Capítulo 15
— Pediu demissão? — Henrique levantou a cabeça dos documentos, com as sobrancelhas franzidas. — Por que ninguém me avisou?!
O assistente baixou a cabeça: — Naquela época... era o período mais crítico dos preparativos do seu casamento com a Srta. Paola. Os subordinados acharam que... a demissão da Srta. Clarice talvez fosse um assunto menor e não ousaram incomodá-lo com tais trivialidades, então...
— Assunto menor? — A voz de Henrique esfriou, carregada de insatisfação. — Eu pedi para você investigar o paradeiro dela, e é este o resultado que você me traz? Não consegue contato? Ela é uma pessoa viva, pode simplesmente desaparecer no ar?
O assistente suava frio: — Por favor, acalme-se, Sr. Henrique. Vou enviar mais pessoas para investigar imediatamente!
Desta vez, a eficiência foi muito maior. Duas horas depois, novas informações chegaram.
— Sr. Henrique, o número de celular em nome da Srta. Clarice foi cancelado há um mês. Quanto ao hospital, o diretor... foi bastante vago. Disse apenas que a Srta. Clarice foi para o exterior para especialização, mas recusou-se a revelar para qual país ou projeto específico, alegando proteção à privacidade da funcionária.
Ouvindo aquilo, Henrique sentiu uma estranheza cada vez mais forte no peito, como se algo estivesse afundando gradualmente.
Especialização no exterior? Clarice realmente sempre teve esse desejo, e ele a ouvira mencionar uma ou duas vezes que o hospital poderia ter vagas financiadas. Mas, com a personalidade dela, como um assunto tão importante não seria discutido com ele? Ela teria partido... sem se despedir?
— Exterior? Qual país? Qual projeto? E as informações do visto? Os registros de voo? — ele questionou, com uma urgência que nem ele mesmo percebia em sua voz.
— O diretor está mantendo sigilo absoluto. Vistos e informações de voo são privacidade pessoal; sem pistas claras ou um motivo justificável, os departamentos relevantes recusam-se a colaborar com a consulta — o assistente respondeu, fazendo o possível para manter a calma.
— Recusam-se a colaborar? — Henrique levantou-se abruptamente, com o rosto tão sombrio que parecia prestes a explodir. — Use toda a rede de contatos dos Cavalcante! Não importa quanto dinheiro custe ou quantos canais precisem ser abertos, eu quero saber o paradeiro exato dela! Agora! Imediatamente!
— Sim, senhor!
Observando as costas do assistente que partia apressadamente, Henrique afrouxou a gravata com irritação. Ele caminhou até a enorme janela do chão ao teto, observando a cidade próspera abaixo; o vazio e a inquietação em seu coração, no entanto, tornavam-se cada vez mais nítidos.
Clarice... onde você está afinal?
Henrique foi pessoalmente à mansão de West Hill mais uma vez. Ao parar o carro do lado de fora, descobriu que a fechadura havia sido trocada. A senha anterior não funcionava mais.
Uma fúria repentina surgiu. Ele ordenou que os guarda-costas que o acompanhavam arrombassem a porta diretamente. A cena dentro da casa fez seu olhar endurecer.
A decoração simples, mas acolhedora, que pertencia a Clarice, fora completamente removida e substituída por decorações caras com um tom óbvio de ostentação. Uma jovem estava deitada no sofá da sala, usando uma máscara facial e assistindo TV; ela gritou de susto com o barulho da invasão.
— Quem são vocês?! Como entraram aqui?! Esta é a casa do meu primo por afinidade! — a garota gritou em pânico.
Henrique a ignorou, varrendo a sala com o olhar. Nada. Não havia vestígio de Clarice em lugar nenhum. A estante estava vazia, o parapeito da janela estava vazio, e até o aroma leve e sutil que pertencia a ela — uma mistura de ervas e luz solar — havia desaparecido completamente.
— Saia daqui — ele disse friamente, sem nem olhar para a garota.
Assustada com a frieza em seus olhos, a jovem nem sequer tirou a máscara; pegou o casaco e a bolsa e saiu correndo desesperada.
Henrique caminhou até o escritório. A maioria dos livros de medicina na estante havia sumido, restando apenas algumas revistas de negócios e enfeites que ele havia colocado casualmente anos atrás e nunca folheado.
Inconformado, ele começou a vasculhar. Por fim, seu olhar pousou na prateleira mais baixa da estante, em um canto discreto. Parecia haver algo escondido lá no fundo. Ele se abaixou e esticou o braço. Seus dedos tocaram um objeto frio.
Era uma pequena caixa de metal, um tanto enferrujada. Muito antiga, do tipo que as crianças usam para guardar doces ou tesouros. O coração de Henrique, por algum motivo, falhou uma batida.
Ele retirou a caixa e limpou a poeira. A caixa não estava trancada; ele a abriu suavemente.
A primeira coisa que viu foi aquela "certidão de casamento" vermelha, que ele conhecia tão bem. Ele a pegou e a abriu. Na foto, ele e Clarice estavam sentados lado a lado; ele tinha uma expressão indiferente, enquanto Clarice sorria com os olhos brilhantes, as bochechas coradas de emoção, inclinando o corpo cautelosamente em sua direção, como se ele fosse a base de toda a sua felicidade.
Ele pensara antes que aquele era o sorriso de triunfo dela por ter subido na vida. Olhando agora, naquele sorriso havia apenas confiança total, amor e uma devoção de quem o via como seu destino final.
As pontas dos dedos de Henrique tremeram levemente. Debaixo da certidão, havia um papel de carta comum dobrado. Ele o desdobrou lentamente. Nele, estava a caligrafia elegante de Clarice, com apenas duas linhas que pareciam perfurar o papel:
"Henrique Cavalcante, eu fui embora. A ferramenta estragou, é hora de jogá-la fora. Desejo-lhe um feliz casamento e muitos anos de vida."