, cerca de duas semanas após chegar aos Estados Unidos, a Srta. Clarice desmaiou subitamente durante o trabalho e foi levada para a emergência. Os exames revelaram que ela... tem ausência de útero e apresenta sintomas graves de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A equipe do projeto avaliou que a condição física e o estado psicológico dela não podiam mais suportar a alta pressão de estudo e trabalho da Clínica Mayo, e sugeriram que ela suspendesse o projeto para tratamento. A Srta. Clarice... posteriormente retirou-se voluntariamente do projeto, mudou-se do apartamento fornecido e, desde então... perdeu-se todo o contato. Nossos homens estão intensificando as buscas nos Estados Unidos, mas no momento... não há pistas concretas.

Ausência de útero... Transtorno de Estresse Pós-Traumático... Incapacidade de suportar trabalho de alta intensidade... Retirada voluntária... Perda de contato...

Cada palavra do assistente era como um trovão atingindo a cabeça de Henrique!

A ausência do útero... fora ele quem dera a ordem pessoalmente para ser removido! Ele lembrava-se da luz fria da sala de cirurgia naquele dia, do rosto pálido como papel de Clarice amarrada à mesa, de seus gritos desesperados e de sua própria voz fria dizendo "nada de anestesia"...

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático era por causa de seus repetidos ferimentos, traições e humilhações; porque ele a jogara aos pés do agressor, por causa da explosão, da morte de Bobi, da água fervente, por causa de... tudo!

Incapaz de suportar trabalho de alta intensidade... ela fora uma das cirurgiãs cardíacas mais talentosas e esforçadas que ele já conhecera, com um amor quase devoto pela medicina. Fora ele quem destruíra pessoalmente a saúde dela, sua carreira e seus sonhos!

Henrique cambaleou para trás, apoiando-se na estante fria para não cair.

— Reserve uma passagem para mim, eu mesmo vou aos Estados Unidos! — Henrique cuspiu essas palavras entre dentes, com os olhos vermelhos como os de uma fera à beira da loucura. — E também, investigue a Paola para mim. Descubra o que realmente aconteceu com aquela explosão no hospital e a cirurgia de apendicite!

— Sim, Sr. Henrique!

A ligação foi encerrada. Henrique desabou no chão, encostado na estante fria. Em sua mão, ele ainda apertava o bilhete que dizia "A ferramenta estragou, é hora de jogá-la fora" e a certidão de casamento falsa.

Lá fora, o pôr do sol era como sangue, tingindo o quarto com um tom escarlate trágico. E ele, sentado naquela mancha de sangue, percebeu pela primeira vez, com clareza absoluta, que parecia ter perdido algo muito importante.

Algo que ele, com as próprias mãos, esmagou centímetro por centímetro, descartou e nunca mais... poderia recuperar.

Enquanto Henrique procurava freneticamente por Clarice nos Estados Unidos, o assistente enviou os resultados da investigação de volta ao país. Henrique estava sentado no escuro da suíte do hotel, com as cortinas fechadas.

A luz da tela do computador refletia em seu rosto, empalidecendo-o. As gravações de vigilância passavam silenciosamente.

Paola segurava um copo de água, seus olhos varrendo a etiqueta do equipamento; com um movimento rápido do pulso, ela despejou a água com precisão na entrada de energia, um movimento habilidoso e sem hesitação.

Em outra gravação, uma enfermeira entrava sorrateiramente na sala de tratamento e, ao sair, a pasta do prontuário em suas mãos havia sido trocada.

O assistente estava parado na sombra, com a voz tensa: — A explosão foi intencional pela Srta. Paola. O circuito daquele equipamento estava envelhecido, e ela sabia disso antecipadamente.

As mãos de Henrique começaram a tremer.

— Além disso... — o pomo de Adão do assistente moveu-se — o motorista que atropelou o gato foi encontrado. Ele confessou que a Srta. Paola lhe deu um milhão para que ele "acidentalmente" o atropelasse.

— E a cirurgia de apendicite também foi uma encenação da Srta. Paola, do início ao fim. Não teve nada a ver com a Srta. Clarice; ela é inocente.

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